ANDA TUDO AFLITINHO
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Anda tudo aflitinho, com receio do que o Vice-Presidente da Assembleia da República possa fazer.
A porca da política!
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(Também no Clube dos Pensadores, onde pode ler comentários)
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JM
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I AM, ... I KNOW I AM, ... THEREFORE I AM, ... AT LEAST I THINK I MUST BE ... I THINK !
46, rue Godefroy Cavaignac
F - 75011 PARIS
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EXPOSIÇÃO COLECTIVA DE 17 A 26 MARÇO 2009
INAUGURAÇÃO SEXTA-FEIRA 20 MARÇO 2009 DAS 18:00 ÀS 20:30
Rápido no Tua, 2008 - José Miguel Ferreira
fotografia platina / paládio, 35 x 28 cm, 2008
12 FOTOGRAFIAS EM PLATINA / PALÁDIO
JOSÉ MIGUEL FERREIRA
A LINHA DO TUA
Uma linha ferroviária centenária ameaçada
É na região do Alto Douro Vinhateiro, zona classificada pela
Unesco como Património da Humanidade, entre a
fronteira Hispano-Portuguesa e o Oceano Atlântico, que
se encontra o vale do Tua. Recolhido e selvagem,
este vale é percorrido por uma magnífica e histórica
linha de caminho de ferro: a Linha do Tua.
Sendo anteriormente uma das mais importantes
vias do Alto Douro, a Linha do Tua caminha
ao lado de cerca de 50 km do rio Tua.
Impressionante obra de engenharia, foi dinamitando que
os engenheiros do final do século XIX fizeram este
percurso através da rocha. Na estação da pitoresca aldeia
de Foz-Tua, junta-se a uma outra linha que
atravessa o Norte de Portugal, a Linha do Douro.
O rio Tua, ponteado com rochas e desfiladeiros estreitos, oferece magníficas
perspectivas com rápidos ainda não domesticados; segundo alguns, este é
um dos últimos rios selvagens da Europa.
O vale do Tua, cuja fauna e flora, estão em grande parte, ainda intactos, está, no entanto,
ameaçado pela construção de uma barragem na foz do Rio Tua, apoiada pelo Governo Português. Um projecto que irá afogar e condenar a Linha do Tua, uma das mais belas ferrovias da Europa.
A sociedade civil mobiliza-se para preservar este património histórico e natural,
mas a mobilização local não será suficiente.
uma campanha negra já por demais evidente e denunciada à saciedade, destinada a denegrir o governo, por intermédio de um computador que foi fruto de uma campanha de markting das mais intensas desde o tempo da outra senhora.
O CÃO DE ÁGUA
Muito se tem dito e escrito sobre o cão de água. Raça à beira da extinção há pouco mais de quarenta anos, a ponto de só existirem nessa altura poucos exemplares no Algarve, foram a partir dos anos sessenta do século passado, reintroduzidos e hoje são já uma espécie popular. São meigos, leais e obedientes, tudo características boas para conviver com crianças.
Tudo isto vem a propósito do novo cão da família Obama. Num repente, já se diz à boca cheia, que na Administração Americana se fala Português. O cachorro, que será oferecido à família mais poderosa do mundo, sim oferecido pois que não estou a imaginar o criador que for escolhido a levar alguma coisita ao sr Presidente, vai de certeza ser o melhor exemplar que for possível encontrar.
Se bem que já escolhido, o cachorrinho ainda não tem nome, e já se movimentam por aí, grupos a tentar arranjar o nome ideal para o bicho. Por mim, o nome ideal, já que é uso moderno dar nomes de pessoas aos animais de estimação (e já agora o sr Obama deveria juntar à raça um nome bem Português), bem poderia ser Sócrates, já que tejo, bobi, piloto ou fiel, estão decididamente fora de moda. Para além disso, consta que ladrará como qualquer outro e não morderá se bem ensinado.
Cansa imenso estar constantemente a ouvir falar do que o sr Obama faz, do que o sr Obama não faz, dos elementos da Administração do sr Obama que afinal já o não são, ver cartazes do sr Obama, ouvir piadas racistas do sr Obama, telemóveis, pensos, capas, cuecas, camisas, suspensórios e outros artigos quaisquer que eles sejam, do sr Obama, e agora também o cão do sr Obama.
Portugal exultou, é certo, e agora já mais uma ou outra pessoa na América, sabe onde fica Portugal. Ou melhor, saberá ou não, já que, jornais espanhóis, que são mais lidos do que os jornais portugueses, chamam ao novo inquilino da Casa Branca, cão de água ibérico. E nós, superiores a estas coisas baixas dos nuestros hermanos, ignoramos, olhando de alto para essas publicidades enganosas.
As notícias dos jornais, dos telejornais e outros meios, traduzem esse fascínio para os nosso concidadãos, que é o facto de um cão de uma raça chamada Portuguesa, ir passar a viver como emigrante de sucesso nos estado Unidos da América, terra das oportunidades. Teremos emissões em directo de Washington, com especialistas caninos a botar faladura e a adoçar a boca do porteguesinho, com o nosso sentido patriótico, o prestígio da nossa Pátria e o nosso ego cada vez mais exaltados.
Portugal exultou com a notícia. Já exultara antes com a hipótese, agora andamos todos satisfeitinhos e de sorriso de orelha a orelha com a confirmação da escolha.
Com isso, esquecemos as constantes falências, o número crescente de desempregados, o congresso “folow the líder” (bem, este talvez não), o FreepotGate, a guerra dos professores, a anunciada guerra dos médicos, as greves, o caso da Casa Pia, os fogos que já começaram, os mortos em acidentes de viação, a compra de acções da Cimpor, o novo aeroporto de Lisboa, o TGV, a nova ponte de Lisboa, as obras na frente ribeirinha de Lisboa, os processos no futebol, os cinco mil euros de condenação por corrupção, a apreensão de livros com pinturas de um pintor célebre, o Magalhães atrasado, o BPN, o BPP, Dias Loureiro, os automóveis que não se vendem, o casamento dos homossexuais, a eutanásia, a linha do Tua, a recessão, os 150 000 milhões de euros da nossa dívida, a regionalização, e mais um arrazoado de coisas que nem vale a pena lembrar. Tudo esquecido por via das notícias importantes sobre o novo cão mais importante do mundo.
E depois, depois de pensar em tudo isto, depois de ver com o que é que Portugal exulta, fico triste, ao verificar que os nossos principais orgulhos, as coisas que mais nos enobrecem e nos notabilizam, a par das vitórias externas no futebol, e outras de igual importância, não passam de coisas insignificantes, de pouco ou nenhum valor, reles e mesquinhas.
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(In O Primeiro de Janeiro, 03-03-2009)
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(Também no blogue Clube dos Pensadores.)
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JM
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O CARNAVAL QUE TEMOS
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Mais um ano, mais um Carnaval que na maior parte do país, é estrangeiro.
Continuam por aí uns senhores, e uma parte significativa da população, a fazer corsos, à moda do Brasil, com as miúdas nuínhas e tudo, cheias de frio, a tentar dançar samba e despidas com as roupas do Carnaval do Rio.
Até quando?
Por muito bonito que seja, por muito alegre que seja, não é nosso, não é da nossa tradição, não está bem.
Felizmente ainda há por aí, umas terras onde se faz o dito à nossa moda, com as nossas tradições a imporem a sua valia. Uma gota no charco da nossa vida.
Mais um ano, mais um Carnaval importado.
Tenho saudades dos outros tempos. Dos tempos em que o Carnaval não era, como agora, só para as crianças e para os basbaques verem o corso passar.
Nessa altura, as pessoas, muitas, mesmo muitas, viviam a festa destes dias.
Brincavam ao Carnaval, organizavam grupos e mascarcaravam-se tematicamente.
Nessa altura, havia, espalhadas pela cidade, festas particulares. Inúmeras festas de máscaras, onde nos divertíamos noite fora. E para os não convidados, havia sempre a hipótese de um assalto organizado. Imensos grupos de gente mascarada assaltavam festas e, imagine-se, eram bem recebidos. Sim, havia assaltos de Carnaval nas noites de sábado e segunda-feira. Quase se poderia dizer que festa que não fosse assaltada, não era festa. Coisa impensável nos dias de hoje, por falta de capacidade de divertimento e mais importante, por causa da insegurança que graça por aí.
E tantas outras coisas que se faziam por esse Portugal fora, próprias do nosso Carnaval, e que hoje quase só existem em poucos lugares meio esquecidos.
Mas também havia corso, mas à nossa moda, à moda Portuguesa.
Nessa altura, sabiamo-nos divertir. Nós fazíamos a festa. Inventávamos alegria. Gente de todas as idades brincava nestes três dias. Tinha de ser assim também, porque não tínhamos, como nos dias de agora, um ano inteiro de Carnaval, protagonizado pelos nossos dirigentes, o que convenhamos, cansa qualquer um!
Hoje, nós, como os nossos filhos, sobrinhos ou netos, só sabemos brincar parados, olhando para os brinquedos que brincam sozinhos.
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(In O Primeiro de Janeiro, 02-03-2009)
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JM
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