Mostrar mensagens com a etiqueta COMO SE FORA UM CONTO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta COMO SE FORA UM CONTO. Mostrar todas as mensagens

sábado, 3 de abril de 2010

COMO SE FORA UM CONTO - PÁSCOA

.
O COMPASSO JÁ NÃO VEM A MINHA CASA
.

Ao contrário de muitos que fazem questão de dizer que são tudo menos católicos, e que, em todas as manifestações religiosas, cá nos vêm informar da sua não religiosidade, como se isso fosse de algum interesse, não tenho por hábito falar das minhas convicções.

Desta vez, no entanto, resolvi vir falar da minha tristeza por já não ter o Compasso em minha casa, e da minha saudade dos tempos em que, em casa de meu avô paterno, toda a família se reunia para o receber.

O dia amanhecia muito cedo para toda a gente, excepto para nós, crianças. Éramos nove primos, e seis de nós dormíamos naquela casa. Era como se fosse Natal, mas não havia prendas. Quando nos levantávamos, ao som de fundo dos foguetes, já nossas mães e tias se atarefavam nas lides de tudo deixar a postos para «receber o Senhor», e a senhora Margarida e uma ajudante labutavam na cozinha para que o almoço fosse como sempre, sublime.

Na porta principal da casa, bem virada para a avenida que tinha o nome da data da Restauração da Independência, o chão era enfeitado com folhas de heras e pétalas de rosas, numa passadeira que me parecia na altura muito bonita, de modo a que o senhor abade reconhecesse qual a casa que o quereria receber, e ao Senhor, passasse por cima dela em direcção aos degraus que havia logo na entrada e se dirigisse à sala de visitas, engalanada com flores. Lá, amêndoas, doces sortidos, arroz doce, Pão de Ló, um pão de folar e vinho do Porto de muito boa qualidade, esperavam o padre e a sua comitiva. Tudo em cima de bandejas de prata.

Como de costume, a sorte bafejava-nos e a visita Pascal à nossa casa, era efectuada de manhã, relativamente cedo. A casa era relativamente perto da igreja, no centro da vila. Para além de nos deixar todo o resto do dia livre, ainda se conseguia falar um pouco com o Pároco (os meus avós, os meus tios e os meus pais), uma vez que tanto ele como o sacristão que o acompanhava, ainda não tinham cumprido muitas vezes a obrigação de bebericar um pouco de Porto, em casa de cada um dos visitados.

Pelas dez, começávamos a ouvir a banda tocar. Estavam na casa do sr dr farmacêutico. Faltavam duas casas para que entrasse na nossa, e essas não iam ter direito a música. A banda só tocava em frente das casas das famílias importantes lá da terra. A sineta, tocado vigorosamente e a preceito por um dos acólitos, normalmente um rapazito, também anunciava a eminente chegada do Compasso, e sobrepunha-se ao som dos badalos do sino da Igreja, que sem cansaço iam anunciando o Domingo de Aleluia. Pais e tios chamavam, apressados, os seus filhos e sobrinhos, e mais toda a gente da casa, para que se dirigissem à sala de visitas. E por lá ficávamos alguns minutos, em silêncio, ansiosos, à espera.

De repente, chegavam. «Feliz Páscoa, Aleluia, Aleluia». O abade à frente, logo seguido do sacristão e do Mordomo, que trazia nas mãos a cruz de Cristo. Meia dúzia de acólitos com opas vermelhas, entravam também. A banda, que tinha estado calada nos últimos minutos, recomeçava a tocar, ainda com mais força. O som, entrava com toda a pujança pela casa dentro, de modo que quase era difícil ouvir as palavras iniciais do sr Padre, que sempre se diziam à entrada, «Deus abençoe esta casa e todos os que a habitam».

Todos, sem qualquer excepção, se ajoelhavam e todos beijavam os pés do Senhor na cruz ornamentada, um a um, após uma breve e rápida passagem do algodão, a fingir que se limpava algum resíduo, entre cada ósculo, começando sempre pelo meu avô.

A casa era então aspergida com água benta, e depois, um bocadito de conversa de circunstância, uns afagos nas cabeças das crianças feitos pelo senhor Cura e lá se lhe oferecia uma cadeira para descansar, que a caminhada iria ser longa, e um ou mais cálices de Porto, que nunca enjeitava. Todos se abeiravam então da mesa, sem qualquer cerimónia. Um envelope, o folar do sr Abade, que durante anos não soube o que continha, mudava das mãos do meu avô para as do Padre, e destas para um bolso interior, por baixo dos paramentos. Em cinco minutos lá estava o senhor Prior de volta à rua a caminho da casa seguinte. «Feliz Páscoa, Aleluia, Aleluia!».

Ainda faltava algum tempo para o almoço. Agora era altura de arrumar a sala e acabar de preparar a comezaina, que como de costume, saída das mãos da srª Margarida, iria ser uma maravilha.

O resto do dia era, para nós, crianças e adolescentes, uma brincadeira. Sempre com o som de fundo dos sinos da igreja a apagar o silêncio, e o da banda que a espaços ia tocando. Os adultos tinham ainda de receber algumas visitas de vizinhos ilustres, e ir fazer uma ou duas.

Entretanto fomos crescendo, os meus avós desapareceram, pais e tios foram também desaparecendo, restando muito poucos, velhinhos, a casa e o terreno acabaram por ser vendidos e transformados num centro comercial e a tradição esfumou-se quase sem darmos por ela.

Hoje, nada resta, a não ser uma saudade imensa.


.



quinta-feira, 1 de abril de 2010

COMO SE FORA UM CONTO - HISTÓRIAS DO DIA 1 DE ABRIL


.
A SRª D. ANÉSIA, O SR DR. ANTUNES E O PRIMEIRO DE ABRIL
.

Convivi com eles muitos anos, perto de vinte, para mais que não para menos. Viviam no primeiro andar do meu prédio. Foi para esse andar que, nos idos de 78, eu fui viver, separando-me da casa de meus pais.

Ela, muito católica, oriunda do norte Valenciano, de lábios finos e nariz adunco, ele, economista, ex-funcionário da alfândega, coleccionador de selos. Ambos de uma bondade extrema, de uma educação esmeradíssima, de idade avançada, silenciosos, reformados, amigos.

Sem filhos, mas com uma sobrinha que a cada passo aparecia e que era a luz dos olhos deles, não lhes conheci amigos ou outros familiares. Viviam sós, um para o outro, a maior parte do tempo na sala virada ao sol, de onde viam o arvoredo do Consulado e o quintal que numa parte também lhes pertencia.

Davam-se muito bem connosco, em especial com a minha mãe, por quem tinham uma consideração especial.

O Sr. Dr. Antunes, era um velhinho muito culto, a quem eu achava muita graça ouvir falar. Utilizava com frequência termos que já nessa altura pareciam fora de moda. Com frequência o ouvia tratar as pessoas por excelência e pedir coisas por obséquio. Tinha uma voz agradável, um tanto ou quanto cantarolada e em momentos, aguda. A sua forma de falar lembrava-me a do Presidente do Conselho de Ministros da altura.

A Srª D. Anésia, era como disse uma velhinha adorável e muito religiosa. Não raras vezes as suas conversas versavam sobre a igreja, e eu, sempre que podia fugia, deixando à minha irmã, a função de a ouvir atentamente.

As minhas lembranças estão hoje um tanto ou quanto confusas, já que tudo isto se passou na minha infância e início de juventude, e, já faleceram para mais de trinta anos, primeiro ele. Mas, ainda me lembro que estes dois velhinhos adoráveis viviam um para o outro, numa solidão quase só quebrada pelas visitas da sobrinha, por quem tinham uma adoração incomensurável. Quase, porque para além das visitas quase diárias, da minha irmã, da minha mãe ou minhas, havia um dia, um em cada ano, que eles esperavam ansiosamente que chegasse. Recebiam nesse dia uma prenda que lhes possibilitaria falar dela muitas e muitas vezes, ao longo do ano que se avizinhava. Era o primeiro de Abril.

Havia quem se soubesse divertir, e divertir e fazer felizes os outros. Era o caso da minha mãe. Senhora muito alegre, sempre pronta para a brincadeira, de uma imaginação prodigiosa, preenchia algum do seu tempo a imaginar, ano após ano, uma partida engraçada para fazer aos amigos mais chegados, no chamado dia das mentiras.

Dos seus amigos, os únicos a quem a minha mãe nunca deixou de ligar enquanto ambos viveram, e o alvo privilegiado desses gracejos, eram o casal Antunes.

Sempre nos convencemos que este divertimento quase nunca era detectado pelos «alvos», e no caso dos nossos vizinhos e amigos, esse facto era uma certeza. Dessa forma, só muito mais tarde, às vezes meses depois, é que em conversa, a minha mãe lhes dizia que tinha sido ela a autora desta ou daquela brincadeira. Sempre se mostraram surpreendidos e com novo alento para voltar a falar da última partida que tinham sofrido, mais algumas vezes, acrescentando a partir daí o quanto a minha mãe tinha conseguido enganá-los.

Normalmente, as brincadeiras eram «servidas» ao fim da manhã, perto da hora de almoço, ou logo no princípio da tarde. Mas um ano houve em que a minha mãe se atrasou e só fez o telefonema, pois que o gracejo era sempre efectuado via telefone, muito perto da hora de jantar.

A voz que atendeu o telefone, a do dono da casa, mostrava alguma impaciência. O «estou sim?» que se ouviu quando atendeu logo ao primeiro toque, era expectante.

A voz da minha mãe, muito profissional e modificada para uma outra nunca antes tentada, de uma forma que só ela conseguia fazer, cumprimentou e perguntou se era da casa do sr Dr Antunes. Do outro lado ouviu-se «é sim, minha senhora, muito boa tarde, faça o obséquio de dizer» e, logo em seguida e em surdina falando com voz alterada para o lado «Anésia, Anésia, é agora, vem ouvir!» e uma outra voz, esta feminina acompanhada do som de passos apressados «Ai que bom, eu não te disse que não se iria esquecer?».


.



terça-feira, 23 de março de 2010

COMO SE FORA UM CONTO - NA CAPITAL DO PAÍS QUE UM DIA FOI UM IMPÉRIO


.

“Assim, tratei dos papeis, tomei as vacinas, fiz as malas e rumei à capital.”

.

Quem me conhece saberá, por certo, o quanto me terá custado esta viagem. Ou melhor dizendo o quanto me terá custado aceitar fazê-la.

Isto de descer a sul de Coimbra tem sido, nos últimos anos, uma impossibilidade para mim. No entanto, depois de mais de três lustres, lá me decidi a aceitar a ideia de ir até lá, e mais do que isso, ficar para o dia seguinte.

Porém, antes de mais, tenho de me desculpar perante os amigos que por lá tenho. Alguns, que antes de o serem já o eram, e outros, que antes de o serem já o são. A Maria, o Luís, os Carlos, o Nuno, para só citar aqueles com quem mantenho um maior contacto, entenderão, tenho a certeza, o meu silêncio e o secretismo da viagem, que foi decidida em cima da hora e teve como objectivo curar alguns pequenos males familiares, e uma tristeza em mim instalada. Outra oportunidade haverá.

Assim, decisão tomada, tratei dos papeis, tomei as vacinas, fiz as malas e rumei à capital.

Raramente durmo em cama que não seja a minha. Quando o faço, faço questão de ficar muito melhor instalado do que estaria em minha casa. Assim foi desta vez. Via internet, lá marquei quarto num hotel bem situado.

Cheguei à capital do País que um dia foi um Império, no sábado à tarde, já a tarde estava cansada e com vontade de dormir. A minha pouca experiência com o trânsito da cidade (como tudo estava mudado) fez com que me perdesse três vezes, e no caminho para Belém, fosse em primeiro lugar ter à Buraca, depois à estrada de Sintra e mais tarde, já iamos nós a caminho de Cascais. Contingências estas a que qualquer um na minha situação estaria sujeito, e que não me tirou de modo algum a melhor das disposições, nem fez com que os meus companheiros de viagem me não perdoassem as falhas.

A entrada triunfal no Hotel fez-se já a noite acordava e se espreguiçava, preparando-se para mais umas horas de trabalho e de lazer.

Até aquela altura, o que tinha visto da cidade não tinha sido mais que um amontoado de prédios feios e umas intermináveis bichas de carros. E se as bichas eram assim ao sábado ao fim da tarde, o que não seria durante os dias de trabalho. Por certo um pandemánio de fazer perder a paciência a um santo.

Instalamo-nos, e fomos descontraír um pouco, para retemperar forças. À nossas espera estava uma piscina e o sauna. Descompressão rápida, que a hora de jantar estava perto. A pé, atravessamos o jardim e lá fomos em ritmo de passeio até à rua onde se comem os famosos pasteis de Belém. Optamos por jantar comida caseira num restaurante com o mesmo nome e a escolha dificilmente poderia ter sido melhor. Depois, novo passeio, um encontro e uma conversa, rápidas e improváveis, com a internacionalmente famosa Rosa Mota, o declinar de um convite para integrar o passeio/caminhada do dia seguinte, e o apreciar nocturno desta zona da cidade. Lindíssima. Quando demos por ela, já a noite se tinha instalado havia muito e, o meu filho, ainda uma criança, estava quase com os seus horários trocados. O regresso ao hotel foi uma obrigação.

Reparei então que a tristeza que há bastante tempo se tinha instalado em mim, desaparecera como que por encanto. Sentia-me bem, e em paz. Efeitos da capital?

Dormi bem. Já nem me lembrava como era bom dormir bem. O acordar, cedo, foi feito com alegria.

Um pequeno almoço delicioso, uma visita à piscina e ao sauna e a saída do hotel perto do fim da manhã, não sem antes fazer novo passeio à beira rio, entre o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém. Havia a promessa de uma ida ao Oceanário, e assim, para lá nos dirigimos, com o cuidado de utilizar o caminho mais longo que fosse possível. Apetecia-me rever a cidade, mesmo que fosse Domingo e o fizesse em passeio de automóvel. As boas recordações, de há muitos anos, do tempo em que por lá andei durante quase um ano, voltaram. E a vontade de voltar com mais tempo, também.


.

sábado, 6 de março de 2010

COMO SE FORA UM CONTO - POBRES E CULTOS


.

POBRES E NO ENTANTO CULTOS

Estavam os três sentados numa das mesas, a mais afastada da entrada, e o único que tinha barba, pêra e bigode, razoavelmente cuidada, falava mais que os outros, como que dando uma aula. A espaços era interrompido com perguntas ou comentários. Falavam da dificuldade em arranjar emprego remunerado, que trabalho todos iam tendo de uma maneira ou de outra.

Distraí-me, a conversa dos outros não me diz respeito, e quando por acaso voltei a prestar atenção, já a conversa versava sobre política internacional. E o que ouvia era bem dito e com conhecimento de causa. Achei estranho já que os três indivíduos me tinham parecido, à primeira vista, “uns pobres coitados”, e comecei a prestar um pouco de atenção. Mais tarde ainda falaram de fotografia, melhor dito, um falou, e bem, e os outros ouviram, como seria de se esperar já que estavam num local que promovia exposições e mostras de fotografia, e acabaram a falar de música clássica e da sua mistura com a música ligeira.

Todos mostravam uma cultura acima da média e uma forma de falar cuidada, com o homem da barba a comandar e reger a conversa.

Tudo aquilo era um pouco estranho para mim. A letra não condizia com a careta.
Aos poucos, com o evoluir do que fui ouvindo, fiquei a saber que eram três “sem abrigo”, todos na casa dos cinquenta anos, sendo um de Coimbra, e dois da área do Porto.
Quando reparei que tinha esmorecido a conversa, fui falar com eles.

Com alguma dificuldade lá me confidenciaram que um tinha uma licenciatura em gestão, outro tinha ficado pelo terceiro ano de medicina e o terceiro tinha o antigo sétimo ano do liceu e tinha estudado alguns anos de piano no conservatório. Todos a viver na rua, sem emprego, sem família, sem amigos. E no entanto, cultos e interessados pelas coisas da vida e do mundo.

E eu que julgava que “esta gente” mais não era que um bando de desgraçados, bebedolas, que se tinham entregado às dificuldades da vida, desistindo de viver.

Como a gente se engana!


.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

COMO SE FORA UM CONTO - BRRR, QUE FRIO!

.

QUE DRAMA, ESTÁ FRIO!

.

Brrrrr … Que frio!

Mais um drama se abateu sobre os cidadãos portugueses. Já não bastava a recessão que teima em não acabar, veio agora o frio.

Nestes dias, a temperatura desceu muito. Os termómetros marcam valores abaixo de zero em quase todos os locais do país, e parece que vai continuar assim mais algum tempo.

Portugal tirita de frio.

As rádios e as televisões desdobram-se em reportagens e entrevistas com os habitantes de Bragança, de Chaves, da Guarda ou da Covilhã. Vão à procura de saber como se sobrevive a tamanha calamidade. Em todo o lado as respostas são as mesmas. Não há grandes variações. – olhe menina, pomos mais uma camisola, acendemos a lareira e já está. De manhã vamos à janela e se está mais fresquito, agasalhámo-nos melhorzinho. A vida é assim, sabe?!

Não é propriamente isso que os repórteres procuram. Então e as dificuldades, então e as tristezas, então e a falta das notícias dos nossos protectores, lá nas aldeias perdidas do interior? Como sabem o que fazer? Não sentem falta de apoio da governação? De quem é a culpa deste estado de coisas?

Na realidade pensam (?) as cabeças pensantes deste nosso país, que nunca houve frio, nunca as temperaturas descendam a valores negativos, e que ninguém sabe cuidar de si. Para tal, arranjaram uma instituição que nos ensina, avisa e protege, a ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil).

Esta autoridade, tem por principal desígnio chamar-nos de parvos, tolos e ignorantes. Inventaram umas cores e lá nos vão chapando com elas de cada vez que acham que nós não somos capazes de pensar no que fazer. Ensinam-nos que quando está frio nos temos que agasalhar, quando chove e venta temos que usar guarda-chuva e abrigarmo-nos, quando o mar está alterado devemos ter cuidado e não ir-mos para o mar para pescar ou recrear, e até mesmo, que se estiver gelo na estrada devemos andar com cuidado e mais devagar. Isto no inverno, que no verão é a mesma coisa, mas com o calor. Para além de muitas outras coisas de algum valor e utilidade. E, para que não nos esqueçamos que ela existe, lá vão diariamente fazendo comunicados em cima de comunicados, dando cores amarela, laranja, azul e vermelha, às diversas situações que se vão apresentando.

Sim, eu sei que esta organização foi criada para ensinar os habitantes das cidades grandes do litoral, onde vivem a maior parte dos ignorantes nestas coisas do frio, do calor e dos ventos, mas, não poderia a Autoridade fazer o seu trabalho em sossego, e em silêncio, trabalho esse que até pode ser muito importante, e deixar-se de tanto barulho e propaganda?

Não sei se por sugestão desta Autoridade, a partir do ano que passou, as casas novas para além da licença de habitabilidade, têm também de ter um certificado de desempenho energético de edifícios e qualidade do ar interior, para que se tenha a certeza que o calorzinho dos aquecedores e lareiras não se vai pelas frinchas das janelas e portas, e que o ar que respiramos é sempre da melhor qualidade. Sem ele, o certificado, não se pode habitar nesses edifícios. Até que nem é mal pensado. A Autoridade tem razão.

Que seria de nós, pobres desgraçados, sem a ANPC e todas estas protecções?

É que agora, este ano, este mês, está mesmo um frio de rachar.


.
JFM
.
(In O Primeiro de Janeiro, 11-01-2010)

Ligações:
A, B, C, D, E, F, G, H, I
J, K, L, M, N, O, P,Q, R
S,T, U, V, X, Z

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

COMO SE FORA UM CONTO - Acordo Ortográfico, para que nos serve?

.

O ACORDO ORTOGRÁFICO E OS SMS

.

Hoje já ninguém sabe escrever.

Os SMS, forma de escrita usada pala maior parte da população activa, vieram empobrecer a escrita. As abreviaturas, os «kapas», e a limitação do número de caracteres passíveis de serem utilizados numa dessas mensagens, vieram desvirtuar tudo.

Antigamente, foi há bem poucos anos mas parece já ter passado uma eternidade, escreviam-se cartas, algumas, deva dizer-se, de fino trato literário. Uma declaração de amor, escrita, era por vezes um tratado de bem escrever. Uma mentira era escrita com um cuidado extremo, escolhendo muito bem as palavras empregues. O saber de novas e informar das que se sabem, obedecia a uma forma escrita correcta e agradável.

Hoje, os correios já pouco trabalham na entrega desse tipo de missivas. O telefone, primeiro, o correio electrónico, mais tarde, e depois, de novo o telefone na sua versão portátil, com a possibilidade de enviar mensagens curtas, acabaram com essa forma de comunicação.

Escrevi milhares de cartas. Aos poucos, e à medida que a idade ia avançando, escolhia com mais cuidado as palavras empregues, o papel em que as escrevia, e até a esferográfica ou a caneta de tinta permanente que utilizava.

Como toda a gente, cada vez escrevo menos cartas. O correio electrónico e a conversa pelo telefone, vieram substituir na sua maior parte a minha maneira de contactar. Mas continua a existir em mim a paixão pela escrita em papel, preferencialmente feita com caneta de tinta permanente.

Hoje já ninguém sabe escrever. Já não é preciso, dizem os mais novos que na sua maior parte têm uma caligrafia ininteligível. O vocabulário da maior parte dos Portugueses com menos de trinta e cinco anos está reduzido a um mínimo, e o ensino vigente parece apoiar essa redução e aquelas letras que mais parecem hieróglifos.

Hoje já ninguém sabe falar, a não ser sozinho. Já ninguém fala de olhos nos olhos. Fala-se de olhos postos no chão, olhando para o ecrã do computador ou para o telemóvel, e, a mais das vezes, utilizando um vocabulário reduzidíssimo. Na maior parte das ocasiões já nem se fala, limitando-se a pessoa em causa a enviar uma mensagem escrita pelo «portátil», seja ele telemóvel ou computador. A conversa tal qual sempre se entendeu como tal, tende a desaparecer das novas gerações. Escrevem-se uns amontoados de letras a que chamam mensagens, muitas vezes sem pontuação e escritas com abreviaturas, e as respostas, ou a falta delas, são recebidas na solidão escondida de um qualquer canto. O mais estranho é que há quem diga que entende essa forma de comunicação escrita.

Esse tipo de comportamento serve na maior parte das vezes para mentir, para esconder, para tornar tudo mais fácil e despreocupado. Nessas mensagens, ou nas conversas via telemóvel, dizem-se as maiores barbaridades, ou fala-se em voz muito alta dos casos mais íntimos, à beira seja de quem for, sem o mínimo pudor. O interlocutor está do outro lado, não se vê nem nos vê. E no caso de mensagens escritas é ainda mais notório e fácil, já que tudo é feito no silêncio da solidão, e nem se sente, mesmo que ao de leve, a reacção da outra parte.

Neste contexto, para que serve um acordo ortográfico? Para ser usado por quem? Pelos mesmos que só sabem escrever mensagens curtas em telemóveis, com meia dúzia de palavras abreviadas e com caracteres que não existem na nossa escrita?

Por outro lado, a quem vai beneficiar o acordo que agora se discute?

Quem tem de mudar a sua forma de escrita, vai ter de fazer um esforço. Que País tem de fazer o esforço maior? Não será Portugal que irá ver modificado o maior número de vocábulos?

Que interesses económicos estão por trás deste acordo?

Que interesse tem uma nova forma de escrever as mesmas coisas, se não há quem as entenda, se não há quem as use, se não há quem as aprenda? (É essa, cada vez mais, a tendência em Portugal)

A língua escrita tem forçosamente que evoluir de modo a normalizar a forma de escrever de toda agente que fala o Português, mas não antes de voltar a haver gente capaz de utilizar, como devem ser utilizadas, as palavras que a nossa língua tem.

Não seria melhor deixar toda a escrita como está, e, em primeiro lugar ensinar os nossos jovens a escrever, a saber usar as palavras que temos, e a perceber o que escrevem e o que lêem?

.

(In O Ptrimeiro de Janeiro, 08-01-2010)

.
JFM
.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

COMO SE FORA UM CONTO - O PAI NATAL E O MENINO JESUS

.


O PAI NATAL E O MENINO JESUS
.
Tenho de começar por dizer que não gosto do Pai Natal.
Desde que entrou na minha vida, já lá vão mais de vinte anos, que aos poucos a minha aversão ao personagem, foi crescendo.
Também não será para admirar. O Pai Natal chegou e destronou o meu Menino Jesus. Arrumou-o para um canto de uma gaveta, dentro de uma caixa velha, e não se ouviu mais falar dele.
Com a chegada do Pai Natal, começaram as desavenças natalícias lá por casa. E, pelo que ouço dizer, em muito mais casas por esse mundo fora.
O Pai Natal que na altura começou a andar lá por casa era um Pai Natal rico. O meu Menino Jesus, era um Menino Jesus pobre. Só por aí comecei eu a não gostar do velho de barbas e vestido de vermelho. Começou a luta dos ricos contra os pobres, e o rico ganhou. Não é que tenha ganho grande coisa, mas ganhou. Ganhou pelo menos o lugar que o Menino Jesus sempre tinha tido em minha casa. E com essa vitória começaram a desaparecer os valores que até então nos tinham norteado.
No tempo do meu Menino Jesus, e porque ele, coitadinho era pobre, minha irmã, meus primos e primas e eu, recebíamos, na madrugada da noite de Natal para o dia, uma prenda, às vezes, muito raramente, duas (nos raros anos em que o menino estava mais abonado), e uma moedinha de prata. Os nossos pais, nada recebiam, embora, quando o ano corria bem, encontrassem no sapatinho deles, que como os nossos estavam em cima do fogão de lenha da cozinha da casa de meu avô paterno, um embrulhinho. E depois, era uma festa com cada um a mostrar aos outros a prenda com que o Menino Jesus os tinha mimoseado.
- Deixa ver … que porreiro pá! Já viste o que eu tive?
E nisto se passava o dia, com brincadeiras e muita algazarra, e com os adultos a viverem connosco toda essa alegria. O dia era de todos. Festejava-se a união da família.
Depois veio o Pai Natal e as prendas começaram a chover. Toda a gente, desde os miúdos aos graúdos, recebia uma catrefada de coisas. A maior parte delas não serviam para nada, mas todos tinham muitas coisas. E no fim, cada um de nós se entretinha com uma só, abandonando as outras, que, sem préstimo ficavam caídas no meio dos destroços da batalha momentos antes havida. Folhas e folhas de papel de embrulho, rasgadas e atiradas por tudo quanto era lado. A tristeza do fim de festa, o desapontamento por falta de algo com que se tinha sonhado, o desalento espelhado num ou noutro rosto. A abundância desmedida não trazia com ela a felicidade.
O Natal que já tinha, um dia, sido de todos e para todos, passou cada vez mais a ser unicamente das e para as crianças. Na ânsia de lhes fazer bem, o Pai Natal de cada casa, inundava de coisas supérfulas os pobres catraios e sem resultados positivos. Passou a viver-se esta época de consumismo desenfreado para dar, seja o que for, em vez de viver alegremente a quadra e agradecer o que se tem. Desapareceu a festa da família. As pessoas continuam a juntar-se porque sim, porque tem de ser, porque sempre assim foi.
E as zangas começaram a aparecer. Porque este deu ao outro uma coisa que valia muito mais e a mim uma que valia muito menos. Porque aquele se esqueceu de dar. Porque, porque, e porque.
- Para o próximo ano não ponho cá os pés. Estou farto/a.
O consumismo e o desagrado inundaram as casas de cada um. Tinha nascido a obrigatoriedade de dar. Passou a gastar-se uma pequena fortuna em cada Natal, e quem não podia fazê-lo ficava mal visto. O sentimento de família começou a perder-se.
Cada vez são mais as pessoas que só querem mesmo é que esta época, em especial o mês de Dezembro, passe depressa.
- Arre, que nunca mais é Janeiro!
Só as crianças continuam, um pouco na sua inocência a desejar o que nunca tiveram, mas pensam que têm. Um Natal em família, com amor e amizade, onde todos perdoam a todos, onde os valores materiais são deixados de lado. No fundo e sem saberem, a desejar o que nunca conheceram. Um Natal onde fosse um Menino Jesus pobrezinho a trazer-lhes as prendinhas.

.
(In O Primeiro de Janeiro, 24-12-2009)


.
JFM
.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

COMO SE FORA UM CONTO - ESTAR, EM CASA DO LUÍS




..

ESTAR, EM CASA DO LUÍS

.

-Cheira mal, a que é que cheira? Diz o filho do meu amigo, aspirando fortemente o ligeiro fumo que sai do tacho que está em cima do fogão.

Estamos a poucos dias do Natal e estou em casa deles. Ofereceram-me almoço, que aceitei com prazer. Nesta casa come-se sempre bem. O cozinheiro é o meu amigo e faz comidas diferentes das que estou habituado, mas sempre boas. Comidas que, por brincadeira sempre digo não gostar, mas que como deleitado.

Na verdade não cheira mal, cheira só diferente.

Vim, como de outras vezes, para estar. Este estar é partilhado por outras gentes. Aqui, está-se bem. Hoje sou o único que está!

Partilhamos o gosto pela fotografia. Partilha comigo o saber que possui.

Com ele aprendo muito, como em tempos aprendi com o pai dele, numa altura em que, ainda adolescente, tinha sede de saber fotografar, e olhava, ávido de aprender, o que o sr fazia, e como. Somos amigos desde crianças, com encontros e desencontros pela vida fora, por vezes longos, alguns com tamanho de anos. Cada reencontro aconteceu naturalmente, como se não nos víssemos desde o dia anterior.

Aqui, respira-se fotografia. Aqui respira-se um bem-estar diferente, irreverente, uma anarquia levemente insana (num muito bom sentido), num ambiente traduzido por uma amálgama de peças de várias partes do mundo, muitas plantas e duas gatas.

Homem culto, sabe de tudo um pouco, e de algumas coisas sabe muito. Peca um pouco pela visão extremada que tem do mundo, muitas vezes condicionada pelo que a vida lhe trouxe, pelas dificuldades que foi encontrando provocadas pelos interesses instalados contra os quais sempre lutou. O estar sempre à frente do seu tempo e o facto de a razão lhe chegar muitas vezes tarde, também não ajudará a uma visão diferente.

Aqui, em casa do Luís, bem assim como na extensão que possui numa pequena sala de um prédio perto a que chama escritório, encontro, sem necessidade de procurar, o saber partilhar, o saber dar, o não esperar receber alguma coisa em troca do que faz pelos outros, dizendo melhor e em três palavras, uma generosidade ímpar.

Em casa do Luís, só não gosto do constante fumo do cigarro demasiadas vezes aceso. Sou alérgico a este fumo, mas esqueço-o trocando o desconforto pelo prazer de estar.

Boas Festas, meu amigo. Que o Novo Ano te traga um bocadinho do que, sem descanso, procuras.


.

JFM
.
.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

COMO SE FORA UM CONTO (ano de crise na venda de automóveis)


.

ANO DE CRISE NA VENDA DE AUTOMÓVEIS

.

Nos primeiros dias deste mês de Dezembro, há muito poucos, portanto, resolvi trocar de carro. O que uso diariamente já é velho e está cansado, para além de ter começado a dar-me alguns problemas. Também não é de admirar, já que tem quase vinte anos e era a entrada da gama de um utilitário.

Pensei depressa e resolvi ainda mais depressa, tinha ouvido falar, em notícias na rádio, que até ao fim deste ano de 2009, várias marcas faziam descontos especiais para incrementar as vendas, a juntar à comparticipação do Estado na troca e abate de viaturas velhas.

Voltei a consultar as revistas da especialidade que semanalmente compro, vi quais as marcas e modelos que me poderiam interessar, e parti em busca do carro desejado.

Eu sei que há crise no comércio de automóveis. Toda a gente o sabe. Os representantes das marcas não se cansam de apresentar queixas pelas quebras nas vendas.

Eu sei que há necessidade de aumentar as vendas e o incentivo ao abate de carros com mais que um determinado número de anos é uma boa medida.

Também sei que esse incentivo, pelo menos para já, acaba, tendo no dia 31 de Dezembro o limite temporal. Depois, poderá voltar, mas só depois do Orçamento para 2010 ser votado e posto em prática.

Eu, que já fui durante muitos anos comerciante, muito embora num ramo totalmente diferente deste dos automóveis, sei que, se se espera um aumento das vendas num qualquer produto, se deve, atempadamente, prover o stock de quantidades suficientes.

Por todas estas razões, parti confiante para o primeiro stand, certo de que o carro que mais me interessava, lá estaria à minha espera, ávido de dono, e que seria recebido com música, flores, champanhe e passadeira vermelha.

A minha primeira escolha, que na realidade era a única na altura, era um Peugeot, modelo 207, na sua versão mais recente, 99g. Tinha um preço competitivo e a marca para além do valor do incentivo governamental, ainda oferecia mais um valor sensivelmente igual, pelo que o preço de tabela desceria consideravelmente. Como única exigência, eu não aceitaria que o carro fosse branco.

A recepção não desmereceu das expectativas. Não tive direito a flores, não tive direito a música ou champanhe, nem tão pouco a passadeira vermelha. Mas a simpatia da vendedora, ultrapassou tudo isso. Um único senão: não havia carros, nem se previa que chegassem antes do final do ano. Estava lá um, que tive oportunidade de ver em todos os pormenores, mas nada mais. E esse já estava vendido. Soube na altura que estava em quarto lugar na espera de carro, só nas mãos dessa vendedora. Outros vendedores tinham a sua lista também. Numa tentativa um pouquinho desonesta, tentei passar para a frente da lista, dizendo que pagaria a pronto. Nada aconteceu. Nem assim a convenci a conseguir arranjar-me um carro. Não havia mesmo carros para venda. Apesar de desiludido, insisti em deixar o meu nome em lista de espera, não fosse o diabo tecê-las e aparecer um carro milagrosamente antes do fim do ano, e fui tratar dos papeis necessários ao abate do meu carro velho.

São precisos dois. Um passado pela Segurança Social e outro pelas Finanças. São papeis específicos para o efeito, e toda a gente sabe que só podem ser usados para esse efeito e até ao fim de 2009.

Estávamos já a onze de Dezembro, e se nas Finanças me passaram o papel na hora, na Segurança Social, aceitaram o pedido e disseram-me que fosse para casa esperar dez dias úteis, e que receberia a declaração pelo correio. Bem argumentei que dez dias úteis não permitiam ter o papel a tempo de tratar dos papeis antes do final de ano, mas a funcionária foi peremptória e nada havia a fazer.

Resolvi mesmo assim, já com metade dos papeis tratados e na esperança de, arranjando carro, vir a receber atempadamente o outro, ir à procura de outro carrito, outro modelo, outra marca.

Voltei a consultar as minhas revistas, e aceitei mais três hipóteses.

Parti à caça e à conquista.

Parei no stand da Renault. A hipótese passava por um Megane 1.6, quatro portas. Lá dentro saberia mais pormenores, e escolheria a versão que mais me interessasse. Depois de deambular por entre os muitos carros durante cerca de dez minutos, com os funcionários a aparentar estarem todos demasiado ocupados para me atenderem, desisti de esperar e vim-me embora. O interesse por mim, foi nulo. A crise nesta marca não deveria ser muita, já que ninguém se mostrou interessado em abordar-me.

Dirigi-me à Ford. Iria ver o novo Fiesta, também 1.6 de quatro portas e também, como das outras vezes, diesel. De imediato fui interpelado por um vendedor, que num escasso minuto me informou da inexistência de carros para venda, pelo menos até ao fim do ano. A simpatia do funcionário, não apagou a minha desilusão.

As minhas escolhas estavam a ficar esgotadas. Das minhas hipóteses já só faltava uma.

Dirigi-me à Seat. Encontrei um stand que nem conhecia. Entrei. Parecia vazio. Ninguém à vista. Cinco carros expostos. Quatro eram Ibisa, o modelo que me interessava. Entrei em cada um dos cinco carros. Abri as portas, as malas, sentei-me nos bancos da frente e nos de trás. Andei para trás e para a frente. Olhei os carros de frente , de lado e de trás. Olhei para o relógio. Já tinham passado mais de vinte minutos. De repente reparei num homem que no fundo do stand falava ao telefone. Olhei para ele e ele para mim. Nem um aceno, nem um cumprimento, nada.

Fartei-me. Desisti. Vim-me embora.

Entendi no momento onde estava a crise nas vendas dos automóveis. Estava ali, na falta de carros, na falta de incentivos aos vendedores, na falta de motivação. Sem carros é impossível vender. Sem vendas a economia não mexe. E de quem é a culpa de não haver mercadoria para venda, apesar de tanta propaganda? Por certo dos fabricantes e dos representantes e concessionários. Com situações destas, como se atrevem esses senhores a queixarem-se da crise nas vendas?

E a parte, também importante, da responsabilidade dos sectores do Estado, que não são céleres na apresentação dos elementos necessários à comercialização dos produtos?

Não se vendem automóveis, e os que se poderiam vender não existem para que isso aconteça. É mesmo próprio de um país destrambelhado como o nosso.

Tanta coisa se propagandeia. Incentivos para cima e para baixo, propaganda de vendas carros com incentivos vários, e quando alguém quer comprar alguma coisa, tudo se desmorona. Não há automóveis para aproveitar os incentivos.

É de doidos, tudo isto.

Parece-me que vou andar num carro velho e cansado, a continuar a poluir o nosso ar, durante muito mais tempo.

Não merecem mais!


.

JFM

.