quarta-feira, 15 de abril de 2009

PSD E O PARLAMENTO EUROPEU II

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AS ESCOLHAS DA DRª MANUELA II
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Vá-se lá saber porquê, a senhora escolheu o sr Rangel. É o menino bonito da drª Manuela. Já o tinha escolhido para comandar os seus pares na Assembleia da República. A meu ver uma má escolha de então, ficou muito aquém do seu antecessor (não é que esteja a fazer um mau trabalho agora, mas o outro era bem melhor), e uma má escolha agora, pois terá uma derrota anunciada no confronto com Vital Moreira.
Eu gostaria de estar enganado, eu gostaria de, daqui a uns meses vir aqui, humildemente, falar do meu erro de apreciação, de vir dizer que afinal a escolha tinha sido boa, mas não me parece possível. O candidato, apesar de inteligente e de parecer ter boas ideias, não tem carisma.
O nome mais falado nestes dias, nem chegou a ser considerado pela chefe do partido, e pela primeira vez, a drª Manuela, teve uma reacção negativa de alguns dos seus segundos, muito embora, na apresentação do nome, tudo se tenha calado e ninguém fez ondas, ou ainda a senhora se zangava e não haveria lugares para os que os esperam.
Nada tenho contra o actual cabeça de lista do PSD. Realmente as suas últimas prestações têm sido razoáveis, tem vindo a melhorar, a argumentação tem melhorado, e tem vontade e capacidade, mas havia tantos outros nomes melhores e mais capazes para esta luta, que me parece mais um erro da drª. Mas mais à frente é que se vai ver.
Parece-me que só o partido do governo fica a ganhar com esta candidatura.

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(Também publicado no blogue AVENTAR, onde pode ler comentários)

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JM
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

VOMIÇÃO


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FREEPORTGATE
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Como se nada fosse, o povo Português assiste impávido e sereno à novela do caso Freeport.
Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se julga que se sabe, estamos a falar de suborno, de dinheiro que alguém pagou e outro(s) alguém recebeu para que se licenciasse uma obra que não o deveria ter sido.

Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se fala, estamos a falar de leis e de direitos que alguém, porque possivelmente recebeu dinheiro que não poderia nem deveria ter recebido (fala-se em quatro milhões de euros, pagos aos bocadinhos para não dar nas vistas), esqueceu e das quais fez tábua raza, para que outro alguém pudesse ganhar milhões de euros de mais valias e de lucros indevidos.

Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se diz à boca cheia, estamos a falar do envolvimento de um membro do governo, ministro à altura dos acontecimentos e Primeiro ministro na actualidade.

Ninguém sabe ao certo, porque ninguém nos diz, e também porque ninguém se acusa, se é verdadeiro esse envolvimento. Mas aos poucos vai-se adensando a nuvem que cobre este nosso governante, que cada vez mais se mostra revoltado com a situação. Mas o homem é perito em mudar o nome e as cores das coisas e das situações. E a história do menino pastor e do lobo, todos a conhecemos.

O que mais me confunde, é a passividade do povo do meu País. Noutra altura qualquer, ou com outro qualquer personagem, já os meus concidadãos tinham saído para a rua, exigindo saber a verdade, ou a demissão do governante enquanto não se apurasse tudo direitinho. Com este, nada se ouve. Com este tudo se cala. Com este tudo e todos se dobram. Que terá ele dado ao povo? Noutras circunstâncias e noutros contextos dir-se-ia que lhe tinha dado água de c. lavado.

Agora até já se fala na possibilidade de arquivamento do caso Freeport. Fala-se de pressões sobre os magistrados que estão com o caso. O presidente do sindicato dos magistrados do ministério público pede uma audiencia de urgência com o Presidente da República. Que poderá sair daí?

Todo este caso cheira mal, e a campanha dita negra, só o é se se revelar que tudo é uma mentira. Até lá não há campanha de cor alguma, seja ela branca, cinzenta ou negra.

Tudo isto é um espelho do nosso País.

Tudo isto me dá vomição.


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(Também no blogue AVENTAR.)


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JM

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domingo, 12 de abril de 2009

PSD E O PARLAMENTO EUROPEU

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AS ESCOLHAS DA D. MANUELA
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A Drª Manuela, prefere que o sr Rangel seja candidato ao Parlamento Europeu, em vez de sr Mendes. Será para se livrar do emplastro que é o líder parlamentar do PSD?
É que o homem é mesmo muito fraquinho, e então se o compararmos com o seu antecessor, é de uma falta de categoria enorme.

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(Também publicado no blogue AVENTAR, onde pode ler comentários.)

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JM
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sábado, 11 de abril de 2009

QUIQUE, EL MEJOR

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FLORES
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Está de vento em popa, a qualidade de jogo do Benfica. Mais uma vez perdeu, mas não por culpa própria. Desta vez, foi a arbitragem habilidosa que levou ao infortúnio. Claro que o jogar mal, não ajuda nada, e o jogar pior que o adversário também não. Mas, como é evidente, a culpa toda é do quarteto de arbitragem. Desta forma, o acesso à Liga dos Campeões do próximo ano, está seriamente comprometido. É uma vergonha, tanto alarde para tão pouco resultado.
E agora Quique, como vai ser. Ainda és o maior da tua terra?
Mais uma vez, temos quatro campeonatos, o do FCP, eterno primeiro, o dos três ou quatro seguintes, o dos que lutam para não descer e o do Benfica, campeão moral de todas as ligas mas que nada ganha.

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(Também publicado no blogue AVENTAR, onde pode ler comentários.)

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JM
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OS LIMITES

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DA DECÊNCIA E NÃO SÓ
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As acções de formação visam levar os funcionários a terem um atendimento perfeito, uma postura impecável e um aspecto que não fira quaisquer susceptibilidades.
Firmas há que optam pelo uso de traje de trabalho (farda), que em muitos casos é de um bom gosto tremendo.
As normas por que se rege qualquer firma, devem ser do conhecimento de todos os trabalhadores, ainda antes de começarem a trabalhar.
Devem ser dados aos trabalhadores, caso não exista traje obrigatório de trabalho, a liberdade e o discernimento para, em qualquer circunstância, tomarem a opção certa, dentro das normas impostas pela entidade patronal.
A partir daí, não devem restar dúvidas sobre o que é permitido ou proibido, de molde a que todos saibam das "linhas com que se cosem".
Apesar de, neste caso, parecer ser posta em causa a liberdade de cada um usar o que lhe der na real gana, é certo que infelizmente há cada vez mais pessoas que não sabem os limites a que se devem impor, para não ferirem as regras de bem estar num local de trabalho, ainda mais se for, como é o caso, de atendimento ao público.
Os aspectos de postura pessoal são muito importantes, assim, torna-se necessário descrever ao pormenor, o que para muitos é mais do que evidente, podendo assim provocar reacções adversas dos que, com menos formação para entenderem estes problemas de gestão, entendam não haver qualquer razão para colocar por escrito certos limites. Para além disso, estamos a falar de uma situação que se vive em Faro, numa das zonas de melhor clima do País, e que pode levar a uma mais que ligeira vontade de alguns, de misturar traje de trabalho com traje de passeio ou veraneio.
Sou assim levado a concordar com a atitude dos responsáveis pela Loja do Cidadão de Faro, e a não entender o porquê de esta situação ser considerada notícia.

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(Também publicado no Clube dos Pensadores, onde pode ler comentários)

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JM
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ONDE ESTÁ A NOTÍCIA?

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ASAE, ESSA ETERNA MÁ DA FITA
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Há alguns anos, o comércio tradicional conseguiu uma vitória sobre as grandes superfícies. Estas, abriam com horário alargado, incluindo ao Domingo e feriados todo o dia, o que não era permitido ao comércio tradicional, prejudicando as vendas deste, e assim, o legislador legislou no sentido de as grandes superfícies não abrirem aos domingos e feriados após as 13h excepto na altura do Natal. Ficou muito aquém do que se pretendia, mas foi um grande avanço na protecção aos pequenos.
Há, assim, uma lei que impede essa abertura durante grande parte do ano.
A ASAE, que entre outras coisas, tem que verificar a observância dessa lei, puniu doze dessas grandes superfícies porque estavam abertas após o horário que lhes foi imposto.
Que tem isso de anormal? Onde está a notícia? Quando a ASAE ou outra qualquer entidade que regule qualquer coisa, seja lá o que for, fiscaliza e pune um infractor, isso é notícia? Ou a falta de notícias provoca que este caso o seja? Ou ainda é preciso distrair o povo com notícias que o não são, para esconder as graves dificuldades por que passamos e que os nossos governantes não parecem ser capazes de resolver?
Vendo as reacções de muitas das pessoas que resolveram opinar sobre este assunto, parece-me que na sua maioria se estarão a esquecer do que em primeira mão, levou a que fosse proibído abrir ao domingo e feriados de tarde. Lá voltamos nós, os que porventura estiverem contra esta acção da ASAE e que não parecem saber do que estão a falar, a querer proteger os "grandes" em desfavor dos "pequenos".
Fez a ASAE muito bem, é o seu papel entre outros, em multar essas dozes grandes superfícies que não respeitaram a lei vigente.
O comércio tradicional precisa do apoio de todos nós, e não é com a abertura dos grandes centros, de novo, aos domingos e feriados de tarde, que isso se vai verificar. Também é verdade que só por si, esta proibição não resolve os problemas dos pequenos comerciantes, mas pelo menos não os agrava.
Deixemo-nos de falsos moralismos e permitamos que as leis se cumpram e se façam cumprir.

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(Também no blogue AVENTAR.)

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JM
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quinta-feira, 9 de abril de 2009

VOMIÇÃO

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FREEPORTGATE
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Como se nada fosse, o povo Português assiste impávido e sereno à novela do caso Freeport.
Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se julga que se sabe, estamos a falar de suborno, de dinheiro que alguém pagou e outro(s) alguém recebeu para que se licenciasse uma obra que não o deveria ter sido.
Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se fala, estamos a falar de leis e de direitos que alguém, porque possivelmente recebeu dinheiro que não poderia nem deveria ter recebido (fala-se em quatro milhões de euros, pagos aos bocadinhos para não dar nas vistas), esqueceu e das quais fez tábua raza, para que outro alguém pudesse ganhar milhões de euros de mais valias e de lucros indevidos.
Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se diz à boca cheia, estamos a falar do envolvimento de um membro do governo, ministro à altura dos acontecimentos e Primeiro ministro na actualidade.
Ninguém sabe ao certo, porque ninguém nos diz, e também porque ninguém se acusa, se é verdadeiro esse envolvimento. Mas aos poucos vai-se adensando a nuvem que cobre este nosso governante, que cada vez mais se mostra revoltado com a situação. Mas o homem é perito em mudar o nome e as cores das coisas e das situações. E a história do menino pastor e do lobo, todos a conhecemos.
O que mais me confunde, é a passividade do povo do meu País. Noutra altura qualquer, ou com outro qualquer personagem, já os meus concidadãos tinham saído para a rua, exigindo saber a verdade, ou a demissão do governante enquanto não se apurasse tudo direitinho. Com este, nada se ouve. Com este tudo se cala. Com este tudo e todos se dobram. Que terá ele dado ao povo? Noutras circunstâncias e noutros contextos dir-se-ia que lhe tinha dado água de c. lavado.
Agora até já se fala na possibilidade de arquivamento do caso Freeport. Fala-se de pressões sobre os magistrados que estão com o caso. O presidente do sindicato dos magistrados do ministério público pede uma audiencia de urgência com o Presidente da República. Que poderá sair daí?
Todo este caso cheira mal, e a campanha dita negra, só o é se se revelar que tudo é uma mentira. Até lá não há campanha de cor alguma, seja ela branca, cinzenta ou negra.
Tudo isto é um espelho do nosso País.
Tudo isto me dá vomição.

(In O Primeiro de Janeiro, 09-04-2009)
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(Também no blogue Clube dos Pensadores.)

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JM
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quarta-feira, 8 de abril de 2009

PENSAMENTOS REACCIONÁRIOS VI

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O DESGOSTO DE ALGUNS, A ALEGRIA DE MUITOS

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ABSOLVIÇÃO
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Era uma vez um envelope, uma ressabiada, muitos invejosos, um de muitos processos, um jogo de futebol, advogados, testemunhas, muitos jornais e televisões, um tribunal e uma juíza.

Era também uma vez, o desejo de acabar com a carreira e a credibilidade de um homem, outros dois apanhados no meio desse desejo, vinganças pessoais e clubísticas, a falta de credibilidade da principal testemunha, a voragem de quem se serviu dela, um livro mal escrito, um crime de corrupção activa desportiva e outro de corrupção passiva, declarações bombásticas, primeiras páginas de jornais, aberturas de noticiários televisivos, escutas telefónicas e muito empenho de gente escondida por trás da escritora.
A meritíssima juíza ouviu, pensou, estudou, não encontrou culpa delito ou crime e declarou a absolvição, de todas as acusações, dos acusados.

Tudo seria normal se o Ministério Público, que perdeu, não fosse obrigado a recorrer da sentença para não perder a face, e não tenhamos (em especial e principalmente os acusados e absolvidos) de ser sujeitos de novo ao recomeço disto tudo. E mais dinheiro deitado fora, e tempo perdido, para se apurar o que já está mais que apurado e esclarecido.

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A LEVANTAR O DINHEIRO

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BPN PREOCUPADO
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A administração do BPN está preocupada. Pelos vistos, os clientes nada depositam e só levantam o dinheiro que ainda lá têm. Está tudo aflitinho da vida, os levantamentos já vão em centenas de milhares de euros. Falta pouco para que a liquidez do banco seja nula.
Só não entendo porque estão estes senhores admirados. Se o dinheiro fosse deles e se soubesse o que se sabe sobre o banco, será que eles continuariam a arriscar, e depositavam mais dinheiro lá? Ou, ao contrário, iam sorrateiramente levantando o que fossem podendo, enquanto podiam? É que as pessoas não são parvas e sabem que mais dia menos dia aquilo acaba, mesmo que supervisionado pela Caixa. Assim como assim, o melhor é tirá-lo de lá, e esperar para ver.

Eu não tenho, mas se tivesse já o tinha debaixo do colchão, à moda antiga. è mais seguro nos dias que correm.

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NOVO MOLHE NA FOZ DO DOURO

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O MOLHE NORTE DA FOZ DO RIO DOURO
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Junto à praia das Pastoras, esteve uma escultura de José Rodrigues, evocativa de Ferreira de Castro. Durante as obras do molhe norte da foz do rio Douro, foi retirada do seu lugar. Ao que parece, esteve a ser restaurada e vai, dentro de algum tempo, espera-se que muito curto, ser reposta no local.

Vem isto a propósito da minha ida, ontem de manhã ao novo farol da barra do Douro.
Logo na entrada uma tristeza, um jardim bonito, inaugurado há poucos dias e já com plantas a morrer de sede, e algumas mesmo mortas. Não deveria ser assim.
Percorri-o (ao molhe) depois, de uma ponta a outra e gostei da obra e da vista da minha cidade, olhada lá da ponta. Lamentavelmente ainda não se pode percorrer o túnel até ao farol. O mar chão e a maré baixa, acompanhados pelo sol e temperatura muito agradável, ajudaram ao encanto. Muitas pessoas, como eu, passeavam, outras pescavam, outras, poucas, também como eu, fotografavam. Algumas crianças corriam e brincavam. Alguns, comiam e outros fumavam. O chão estava inundado de beatas e papeis, e toda a espécie de pequenos detritos. Nem um único local para os deitar, que impedisse aquele espectáculo. Os fumadores deitavam as periscas para o chão, o mesmo faziam os miúdos aos papéis que embalavam os gelados e a sandes. Os pescadores ainda eram os mais asseados, guardando as suas coisas em sacos plásticos.

Algum tempo depois, o mar foi subindo, as ondas começaram a galgar levemente o molhe, e foram lavando a porcaria lá deixada.

Se calhar é assim que deve ser, o mar tudo lavará e tudo levará consigo, mais cedo ou mais tarde. Porquê incomodarmo-nos com estes pormenores?, pensarão os responsáveis do IPTM ou os da APDL.

Mas para mim, não custava nada tratar das plantas, e colocar umas papeleiras próprias para o local, de onde a onde.

À atenção de quem de direito!

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COELHONE, MAIS UMA CAMPANHA DE COR ESCURA?

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COELHONE AO ATAQUE
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Parece impossível, mas um dos aparentemente grandes defensores deste nosso Primeiro, veio a terreiro dizer que a Mota-Engil sofre pressões do governo e não só, para terminar as obras em curso, a tempo das eleições.

Parece vir aí mais uma campanha de cores pouco claras, contra o nosso Primeiro.
Será que o sr Jorge Coelho está na corrida para substituir o sr Pinto de Sousa, ou para apadrinhar alguém para o fazer?

Até que a ideia me soa engraçada, e gostaria muito de a ver posta em prática, sendo que para mim, o sr Coelho é um homem mais sério em termos políticos que o seu possível futuro opositor.

Esperemos as cenas dos próximos capítulos.

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VITÓRIA SEM ENCANTO

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POBRE SELECÇÃO
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Como provavelmente não teremos hipótese de ir à África do Sul, a selecção deste país, veio até à Suíça para nos receber. Foi simpático da parte deles!
Como até parece que só conseguimos ganhar nos jogos a feijões, lá marcámos dois golos de modo a podermos vencer esta equipa, fraquinha, sendo que um dos golos, o segundo, foi uma oferta do seleccionado sul-africano, que na segunda parte, e ao verem que já nada conseguíamos fazer, e o sr Queiroz ainda continuaria a não poder cortar as barbas, que diga-se de passagem até nem lhe ficam mal, o ofertaram. A simpatia destes jogadores foi por demais evidente. Os homens africanos são uns tipos bestiais.
Agora vamos a trabalhar, para que daqui a três anos possamos ser apurados para alguma coisita, embora, como é óbvio, já nada parece que possamos fazer quanto a este apuramento.

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INCONSCIENTEMENTE

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ISALTINO I, O CONSCIENTEMENTE INCONSCIENTE
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E assim, lá vamos tendo uns autarcas esquecidos, como o outro político que nem se lembra de sair de conselheiro, que guarda uns troquitos, de sobras de dinheiro que lhe deram para as campanhas políticas, numa pequena conta na Suíça. Coisa de somenos importância, de tal maneira que se esqueceu de a mencionar nas suas declarações.
Justifica o injustificável com justificações inconscientes que nos querem fazer passar por parvos. O problema é que somos realmente parvos, e na próxima oportunidade, lá votaremos em senhores deste quilate. Seja porque gostamos dele, seja porque nos oferece um qualquer electrodoméstico.

A não ser que eu esteja a ver mal o problema e na realidade assim é que está bem!
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BRAWN GP QUASE SEM SURPRESA

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BUTTON E BARRICHELLO, OS MELHORES NA AUSTRÁLIA
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A antiga Honda veio para ganhar com os motores da Mercedes, depois de poder fazer aos motores o que a Maclaren, a Renault e a Williams podem. Há 55 anos que uma estreante não fazia uma dobradinha. Para quem não acreditava, cá estão os Brawn para dar cartas e relegar os outros para lugares secundários.

A Toyota, 3º e 5º lugares, também mostraram que se a deixarem como agora já deixam, é tão boa ou melhor que as outras.

O campeão ficou em 4º, a quase 3" de Button.

Aos poucos, pode ser que a crise, volte a fazer com que a F1 tenha piada e mereça ser vista. Só falta a transmissão voltar a ser em canal aberto.

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PAÍS DE ILEGALIDADES

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TANTA GENTE, TANTA!
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A PSP, meteu-se à estrada e depois de identificar mais de 2000 pessoas, prendeu 350. Quase 20% das pessoas que foram mandadas parar, ou estavam com álcool a mais no sangue, ou transportavam droga, ou tinham armas proibidas, ou estavam em veículos roubados ou em transgressões várias que implicavam a prisão.

É gente a mais, percentualmente. É quase como dizer que pelo menos 2 milhões de Portugueses pertencem a este grupo. Em cada cinco pessoas, uma é provavelmente um meliante. Vou pela rua, ou nos transportes públicos e tenho de, constantemente olhar por cima do ombro e ter a mão tal qual Napoleão.

Que País este em que vivo e que muito amo! A que ponto o deixaram chegar.
Os crimes aumentam dia a dia, em especial os violentos. As instituições que durante sempre, nos habituamos a ver como fidedignas e garante da honestidade, são afinal um antro de ilegalidades e um covil de gatunos. Os governos que deveriam cuidar de nós e ter como principal objectivo o bem estar dos Portugueses, só nos desgovernam, e só olham para os seus interesses pessoais (dos ministros que os compõem). Vivemos num estado de não direito.

Saúda-se por isso a actuação da PSP. Lamenta-se que apesar de avisados, ainda haja 20% dos identificados que não tenham conseguido fugir. Quantos mais seriam?

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QUEM SEMEIA VENTOS

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COLHE TEMPESTADES
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O sr Pinto de Sousa, foi à ópera ao CCB e chegou atrasado, por culpa do Primeiro de Cabo-Verde.
Mas não é por culpa do sr José Maria das Neves que o nosso Primeiro anda a ser perseguido por toda a gente. A campanha cinzenta ou até mesmo negra de que tem sido alvo, acrescida dos muitos tiros nos pés que os seus ministros lhe têm dado, e ainda, todas as coisas más que o governo tem feito em desfavor do povo Português, traduzem-se no final em muitas tristezas.

Ontem foi vaiado, ainda por cima acompanhado da namorada-consorte! Imagino o desespero e a cara envergonhada (ou talvez não que o homem tem atrevimento que chegue) com que olhava o seu homólogo Cabo-verdiano. Escondido no camarote VIP, e durante os largos momentos que durou a vaia, o nosso Primeiro recompôs a cara, e colou-lhe a habitual máscara de alheamento, arrogância, e gozo, com que habitualmente nos brinda, e mostrou-se sorridentemente amarelado ao povo que o vaiava.

Felizmente os assistentes estavam ali para ver e ouvir a ópera "Crioulo, uma ópera cabo-verdiana" e pouco depois ignoraram o sr Sócrates.

Esta vaia, demonstra bem o ditado "quem semeia ventos, colhe tempestades".


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(In O Primeiro de Janeiro, 08-04-2009)

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JM

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terça-feira, 7 de abril de 2009

RAIOS PARTAM OS MEDICAMENTOS

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A MANIA DAS GRANDEZAS
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Isto das farmácias se quererem sobrepor aos médicos não pode acontecer. Os senhores doutores médicos é que sabem se o medicamento que receitam pode ou não pode ser substiuído por outro. Esta coisa de se querer beneficiar os doentes arranjando medicamentos mais baratos não beneficia ninguém, nem médicos, nem farmácias nem doentes.
A maior parte das vezes os chamados genéricos não prestam para nada, e assim os doentes não melhoram. Se não melhoram têm de comprar outros que lhes tragam saúde. Desta forma os doentes são prejudicados na sua saúde e na sua bolsa.
A maior parte das vezes os medicamentos chamados genéricos são mais baratos, logo o lucro das farmácias é menor. As boticas são assim prejudicadas nas suas receitas.
A maior parte das vezes os chamados genéricos, se não forem receitados pelo médico e não surtirem o efeito desejado, a culpa é sempre do clínico que os não receitou mas aceitou a troca, e assim fica perante o doente numa posição fragilizada. Os médicos são desta forma prejudicados pelos efeitos menos bons do remédio.
Em todo este contexto, as farmácias surgem como más da fita ao quererem que os doentes paguem menos por um medicamento que o governo se farta de nos dizer que é igualzinho aos de marca. As farmácias não têm esse direito. Como não o têm de prejudicar as farmacêuticas. E aqui é que a "porca torce o rabo".
interesses instalados! Das farmacêuticas e dos médicos que em muitos dos casos poderiam facilmente receitar um medicamento genérico, mas não podem "à cause des congrés", e de outras coisas de que se fala.
Por causa de todos os interesses instalados, logo saltaram abespinhados os médicos e agora o governo, que, para salvaguardar, não os interesses dos cidadãos, mas outros, porventura escusos, já fez saber que se o doente aceitar trocar o medicamento receitado pelo médico, por outro genérico, sem o consentimento prévio do clínico, esses medicamentos não serão comparticipados pelo estado. Só podemos ter medicamentos de marca, apesar do governo dizer que quer aumentar o número de genéricos receitados e vendidos. A mania das grandezas, misturada com mentiras surdas.
Abençoado País que tal governo, amigo dos governados (alguns deles), tem!
Carago (como se diz aqui na minha terra), e não há forma de os pôrmos daqui para fora?

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JM
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A CAÇA AO DESGRAÇADO

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DGI MUITO ACTIVA CONTRA OS PEQUENOS
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A DGI anda muito activa. Em pouco mais de um mês enviou milhares (mais de seis mil) de notificações a gestores, para pagar o que as firmas que geriram, e que falindo não têm bens para o fazer, devem ao fisco.
Este é um caso extraordinário, para usar um termo caro ao nosso Primeiro. As firmas que têm uma responsabilidade limitada à empresa, por isso são "..., lda.", l.i.m.i.t.a.d.a, deixaram de o ser e agora os zelosos fiscais, vão buscar a casa dos gestores ou gerentes dessas empresas, micro e médias, o dinheiro das dívidas da empresa (coimas fiscais), o que nunca deveriam poder fazer.
O gerente ou gestor, já não tem direito a subsídio de desemprego, aquando do terminus da actividade da empresa, apesar de descontar para isso. Dizem que desconta menos um por cento e por isso já não tem direito a nada. Mas descontam practicamente como qualquer outro trabalhador.
Estas coisas só acontecem porque esses gestores e gerentes não são muito ricos e não têm influência, nem capacidade de subornar, influenciar, contornar, contestar ou negociar. Muitos não passavam de meros empregados sem muito poder de decisão (às vezes em nenhum) e muitas vezes com ordenados em atraso, porque senão, se tivessem essas capacidades ou esse dinheiro e poder, acontecia-lhes o mesmo que está a acontecer às instituições bancárias que viram o IVA perdoado em cerca de quatro milhões de euros, por "falta de meios" do fisco.
Que fazem as associações de comerciantes pelos seus associados? Como os defendem neste caso? Não os vejo a fazer seja o que for que tenha cabeça, tronco e membros.
Depois admiram-se que os ditos gestores, aflitos, tentem vender o pouco que têm para que esse bem não seja penhorado.
Este é o saque a que temos direito com o governo que nos (des)governa. O que o estado quer é cobrar multas, taxas e impostos, seja de que maneira for.
Desta forma, da forma que o governo impôe, isto está a ir longe de mais.
Temos de os fazer parar, à boa maneira do nosso Primeiro: seja de que maneira for!

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JM
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ERROS -

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COISAS NOSSAS
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Vital Moreira, Mário Soares, Ana Gomes, três nomes com ideias erradas. E agora também Manuel Alegre e Paulo Pedroso. De qualquer forma, já é normal que Mário Soares tenha gaffes dessas, e Ana Gomes vai-lhe no encalço, Manuel Alegre já é costume estar contra a direcção do partido e Paulo Pedroso precisa de se afirmar, nem que seja pela negativa. Quanto a Vital Moreira, vai ser notório o erro que o PS cometeu em o nomear para cabeça de lista às europeias. O homem, mais um vira-casacas oportunista a gravitar neste partido, veio com as ideias que sempre teve e não as vai mudar.
Qualquer um deles, destas três cabeças pensadoras, entende que Durão Barroso não deve ser o candidato socialista à Presidência Europeia, numa tentativa de tornar a candidatura de Durão numa arma de arremesso político, e em mais uma lutazinha PS/PSD.
Nada mais errado, o partido que lhes dá guarida, já tornou oficial que o actual Presidente é o próximo candidato socialista.
E agora, meus senhores e minha senhora, como vai ser?


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JM
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VEIO POR CORREIO ELECTRÓNICO

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BY MAIL
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Um dia, Deus, muito insatisfeito com a humanidade e os seus pecados, decidiu pôr fim em tudo.

Deus reuniu então todos os líderes mundiais para comunicar-lhes > pessoalmente a sua decisão de acabar
com a humanidade em 24 horas.

Deus disse: " Reuni-vos aqui para comunicar que extinguirei a humanidade em 24 horas".

E o povo dizia: "Mas, Senhor..."

Nada de MAS , este é o limite, a humanidade vai abandonar a Terra para todo o sempre!

Portanto, voltem aos respectivos Países e digam ao Povo que estejam preparados. Têm 24 horas!

O primeiro a reunir o povo foi Obama.
Em Washington DC, através de uma mensagem à nação, Obama disse:
"Americanos, eu tenho uma boa notícia e uma má notícia para dar.
" A boa notícia é que Deus existe e que ele falou comigo. Mas, claro, já sabemos disso.
A má notícia é que esta grande Nação, o nosso grande Sonho, só tem 24 horas de existência.
Este é o desejo de Deus".


Raul Castro reuniu todos os cubanos e disse:
" Camaradas, povo Cubano, tenho duas más notícias.
A primeira é que Deus existe... sim, eu vi-o, estava mesmo à minha frente!!!
Estive enganado este tempo todo...
A segunda má notícia é que em 24 horas esta magnífica Revolução pela
qual tanto temos lutado, vai deixar de existir."


Finalmente, em Portugal, José Sócrates dá uma conferência de imprensa:
"Portugueses, hoje é um dia muito especial para todos nós. Tenho duas boas notícias.
A primeira boa notícia é que eu sou um enviado de Deus, um mensageiro, porque conversei com
ele pessoalmente.
A segunda boa notícia é que, conforme constava do Programa do Governo e apenas em 24 horas ,
serão Erradicados para sempre o desemprego, o analfabetismo, o tráfico de drogas,a corrupção,
a pedofilia, os problemas de transporte, água e luz, habitação, nada de burocracia, e o mais
espectacular de tudo: O IVA vai acabar assim como a miséria e a pobreza neste País!!
O Governo cumpriu tudo o que prometeu!!!"

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segunda-feira, 6 de abril de 2009

VAMOS ESPERAR QUE NOS PEÇAM

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SISMO EM ITÁLIA, UMA DESGRAÇA
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O sismo em Itália, 6,3 na escala de Richter, com mais de duzentas réplicas, já fez mais de 150 mortos. Desaparecidos e desalojados (mais de 50 000) são imensos. 15000 edifícios foram declarados inabitáveis, bem assim como igrejas e termas romanas.
Por via disso, a nossa Protecção Civil, já informou que em quatro horas manda ajuda. Estamos preparados para ajudar, com todo o nosso potencial, com todo o nosso saber, com toda a nossa vontade. Temos à disposição imediata, um Módulo de Busca e Salvamento, composto por 49 profissionais de vários ramos, desde os Sapadores Bombeiros até aos Bombeiros voluntários e à Polícia de Segurança Pública, podendo ainda enviar ajuda médica e avaliação de estruturas ... se se justificar e se nos pedirem apoio, e ainda dependendo da disponibilidade de transporte!
É preciso pedir? Não se sabe que eles precisam? Quanto mais meios melhor? É uma oferta do género, se precisares de mim não me chateies?
Bem, com amigos assim, eu não pedia. É capaz de haver por aí quem se meta a caminho e só depois pergunte se é preciso.
Abençoada Protecção Civil. Quem tem uma assim, tem tudo!

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JM
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FABULOSO

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LOUIS ARMSTRONG - DANNY KAYE

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POR FAVOR NÃO DEIXE DE OUVIR E VER
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TUDO PODRE, VELHO E INCAPAZ

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IN(QUALQUER COISA)
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Meteram a mão no meu bolso, uma vez mais!
Mais uma do nosso Fisco. Desta vez deixaram prescrever quase quatro milhões de euros de IVA respeitantes ao exercício de 2004. A banca, beneficiária, agradece. Só o BCP, deixou de ter de pagar 2,2 milhões de euros.
Claro que não podemos falar de corrupção. Claro que não houve ninguém que se tenha abotoado a muito dinheirinho, nosso, para que isto acontecesse. Claro que foi só uma pequena anomalia, que pode acontecer a qualquer um e é de somenos importância.
No Fisco, coitadinhos, dizem que têm falta de meios, por isso este acontecimento. Claro que se fosse eu que não pagasse um mísero cêntimo, não haveria falta de meios para tratar do meu assunto, e teria tido, atempadamente, uma penhora a um qualquer bem, fosse ele uma sanita ou um quadro valioso ou até o automóvel da família.
Fisco, magnânimo com os poderosos, intransigente com o povo.
Será que a culpa, como é hábito nestes casos da função pública vai morrer mais uma vez solteira? Quem vai ser admoestado? O escriturário de quem ninguém gosta e que até nem faz falta alguma? Não serão estes os verdadeiro casos de corrupção, que não vão a tribunal porque não foi ninguém?
Mais uma vez, a mansidão do povo de Portugal, se vai fazer notar, ao não castigar devidamente, nas urnas que não há outro lugar, a gente que nos governa.
Pela minha parte, castigo de certeza.
Estou tão cansado desta gente toda!

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JM
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MANCHESTER - PORTO

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O JOGO QUE AÍ VEM
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O sr Ferguson anda aflito. Já dispara para todo o lado, não olhando na direcção, no intuito de pressionar a arbitragem. a confiança na equipa não parece a maior.
Considera que nos jogos que teve com o FCPorto foi roubado. Não poupa nas palavras e pode ter de se calar depois por falar de mais. Para já, vai desvalorizando o Porto, depois se verá.
De qualquer forma, vai sair do Manchester e essa saída pode ser a porta de entrada para Mourinho.
Mas entretanto o jogo é já terça-feira e não tenho dúvidas sobre a vitória do meu Porto.

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JM
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ALIENAÇÕES

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FUTEBOL, A VIDA DO DIA A DIA
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Acho o futebol um desporto engraçado. Não que alguma vez o tenha jogado, pois que para tal prática era uma perfeita nulidade, mas gostava de ver. Na altura, já lá vão muitos anos, era eu sócio do F C Paços de Ferreira com o nº 2022, nunca me esqueci do número, ia com o criado (empregado para todo o serviço) de meu avô paterno, ou com um tio ou ainda com um primo do lado materno, ver a bola, no campo do Paços e uma ou outra vez no campo do Freamunde. O que mais me interessava era o espectáculo à volta das linhas brancas. O que os vinte e dois homens de cuecas, onze de cada lado com camisolas diferentes conforme os lados, e os três senhores de preto (na altura estavam sempre de preto) faziam, correndo atrás de uma bola, não era muito do meu interesse. Mas o que os acompanhantes, os adeptos, os simpatizantes de cada uma das equipas em confronto estavam a fazer ou dizer, tinha toda a minha atenção. Eram umas centenas de almas agritar a plenos pulmões, insultos, desabafos, incentivos e o mais que fosse, para dentro do campo. Às vezes também para fora do campo, para os outros, para os da outra equipa, para os inimigos. Os jogos mais interessantes eram os que punham frente a frente o Paços (de que eu era adepto e sócio por causa da minha família paterna) e o Freamunde (de que eu era adepto, embora não sócio, por causa da minha família materna). Em todos os jogos a que assisti, havia num dado momento pancadaria. Os de Paços e os de Freamunde, vilas que distavam entre si cerca de três quilómetros, eram inimigos figadais. Essa inimizade alastrava-se para fora do campo de futebol chegando ao cúmulo de um jovem de uma das vilas não poder casar com uma jovem da outra. No caso de meus pais, isso não aconteceu, a proíbição, pois que minha mãe, apesar de ter toda a família a viver em Freamunde, tinha nascido no Porto. Sorte a deles, que assim puderam ser felizes.
Mas voltando ao jogo, na verdade os encontros entre as duas equipas, eram sempre acompanhados de encontros físicos entre os adeptos e muitas vezes também entre os jogadores.
Naquele tempo, não havia claques, os adeptos não estavam separados, não havia bancadas, à volta do campo só havia uns quantos metros de terra batida, de um dos lados com alguma inclinação. Por todo o lado havia gente. Alguns, empoleirados nos postes ou no muro que circundava o campo, ou em cima das cabines dos jogadores ou dos árbitros ou ainda em cima de uma cabine existente num dos lados e perto da porta de entrada e que eu supunha ser de electricidade.
Quando a pancadaria começava, fosse qual fosse o motivo, uma falta mal assinalada, uma rasteira de um jogador a outro, ou simplesmente porque sim, ninguém sabia quem era quem. Pelo menos eu não sabia. De imediato, a pessoa que me acompanhava, fosse o sr Aurélio, ou o meu tio ou um qualquer primo, empurravam-me para um canto, de maneira a que eu estivesse protegido das arremetidas dos populares. Numa das vezes, em que essa acção foi menos lesta, ouvi de repente uma voz a meu lado, "Paços ou Freamunde?". Bloqueei sem saber que responder. Fosse qual fosse a resposta, poderia ter como prémio um murro. Salvou-me o meu tio, que me arrastou de imediato para o lado. Por todo o lado estava espalhada uma batalha campal. Já não me lembro de como saímos do campo, mas sei que essa terá sido uma das últimas vezes em que fui ver um Paços-Freamunde, já que a minha avó teve conhecimento do caso e proibiu terminantemente fosse quem fosse de me levar, ordem que foi ainda algumas vezes desrespeitada.
Desde essa época para cá, as coisas não mudaram muito no mundo do futebol. A rivalidade continua, os adeptos da outra equipa são inimigos, os árbitros erram e são insultados, os jogadores são incentivados, e de vez em quando, em quase todos os jogos de equipas rivais, há assistentes que medem forças uns com os outros. Hoje como antes, acarinham-se os que cometeram os erros que nos são favoráveis e invectiva-se quem praticou os que nos prejudicaram. Hoje, como antes, as ameaças aos árbitros e aos dirigentes, incluem as de morte.
Uma coisa mudou, para mim a mais importante. Os jogadores já não são da equipa A ou B. Já não são adeptos da equipa em que jogam. Já não vestem a camisola do clube com amor e entrega total. Os jogadores são uns meros empregados, contratados a peso de ouro, que ora estão nesta equipa, ora estão no seu rival mais directo, desde que o vencimento mensal ou de prémios seja aliciante. O dinheiro tomou conta do futebol, como aliás tomou conta de toda a nossa existência. Os jogadores são tratados como mercadoria. O que interessa são os milhões. O futebol profissional, aquele de que toda a gente fala, aquele sobre o qual toda a gente lê, aquele que move multidões, já não é um desporto, é uma profissão. Os jogadores, os treinadores e outros agentes do futebol, ganham quantidades de dinheiro estupidamente altas, absurdamente elevadas, que são uma afronta à fome, ao desemprego, às dificuldades que o comum dos mortais vive diariamente. São uma afronta a todos nós, e mesmo assim, esta indústria, move multidões, que paga bilhetes a preços exorbitantes, quotas elevadas, lê avidamente os jornais que diariamente falam de futebol, ouvem atentamente todos os programas de rádio e de televisão sobre futebol, como se nada mais no nosso quotidiano interessasse. Quantos, para pagar o bilhete que para além das quotas mensais têm de comprar para assistir aos jogos, não deixam mulher e filhos em casa, sem apoio económico.
Hoje, como antes, o futebol aliena as mentes, desde as dos mais sábios às dos mais tacanhos, desde as dos mais educados, às dos mais burgessos.
Hoje, como antes, convém aos governantes, de uma ponta a outra do espectro político, que o futebol, a par de outras alienações religiosas ou políticas, seja parte integrante das nossas vidas.
Não convém muito, que a população pense pela sua cabeça. Interessa levá-la a pensar o que o objecto da sua alienação lhe diz para pensar. Se as pessoas pensarem sozinhas, pode surgir daí uma qualquer ideia disparatada, como por exemplo, entenderem que estão a ser mal governadas.
Hoje já só vejo futebol, pela televisão, e desde que o meu clube jogue. Como qualquer adepto, o meu clube é o maior.

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(In O Primeiro de Janeiro, 06-04-2009)

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JM
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domingo, 5 de abril de 2009

FUTEBOL

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PORTO, SPORTING, BENFICA
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Os três "grandes", como se os outros fossem pequenos, ganharam os seu jogos desta jornada. Nada de espantar, já que se chamam de grandes.
Num dos jogos, o vencedor ganhou por dois penaltis a um. Isto já é de espantar um bocadinho, já que não é nada normal haver três coisas destas num só jogo.
Num dos outros jogos, só houve um golo, mas não foi de grande penalidade, foi mesmo de bola corrida e de pé esquerdo, embora os que perderam achem que deveria ter havido um (penalti) a favor deles.
No terceiro dos três jogos, o que primeiro se realizou, a vitória bafejou o que mais marcou, três golos contra um. Também sem penaltis, e sem haver seja quem for que entenda que devesse ter havido.
Assim, os três grandes mantêm a distância entre si, igual à que tinham antes. Um continua primeirinho, sem ninguém o incomodar e pelos vistos sem ajudas, e os outros, com ou sem a ajuda de grandes penalidades, continuam a sonhar com uma escorregadela do primeiro.
Quanto a penaltis, parece que o primeiro dos três do jogo que os teve, sobre o senhor Nuno, pode vir a dar uma sanção qualquer. Coisas sumaríssimas!

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JM
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METRO BOAVISTA / CAMPO ALEGRE

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POLÉMICAS E MAIS POLÉMICAS
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Na polémica que por aí andou, e hoje está um pouco adormecida, sobre as linhas de Metro que o Porto deveria ter, e sobre a escolha entre a linha da Boavista e a do Campo Alegre, não sou a favor de uma em detrimento da outra. Antes sou a favor das duas. Qualquer uma delas tem os seus defeitos e as suas virtudes. Qualquer uma delas é necessária à zona que atravessa. Uma não tira utentes à outra. Fazem parte de uma (mais uma) guerra entre a Câmara da cidade e o governo da República.
A polémica mais recente prende-se com o projecto que a Empresa do Metro apresentou para a linha do Campo Alegre. As críticas aparecem de todo o lado. Vozes de ilustres da cidade, levantam-se contra a proposta. A população está desta vez totalmente ao lado dos notáveis. As vozes de uns e de outros levantaram-se já no Auditório da Universidade Católica, cheio de gente a contestar o projecto. A hipótese de um abaixo-assinado para exigir que o projecto seja diferente, é mais que certa.
A proposta, apelidada por muitos de aberração, aborto urbanístico, atentado e absurdo, passa pelo enterramento da linha a partir de Lordelo, deixando à superfície a parte ocidental da linha.
Ora é nessa parte, na deixada à superfície que as opiniões se não dividem. Tem de ser enterrada!
Os custos da implementação da linha "por cima", são enormes, atrofiando toda a zona envolvente, e destruindo toda uma área privilegiada.
Não se compreende muito bem, a não ser por motivos maquiavélicos de carácter político, que tal proposta tenha sido apresentada e muito menos que não seja modificada.
É evidente, para mim, que o Presidente da Câmara vai contestar este projecto, que a não ser mudado, irá provocar mais uma guerra do género da do túnel de Ceuta, com a razão do lado da edilidade e a tentativa de aproveitamento político do lado do governo.
Esperemos pelos desenvolvimentos de mais um caso que ainda se vai arrastar por muito tempo.

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JM
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sábado, 4 de abril de 2009

F1 A MUDAR?

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GP da MALÁSIA
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Algo está a mudar na F1.
A BRAUN GP tem a segunda pole em duas corridas, por intermédio de Button. O primeiro dos habituais surge em nono (Raikkonen - Ferrari). E o campeão do mundo só aparece em décimo terceiro. Nos primeiros há também a Toyota, a Red Bull, a Williams e a Sauber.
Claro que são só os treinos conometrados, a corrida é só amanhã às dez, mas....
Já começo a gostar de novo.


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JM
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sexta-feira, 3 de abril de 2009

O DESGOSTO DE ALGUNS, A ALEGRIA DE MUITOS

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ABSOLVIÇÃO
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Era uma vez um envelope, uma ressabiada, muitos invejosos, um de muitos processos, um jogo de futebol, advogados, testemunhas, muitos jornais e televisões, um tribunal e uma juíza.
Era também uma vez, o desejo de acabar com a carreira e a credibilidade de um homem, outros dois apanhados no meio desse desejo, vinganças pessoais e clubísticas, a falta de credibilidade da principal testemunha, a voragem de quem se serviu dela, um livro mal escrito, um crime de corrupção activa desportiva e outro de corrupção passiva, declarações bombásticas, primeiras páginas de jornais, aberturas de noticiários televisivos, escutas telefónicas e muito empenho de gente escondida por trás da escritora.
A meritíssima juíza ouviu, pensou, estudou, não encontrou culpa delito ou crime e declarou a absolvição, de todas as acusações, dos acusados.
Tudo seria normal se o Ministério Público, que perdeu, não fosse obrigado a recorrer da sentença para não perder a face, e não tenhamos (em especial e principalmente os acusados e absolvidos) de ser sujeitos de novo ao recomeço disto tudo. E mais dinheiro deitado fora, e tempo perdido, para se apurar o que já está mais que apurado e esclarecido.

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(Também no Clube dos Pensadores.)

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JM
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quinta-feira, 2 de abril de 2009

PENSAMENTOS REACCIONÁRIOS IV


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PROTESTOS NO PORTO

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QUEIMADA VERDE

Os precários vão protestar. Têm todo o direito de o fazer.

São quase um milhão, vinte por cento da população activa, que trabalha precariamente, recebendo vencimento a troco de "recibos verdes", com poucos ou nenhuns direitos. Não têm protecção social, não têm protecção na doença, e não têm subsídio de desemprego.
Têm tão-somente uns recibos de cor verde, que muita falta lhes fazem, mas que vão queimar.
Para receberem o vencimento a que terão direito, necessitam dos tais papelinhos.
Mas vão queimá-los.

Será que os organizadores deste protesto pensam em fingir que os queimam?

Será melhor, ou as despesas com a aquisição de novos módulos será grande e pode até acontecer que, caso se queimem muitos, se esgotem nas repartições de finanças. Quem vai nessa altura, no caso de não haver recibos à venda, no final do mês, arranjar novos recibos para que os trabalhadores recebam o que têm a receber?

Deverão os trabalhadores nestas condições, queimar o que lhes pode fazer falta daqui a uns dias?

Seria de pensar um pouco mais nesta solução, e eventualmente enveredar por outro tipo de protesto, menos oneroso para as pessoas envolvidas.

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O PRESTIDIGITADOR

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MAIS UMA CARTOLADA

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O nosso Primeiro é um prestidigitador de estalo. Mais uma cartolada para a campanha eleitoral. Desta feita, são as famílias que têm desempregados as beneficiárias. Se estiverem a pagar casa, pagarão metade do que pagavam. A cartolada, no fim deu para o torto, já que a medida mais não foi que uma mistificação. Afinal os desempregados não deixam de pagar metade da sua prestação ao banco, antes adiam esta parte, para que de aqui a um ano e pouco tenham de a pagar juntamente com a outra mensal que normalmente pagam. Isto sim é que são medidas amigas das pessoas. Grande governo que nos (dês)governa.

Foi ainda anunciado a criação de um provedor de crédito (que vai ser mais um cargo que não vai servir para nada a não ser para mais um "job for the boy"), e ajudas extra para estudantes cujos pais estejam no estrangeiro.

Onde será que este governo arranja tanto dinheiro?

Não pára este nosso Primeiro. O governo dá, e dá, e dá. E ás vezes, como a do pagamento das casas ao banco, finge que dá, tirando. Nem o coelhinho das pilhas dá tanto e tira tanto,e mais que seja, durante tanto tempo.

E não vai ficar por aqui, vocês vão ver!

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MAR “FLAT”

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ONDAS PARADAS

Tudo parado. Ondas paradas, máquinas paradas, parque parado, energia parada. Na Aguçadoura, tudo parado há quatro meses. E quer a EDP, ser uma empresa líder na área das energias renováveis. Pelos vistos, tudo isto é normal. A paragem é fruto dos reveses a que estão sujeitos os processos de investigação. A tecnologia não está ainda estabilizada, dizem agora. Será que é assim em todo o lado, ou só neste nosso País? Tudo isto me parece um fracasso. Esta bandeira deste governo, fracassou! Mentiras e mais mentiras, é o que este (des)governo nos dá. As três máquinas estavam no mar desde 15 de Julho p.p., se calhar para "Inglês ver", e foram retiradas cerca de 2 meses depois, devido a "problemas técnicos". O certo é que não voltaram ao mar e estão em Leixões, a seco, ao sol. O preço das máquinas foi de nove milhões de euros. Uma bagatela, se tivermos em conta o que se esbanja diariamente só em juros da dívida pública ao estrangeiro. Dizem agora que os problemas técnicos não existem, que há falta de dinheiro da detentora do projecto, desdizendo as notícias anteriores. Mais mentiras, ou as outras é que o eram? Afinal, como sempre, é tudo uma questão de notas de euro. Mas os nove milhões já lá vão, voaram baixinho. Eram 3 máquinas, que já não são, e iriam ser 25 que , pelo que se vê, nunca irão ser. O certo é Portugal ter perdido a corrida pela liderança nesta área, e tudo estar na estaca zero, excepto o dinheirinho, nosso, já gasto. Tudo foi inaugurado como se estivesse bom e a funcionar, à boa maneira do nosso Primeiro, que tem mais exemplos como este. O do Magalhães que deu e tirou computadores aos meninos pois era só para a comunicação social ver, os alunos que afinal não eram - eram contratados - nos quadros interactivos das escolas, a Escola de Soares dos Reis que afinal ainda não está pronta nem para lá caminha apesar de inaugurada com pompa e circunstância, e tantos outros.

Continuo tão contente com a nossa (des)governação.

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CÁ NÃO, QUE SOMOS BONZINHOS E A CRISE É PARA OS OUTROS

.SALÁRIOS NÃO DESCEM!

Ora bem, terá dito o Ministro do Trabalho, se calhar por ordem do Primeiro, nós cá estamos em ano eleitoral, com muitas eleições juntas e não nos podemos dar ao luxo de antagonizar seja quem for. Já basta o que basta, com a crise, os tiros nos pés e essas coisas todas. Por isso, meus senhores, tenham paciência mas reduzir salários é que não. Temos que ser muito realistas, os senhores que ganham muito, e a quem poderíamos tirar alguma coisita, são os que nos financiam as campanhas eleitorais, não podemos mexer com esses tipos. Vamos mas é dar umas palavrinhas a abater, dizer que sim e mais que também, e que pois claro, e deixar tudo na mesma. Iríamos baixar em quanto?, até quando?, e isso beneficiaria a quem? Deixem-se de coisas. Eu vou lá e digo que tenho dúvidas que seja um sistema viável, e que tal coisa até pode levar o país a uma ruptura social. E vão ver que tudo fica bem.

E nessa reunião de Ministros, lá ficou decidido que assim seria. E o homem botou faladura para quem o quis ouvir.

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ESCOLA SEGURA

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MEDIOCRIDADE NA ESCOLA SEGURA

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Na escola, a professora incomodou a aluna, e esta, coitada, no seu pleno direito á reacção, deu umas lambadas e uns pontapés na parvalhona da professora. Esta, foi para o hospital, e a aluna, coitada, teve ainda por cima de ir falar com a psicóloga que terá tentado saber quais as formas usadas pela professora para incomodar a coitadinha da aluna.
Só mesmo por brincadeira se pode admitir que isto se tenha passado assim, mas, não anda longe da verdade. Em vez de a aluna ter sido enviada para a esquadra até que os encarregados de educação (que terão feito um excelente trabalho com ela, e que deveriam ser responsabilizados pelos actos dos alunos) a fossem buscar, a escola segura dirigiu-se, ela mesma, à escola, para ouvir a aluna. entretanto o Concelho Directivo, que deveria ter de imediato, suspendido a aluna, nada fez.

Assim vai o ensino no nosso País.

E ainda se admiram que os professores, cada vez mais, se demitam.

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PADEIROS, MERCEEIROS E LAVRADORES

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PREOCUPAÇÕES ALIMENTARES NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

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Na Assembleia da República, as preocupações alimentares estão na ordem do dia. A par destas, também as preocupações com as finanças das mercearias e das padarias foram alvo dos deputados socialistas. Segundo estes deputados, frutas e legumes deverão ser distribuídos aos alunos nas refeições escolares. Também, nas mesmas refeições, o pão a distribuir, deverá ter menos teor de sal. Mais uma preocupação eleitoralista, a surgir no final da legislatura. Durante quatro anos, ninguém falou dela. Neste ano de todas as eleições, todos os dias surgirá uma nova medida para cativar o povo. Agora cativam-se os paizinhos das crianças. Sim aos tomates, às alfaces e às couves, pois que qualquer dia, a julgar pela crise crescente, e pela fome que alastra, só mesmo na escola poderão comer alguma coisa saudável.

Será de esperar que estes alimentos a distribuir nas escolas, devam ser de produção exclusivamente Portuguesa. Devem portanto, os deputados, propor também a par destas medidas, mais uma que implique a obrigação de serem produtos nacionais. Tanto a fruta como os legumes Portugueses, são do melhor que existe, e assim, desta forma, incentiva-se o comércio e a produção dos nossos padeiros, merceeiros e lavradores.
Até que enfim, um tema interessante para ser discutido na Assembleia da República!

Havia deputados do CDS que não concordavam com a proposta socialista, pelo que o partido deu liberdade de voto.



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(In O Primeiro de Janeiro, 02-04-2009)

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JM

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MCLT

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Carta Aberta ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

Incompetência, Negligência ou Má-fé

Exmo. Sr. Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

Exma. Sra. Secretária de Estado dos Transportes

A calamitosa política de transporte seguida para as Vias Estreitas (VE) do Douro nas últimas três décadas atingiu o ponto de ruptura. A falácia do prejuízo nestas vias-férreas, mesmo tratando-se de um serviço público a manter para bem da solidariedade e coesão social, e malgrado a forma danosa como têm sido administradas, esquece convenientemente os desastres financeiros da Carris e dos Metros do Porto e de Lisboa, averbando respectivamente prejuízos crescentes na ordem dos 18, 150 e 160 milhões de euros, suportados por todos os portugueses, do Litoral ao Interior e Ilhas.

O fundamentalismo do alcatrão culminou na imobilização de todo o país em Junho de 2008, face à dependência do petróleo e da rodovia, assistindo-se a uma escassez de víveres preocupante numa questão de dias, enquanto apenas 3% das mercadorias é transportada por via ferroviária. O favorável panorama petrolífero actual é passageiro, e será agravado pela imposição das chamadas taxas ecológicas, com impactes muito pesados para o transporte rodoviário de mercadorias. A terrível dependência energética de Portugal sobressai no sector dos transportes, responsável por mais de metade deste bolo de poluição e ineficiência, que em nada será aplacado pela construção de barragens. Ainda assim, assiste-se à construção mediatizada de mais e mais auto-estradas, mormente no Litoral, em investimentos de milhares de milhões de euros, enquanto o investimento nos caminhos-de-ferro atinge o seu valor mais baixo em 13 anos (250 milhões de euros), numa queda que com o actual Governo acelerou notavelmente. De facto, apenas a Grande Lisboa e o Grande Porto reúnem tanto investimento em estradas num ano como o país inteiro em caminhos-de-ferro em quatro.

Mas a gravidade da situação das VE do Douro, estropiadas e asfixiadas desde há 30 anos, não se podia ter tornado mais visível do que agora. Recorde-se que também na década de 1990 se garantiram suspensões temporárias por motivos de segurança, e foram prometidas alternativas que mais não se comprovaram do que fraudes e traições políticas; não houve estrada ou autocarro que tivesse substituído condignamente o comboio, agravando de forma ruinosa a desertificação de Trás-os-Montes e Alto Douro. É inqualificável que se tenha deixado a infra-estrutura destas vias chegar a um ponto em que para serem renovadas seja necessário o seu encerramento integral. Questionamos sobretudo: se não tivesse sido pelo clima de suspeição sobre o estado de conservação das VE do Douro, lançado em Agosto com o acidente da Brunheda na Linha do Tua, saber-se-ia o que se sabe agora sobre as supostas falhas graves identificadas nas Linhas do Tâmega e do Corgo?

Outra conclusão não se pode estabelecer senão a de que se tem jogado com a vida de milhares de utentes das Linhas do Tua, Corgo e Tâmega, ao se permitir que a infra-estrutura ferroviária atingisse ou mesmo ultrapassasse o ponto de ruptura. Ou a situação actual se justifica, lançando sobre a tutela uma inequívoca acusação de incompetência, negligência e má-fé na gestão, ou então não se justifica, e suportam-na razões que devem ser esclarecidas. A ligeireza com que o volume de investimento foi prontamente apresentado é igualmente alarmante: como é que se pode demorar tão pouco a encerrar, e ao mesmo tempo a anunciar o valor duma empreitada, que afinal só começará, por razões ainda não esclarecidas, daqui a 4 meses?

Este número levanta outras questões igualmente preocupantes; em Espanha, um organismo ferroviário adstrito apenas à VE reabriu integralmente em 2003 uma linha com 340km de extensão (o mesmo comprimento que a Linha do Norte) com um custo de 123.500 euros/km – encerrada em 1991 por questões de segurança, tal como a Linha do Tua. Seria o equivalente em Portugal a reabrir ao mesmo tempo as Linhas do Tâmega, do Corgo, do Tua, do Sabor e do Douro, sobrando ainda 20km. Como se justifica então que em Portugal a renovação destas vias venha a custar perto de um milhão euros/km? Esta diferença abismal de valor tem de ser necessariamente detalhada: vai haver correcção de traçado; vão ser aumentadas as velocidades máximas de 30km/h; vão ser instaladas travessas em betão, soldados os carris e fixados de forma elástica (garantindo maior durabilidade, conforto e segurança); vão ser suprimidas ou automatizadas passagens-de-nível; vai ser instalada sinalização luminosa e automática; vão ser instalados dispositivos de prevenção e alerta de via intransitável? Os prazos de execução das obras constituem outro facto impressionante. Basta pensar que avançarão a cerca de 500 metros/mês no Tâmega, quando por exemplo a construção da Linha do Tua, a maior e mais intrépida das VE do Douro, fez-se a um ritmo de 1,5km/mês entre o Tua e Mirandela, e a 2km/mês entre Mirandela e Bragança, e isto com os meios técnicos de há 120 e 100 anos atrás, respectivamente. Ao ritmo das obras no Tâmega, a Linha do Tua teria demorado, em vez de 6 anos, algo como 22 anos a ser concluída!

Outra questão deve ser discutida nesta mesma data: a proliferação “just because” de ciclovias. Exemplificando com o caso da ciclovia na Linha do Sabor, este é um equipamento que simplesmente incinera 125.000 euros/km (mais caro que reabrir uma linha), fora a renda de 10.000 euros paga pela autarquia de Moncorvo todos os anos, naquilo que é um caminho de terra batida num traçado já existente e equipado de forma paupérrima. Com fraca utilização, a atracção de turistas é nula, tal como a geração de desenvolvimento e bem-estar. É isto que se pretende para o Corgo, que atravessa a zona termal e vitivinícola mais reconhecida de Portugal, e desagua na única plataforma logística nacional sem caminho-de-ferro, Chaves? E para o Tâmega, às portas do Porto, possuidora de uma riqueza cultural e paisagística só comparáveis aos mais fracos índices de qualidade de vida nacionais que regista?

Exige a inteligência e bom senso que estes projectos, em linhas cuja reabertura já foi proposta por dois particulares para exploração turística e regional e negada liminarmente pelas autarquias locais contra a vontade do povo, sejam abandonados, antes que a sangria de verbas e oportunidades de emprego e desenvolvimento sejam por estes agravados. Em contrapartida, uma vez que finalmente a tutela se dispõe a modernizar estas vias, este planeamento deverá, a partir de agora, incluir a reabertura integral das mesmas, aproveitando a presença no terreno dos meios necessários. É uma oportunidade soberana de se emendar um erro que no país vizinho já foi reconhecido e está a ser corrigido.

No caso particular da Linha do Tua, é inaceitável que a REFER/tutela justifiquem a não reabertura dentro do prazo estabelecido, que terminou a 31 de Março último, pela necessidade de espera por uma decisão sobre a barragem do Tua. Estamos perante outro caso de má-fé que já ultrapassou todos os limites da razoabilidade. A posição da tutela é clara: "É uma linha que tem objectivos e que pode ser utilizada em benefício do turismo e das populações, portanto a nossa intenção é continuar com a linha", palavras do Ministro Mário Lino em Outubro de 2008.

O Estudo de Impacte Ambiental da barragem do Tua é explícito: “A área de influência revela-se uma área mal servida ao nível dos serviços mais procurados: esta situação agrava-se com as fracas acessibilidades e escassez de oferta de transporte público; a identificação e avaliação dos impactes (da barragem) ao nível da socioeconomia evidenciaram impactes muito negativos ao nível da economia local, em particular para a agricultura e agro-indústria, com repercussões também muito negativas ao nível do emprego e dos movimentos e estrutura da população”.

Também parece haver uma desadequação face às obrigações impostas pelo Direito Comunitário, principalmente pelo Regulamento n.º 1698/2005 do Conselho, que visa, com o apoio ao desenvolvimento rural dado pelo FEADER, o crescimento da economia rural através de medidas para diversificação. Com a destruição do Vale e da Linha do Tua, quaisquer auxílios concedidos neste âmbito serão subaproveitados. Não é demais recordar que o mesmo é dirigido à prossecução do aumento da competitividade da agricultura e da silvicultura, da melhoria do ambiente e da paisagem rural, promoção da qualidade de vida nas zonas rurais e diversificação das actividades económicas. De acordo com a tão aclamada Estratégia de Lisboa, a melhoria da competitividade agrícola é o pilar fundamental do desenvolvimento rural. Que competitividade terão produtos que perdem terrenos e que perdem oportunidades de menores custos de transporte, como o próprio Vinho do Porto e o Azeite da Terra Quente Trasmontana?

Mais grave é o facto de o PNPOT – Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território, documento máximo a nível nacional neste âmbito, demonstrar que a zona onde se quer construir esta barragem se encontra em “perigo de movimento de massas” e “troço de influência de ruptura de barragem”! A loucura e imponderabilidade desta obra nefasta ultrapassa tudo, até mesmo o respeito pela vida humana de toda a população a jusante. O desastre da barragem de Valjont em Itália matou 2.000 pessoas, quando deslizamentos de terra causaram uma onda imparável de destruição; no entanto, zonas altamente sísmicas como o Japão possuem das redes ferroviárias mais avançadas do mundo, o que diz muito sobre o que está em causa no Tua.

A mentira da necessidade desta barragem é apenas comparável ao tamanho do seu paredão: por 1/3 do seu custo, consegue-se o equivalente a 75% da sua potência, através do reforço da barragem do Picote, e o mesmo que 3 barragens do Tua se juntarmos os reforços que serão realizados no Picote, Bemposta e Alqueva. O correcto aproveitamento da energia solar já foi calculado como potenciador de uma redução de consumo de electricidade de 20%, muito superior ao ridículo ganho de 3% apresentado por todo o monstruoso pacote de 10 novas barragens!

De igual forma, António Mexia não tem razões para não construir uma alternativa ferroviária. Omite convenientemente dois factos: o caderno de encargos prevê a substituição de vias com a mesma valência – desde quando é que uma estrada tem a mesma valência que um caminho-de-ferro, demais a mais sendo a Linha do Tua o que é e as estradas da zona o que são; a EDP teve de pagar, aquando da construção da Barragem da Valeira no Douro, uma estação nova na Ferradosa, uma nova ponte sobre o Douro, e cerca de 1,5km de via-férrea nova para a Linha do Douro. Existe o precedente, existe um caderno de encargos que está a ser mal interpretado, e mesmo que este erro estratégico da barragem do Tua avance, a destruição de parte da paisagem do vale não é desculpa para obliterar para sempre a Linha do Tua, uma vez que a necessidade de transporte público se mantém, com todas as oportunidades a montante e a jusante.

De igual forma, relembramos o facto de Bragança ter em 2012 o comboio de alta velocidade a apenas 30km de distância, na Puebla de Sanábria, constituindo a par do alargamento do aeroporto de Bragança uma oportunidade única de atractividade para turistas e mobilidade para pessoas e mercadorias. Isto quando a tutela já confirmou que não existem contactos com Espanha para a execução de novas ligações rodoviárias nesta zona. Note-se que o Turismo é um produto compósito: não há sucesso quando um dos elementos falta, e o elemento em falta no Nordeste Trasmontano e no Douro é precisamente a fraquíssima oferta de transportes aí existente.

Afinal, que interesses é que existem em se destruir o Vale e a Linha do Tua, quando está mais que provado e suportado por documentos legais e especialistas de todos os sectores que a barragem será um desastre para a região e para o país? Exigimos de uma vez por todas:

- Respeito pelas populações e utentes, privadas dos seus direitos inalienáveis de mobilidade e solidariedade social.

- Apresentação de um plano de modernização, reabertura total e alargamento da Linha do Tua a Espanha, depois da realização de 2 estudos profundos em 7 anos, e 17 meses de suspensão de circulações, mais que o suficiente para se ter apresentado e se ter começado a executar alterações profundas.

- Responsabilização pelos 4 acidentes e respectivas vítimas, pelo estado de conservação grosseiro da via, e pelos prejuízos causados ao Metro de Mirandela e tecido comercial da zona, que tem perdido um preocupante volume de receitas geradas pelas dezenas de milhares de turistas que deixaram de viajar na Linha do Tua.

Desta forma, o MCLT solicita aos Exmos. Srs. Ministro e Secretária de Estado o esclarecimento honesto destas questões que têm vindo a ameaçar o bom funcionamento da Democracia e da coesão social em Trás-os-Montes e Alto Douro, e apresentem um plano de intervenções com o rigor que a este nível se exige.

Movimento Cívico pela Linha do Tua, 2 de Abril de 2009

www.linhadotua.net


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