quinta-feira, 22 de agosto de 2013

CHELSEA MANNING, UM HERÓI AMERICANO

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Foi através de um comunicado lido pelo seu advogado no programa ‘Today’, da NBC News, que ficou a saber-se que Bradley Manning... quer viver como uma mulher e chamar-se Chelsea.
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sábado, 6 de julho de 2013

REVOGUE-SE O IRREVOGÁVEL E...

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SIGA PARA BINGO
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Já nada é o que era, e ainda bem. 
Imaginemos que as pessoas ainda ficavam presas à sua palavra, era um aborrecimento e ainda tínhamos de andar todos com uma corda ao pescoço. E isso, meus caros, já não se usa. Nem ser fiel à palavra dada, e muito menos ser-se penhor dela.
Também já não se usam princípios éticos e outros. Quem os tem chama-lhes seus, mas se houver quem deles não goste, há sempre outros, guardados numa qualquer gaveta, para poder agradar.
Num governo, o nosso, um homem-ministro demite-se por causa de uma mulher-que-vai-ser-ministra, a mulher, coitada, toma posse como ministra numa situação deveras delicada. Entretanto, e face aos graves problemas, à escala Nacional e até Internacional, o homem "recua" na sua decisão irrevogável, sobe de posto mantendo-se no governo como um verdadeiro Primeiro Ministro e, até ver, a mulher-agora-ministra, Maria Luís Albuquerque, também aí se manterá. E o que virá aí é um novo governo, com outras novas caras do partido de Paulo, mas para que assim fosse, não deveria ter sido necessária esta crise.
No que respeita a exigências, de uns e de outros, já por aqui tratei, mas também essas exigências poderiam a partir de agora ser facilmente revogáveis.
O que se não revoga é a vontade de destruir, custe o que custar, todo o esforço que todos nós tivemos de fazer ao longo destes dois últimos anos. Para isso, lá se vão reunindo, uns bandos de tipos politicamente politizados, fazendo marchas, exigindo o descalabro, chamando impunemente os mais feios e execráveis nomes a quem tem o fardo de nos governar, seja essa governação bem feita ou não.
Agora, voltamos a ter a possibilidade de compor o que se descompôs na última semana, e se assim acontecer, lá estarão na forja mais umas greves, umas manifestações, e uns e outros a colocarem-se em bicos de pés, a ver se são vistos e/ou ouvidos. 
Só mesmo na nossa república democrática que, velha de cem anos enquanto república e de quarenta enquanto arremedo de democracia, está mais "prá" cova que outra coisa.
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sexta-feira, 5 de julho de 2013

EXIJO!

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UM PAÍS DE GENTE EXIGENTE
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Ao longo destes últimos muitos anos, quase quarenta, deixamos de pedir, o que era uma vergonha que nos maculava, e passamos a exigir, o que passou a ser um direito que nos assiste até aos dias de hoje.
Toda a gente exige.
Ninguém conversa ou tenta chegar a consensos, exige-se.
Nos últimos tempos as exigências têm subido de tom. Tudo se exige, todos exigem, cada um é dono da verdade e por isso, manda, ordena, exige.
Muitas das exigências são correctas, devem ser exigidas em consensos e trabalhos conjuntos, outras são meros aproveitamentos políticos. Muitos dos que exigem nem fazem ideia do que estão a dizer e a exigir, antes exigem porque lhes disseram que a contestação passa pela exigência, e que a sua liberdade de exigir é que manda e mais ordena, esquecendo-se de que essa liberdade termina onde começar a liberdade do outro.
Exigem-se menos horas de trabalho, exigem-se maiores salários, exige-se que o povo, o outro que não aquele que já o faz, se revolte, exige-se que se trabalhe como eu quero, exige-se que este ou aquele esteja à altura das suas responsabilidades (desde que essa altura seja aquela que eu entendo como a certa), exige-se dinheiro com menos custos, exige-se melhor educação (desde que essa educação seja aquela que eu entendo como certa), exige-se trabalho e respectivo salário mesmo que não haja onde trabalhar nem dinheiro para o pagar, exige-se estabilidade política, exige-se conhecimento, exige-se que aquele que manda saia do seu poleiro se por ventura não pertencer à minha cor política, exige-se tudo e mais alguma coisa, desde que se nada seja exigido de volta  quando as respectivas exigências surtirem efeito.
Num País de tanta gente que tanto exige, como é possível sermos comandados, a todos os níveis, desde o chefe máximo do pessoal mínimo, ao chefe máximo do pessoal máximo, por tanta gente incompetente?
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quinta-feira, 4 de julho de 2013

ELLE MACPHERSON

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ESTAVA EU DE FÉRIAS E...
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Estava eu no gozo pleno de umas nada merecidas férias, quando o meu amigo Paulo decidiu abandonar o barco. Já num dos dias anteriores o Vítor, outros dos amigos que tenho, tinha decidido o mesmo. Fiquei triste e até, direi, estupefacto. O barco, se bem que com muitos rombos, ainda não tinha afundado, nem estava em vias de. 
Mas quando falamos de ratos, é sempre assim, são os primeiros a abandonar o "nabio".
O Vítor já se tinha explicado a quem o quis ouvir, atacando e despejando responsabilidades para o Comandante e outros. O Paulo, inteligente e sagaz, explica-se com a saída do primeiro e com a sua não concordância com a política de substituições praticada a meio do jogo.
O certo é que ficamos quase abandonados à nossa sorte, com todos os chefes máximos de algum do pessoal mínimo a manifestarem o desejo profundo de ajudar a afundar a embarcação, berrando, gesticulando, fazendo comunicações sonolentas e, quase todos, a porem-se em bicos de pés de modo a tentarem que os que realmente importam os vejam. Para além disso, os que ainda aceitam emprestar-nos o graveto para o "pitrol" começaram a subir as taxas de juro, enquanto as acções cotadas em bolsa descem num trambolhão digno de registo.
Entretanto o Comandante que aceitara a fuga do Vítor (que no meio do mar é cuspido por tudo quanto é peixe), diz não aceitar a de Paulo, e puxa-o para bordo, numa cena caricata digna de desenhos animados da célebre doninha fedorenta.
Paulo, fazendo jus à sua inteligência e sagacidade (o que nunca se poderia dizer de Pedro), faz uma fita, bate com os pés no chão, berra um poucochinho, gesticula, ajeita a melena curta, coloca o seu sorriso matreiro (símbolo de oportunismo ou, dirão outros, de sentido de oportunidade), e diz-lhe que até aceita não deixar o barco afundar, mas que quer mais poderes para os seus apaniguados e porventura para ele próprio. E começam a conversar os dois, Pedro e Paulo (com a hipótese de o Paulo se deixar trazer para o barquito, bem clara na postura física de ambos), lado a lado, como bons amigos que nunca o foram. 
Os arautos da desgraça do nosso navio, descem a terreiro e continuam a falar alto, e um até começa um aparvalhado périplo pelas cidades da Europa, a ver se ganha alguma credibilidade. Mas tudo é em vão. Nada conseguirão que os acalme. 
De uma forma ou de outra, as notícias atropelam-se, sendo que tudo pode vir a acontecer, desde a saída definitiva de Paulo, à sua permanência numa outra pasta, por exemplo na da Economia, passando pelo reforço do número de elementos no Governo afectos ao PP, ou pelo descalabro, imposto pelo Presidente.
Talvez que isto se componha, talvez que apareça alguém que seja capaz, talvez que um dia, eu acredite na seriedade e competência de quem nos governa o barco. Talvez!
O nosso navio está mal comandado, muito foi feito mal e o pouco que se fez de bem foi realmente muito pouco, mas muitos dos que contestam esse comando querem tão somente mandar, trocar de lugar com quem manda nesta altura, mesmo que isso represente de uma vez por todas uma igualdade ao navio grego e o descalabro total.
No entretanto, e como estou de férias, embora como disse muito pouco merecidas, vou deliciando os olhos, enquanto posso, na maravilhosa Elle MacPherson que aos 49 anos faz roer de inveja muitas pessoas e não tem ninguém a seu lado a abandonar o navio.
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quarta-feira, 19 de junho de 2013

DIZEM QUE SOU DE DIREITA, EU, QUE NUNCA FIZ GREVE



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NUNCA FIZ GREVE E DIZEM QUE SOU DA DIREITA.

Quando aconteceu o 25 de Abril, eu era quase um puto. Ou melhor, tinha acabado de deixar de o ser, já que tinha quase 22 anos. Nos dia de hoje seria homem e com capacidade para votar e influenciar a vida das outras pessoas há já quase quatro anos, mas na altura não era assim. Naqueles dias deixei de ser um puto porreiro e amigo das pessoas, preocupado com o bem estar dos que eu conhecia e dos que, sem conhecer ouvia falar, e passei a ser, por via da minha simpatia confessa (naquela altura) pelo PPD acabado de criar, um gajo da direita, por vezes até um fascista. E vivi assim até aos dias de hoje, ouvindo pareceres sobre a minha pessoa, ora bons ora maus, apesar das minhas simpatias não mais terem tido nome. Mas as minhas antipatias sempre o tiveram, apesar da condescendência para com elas que sempre me prezei de ter!
Na minha meninice e na minha juventude (fazia parte dos meninos beneficiados pela sorte por pertencer a uma posição social média e com estudos), a educação que me deram os meus pais, os meus tios e os meus avós, baseou-se sempre no imenso respeito pela maneira de viver dos outros, em especial pelos que menos tinham, no imenso respeito pelas ideias alheias, mesmo que fossem completamente diversas das minhas, no cuidado extremo na forma de falar e no que dizer, por forma a não ofender fosse quem fosse, fosse de que maneira fosse, na solidariedade e na entreajuda. À minha custa, aprendi nos primeiros anos de adulto, que muitos outros não tinham sido educados da mesma forma. Ao longo destes já muitos anos que levo de vida fui batalhando contra essa minha ingenuidade intrínseca, confesso que sem muito proveito.
Trabalhei trinta e seis anos, tendo começado por servente até atingir a posição de sócio-gerente, sempre na mesma firma, sem nunca ter feito greve e felizmente sem nunca ter faltado por ter estado doente ou por qualquer outra razão. Ensinaram-me a ser o primeiro a chegar e o último a sair e procurei sê-lo durante a maior parte dos anos de trabalho.
Vem isto a propósito dos últimos acontecimentos na vida dos meus concidadãos e minha.
Não vou falar dos energúmenos que roubam a coberto ou à descarada o dinheiro de todos nós.
Não vou falar dos interesse políticos de toda uma classe que não sabe o que é solidariedade ou entreajuda.
Não vou falar de greves e do que as centrais sindicais fazem supostamente em prol dos seus sócios prejudicando tudo e todos à sua volta, sem o mínimo de capacidade e interesse pelos outros que não eles ou o seu poleiro.
Desta vez vou falar de educação. Não no seu aspecto lato, que incluiria alunos e professores, instituições, ministros e secretários de estado, e pessoas em geral, mas no seu sentido restrito, no das relações entre as pessoas bem ou mal educadas.
Não chega ser-se doutor médico ou engenheiro, arquitecto ou professor, para se ser uma pessoa inteligente e mais que isso, moralmente bem formada e bem educada. Eu sei que para alguns, o moralmente bem formado cheira a fascismo e a religião (coisa horrorosa, bafienta e decadente), mas que hei-de fazer, educaram-me assim e é assim que eu sou. Infelizmente, e como nas pessoas de um modo geral, cada vez há mais burros carregados de livros, e "dótores" mal educados e moralmente mal formados. Claro que os há em toda a nossa população, espalhados por todo o lado, mas aqui, o que me importa hoje, é falar dos que têm a obrigação de ensinar os nossos filhos e de ajudar na sua formação e educação. Os senhores professores!
Ora, os senhores professores, cuidando dos direitos que julgam pertencer-lhes, e julgarão muito bem (não me vou meter nessa guerra, que não sou professor e temo saber pouco das suas reivindicações), entenderam fazer greve. Por certo não todos, por certo que alguns levados pelos outros, mas a sua maioria assim o entendeu, e, mais uma vez muito bem. Apesar de não acreditar em greves, apesar de nunca as ter feito, aceito, como é evidente, que estejam no seu legítimo direito. É uma questão de liberdade e o povo Português julga-se livre.
Aprendi no entanto que a liberdade de uns termina no preciso ponto onde começa a liberdade dos outros, e aqui começa a minha discordância com quem faz (fez) greve em algumas circunstâncias. Não concordei com as greves nos portos marítimos já que quase só prejudicavam a economia Nacional, nossa, de todos nós, não concordei com a greve nos transportes públicos já que quase só prejudicavam os utentes, não concordo com a greve dos senhores professores nesta altura dos exames Nacionais já que só prejudica os alunos e os seus agregados familiares.
É muito bonito falar-se e exigir-se a solidariedade de todos para com a luta dos docentes contra o "malfadado governo", que já dura à imensos governos (com cada novo ministro nova velha luta), mas onde está a dos senhores professores (neste caso concreto) pelos alunos que precisam das notas atempadamente para passarem ao ensino superior, ou que têm todo o direito a não terem de viver os problemas que não são directamente deles, para fazerem os seus exames com calma e sem qualquer stress acrescido, ou tão somente que precisam que tudo acabe rapidamente para partirem para as tão merecidas férias?
Serão danos colaterais, eu sei, estes prejuízos todos para os mais fracos, admissíveis em algumas guerras por parte de alguns beligerantes, mas a meu ver, os senhores é que ficam com a "ficha" suja. Se eu fosse aluno e estivesse nessas circunstâncias, não vos perdoaria, e se fosse pai de algum deles, também não.
O que os senhores professores estão a ensinar aos alunos é que não faz mal passar-se seja por cima de quem for desde que com isso obtenhamos os nossos intentos, e isso é formar mal as crianças e os adolescentes, futuros adultos e mandantes do nosso País.
Por fim vou falar das futuras reacções a este meu escrito. Se vos for possível, agradeço que não utilizem as palavras ofensivas que alguns de vós (felizmente poucos), comentadores de blogues, têm por hábito utilizar (vejo-os a cada passo nas caixas de comentários), atentadoras dos bons costumes (mais uma vez uma frase bafienta, horrorosa e decadente), das boas maneiras e dignas de pessoas mal formadas e/ou mal educadas. Os insultos, mesmo que brandos, só desmerecem quem os utiliza.

terça-feira, 18 de junho de 2013

MIGUEL SOUSA TAVARES


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SOBRE A GREVE DOS PROFESSORES
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NÃO CONSIGO ESTAR MAIS DE ACORDO, MAS SE CALHAR, AO QUE SE OUVE, SOU SÓ EU!
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A minha entrada no ensino foi feita numa pequeníssima aldeia rural do norte. Éramos uns 80 alunos, da 1ª à 4ª classe, todos juntos na mesma e única sala de aula da escola - que não me lembro se tinha ou não casas-de-banho, mas sei que não tinha qualquer espécie de aquecimento contra o frio granítico, de Novembro a Março, que nos colava às carteiras duplas, petrificados como estalactites. Lembro-me de que o "recreio" era apenas um pequeno espaço plano, enlameado no Inverno, e onde jogávamos futebol com uma bola feita de meias velhas e balizas marcadas com pedras. A escola não tinha um vigilante, um porteiro, uma secretária administrativa. Ninguém mais do que a D. Constança, a professora que, sozinha, desempenhava todas essas tarefas e ainda ensinava os rios do Ultramar aos da 4ª classe, a história pátria aos da 3ª, as fracções aos da 2ª, e as primeiras letras aos da 1ª. Ela, sozinha, constituía todo o pessoal daquilo a que agora se chama o 1º ciclo. Se porventura, adoecesse, ou se na aldeia houvesse, que não havia, um médico disposto a passar-lhe uma baixa psicológica ou outra qualquer quando não lhe apetecesse ir trabalhar, as 80 crianças da aldeia em idade escolar ficariam sem escola. Mas ela não falhou um único dia em todo o ano lectivo e eu saí de lá a saber escrever e para sempre apaixonado pela leitura. Devo-lhe isso eternamente.
Nesse tempo, não havia Parque Escolar, não havia pequenos-almoços na escola (que boa falta faziam!), não havia aquecimento nas salas, não havia o recorde de Portugal e da Europa de baixas profissionais entre os professores, não havia telemóveis nem iPads com os alunos, não havia "Magalhães" ao serviço dos meninos, mas sim lousas e giz, os professores não faziam greves porque estavam "desmotivados" ou "deprimidos" e a noção de "horário zero" seria levada à conta de brincadeira. Era assim a vida.
Não vou (notem: não vou) sustentar que assim é que estava bem. Limito-me a dizer que tudo é relativo e que nada do que temos por adquirido, excepto a morte, o foi sempre ou o será para sempre. E sei que na Finlândia - o país considerado modelo no ensino básico e secundário pela OCDE - os professores trabalham mais horas do que aqui, não faltam às aulas e ganham proporcionalmente menos. Com resultados substancialmente melhores, do único ponto de vista que interessa aos pais e aos contribuintes: o desempenho escolar dos alunos.
Só uma classe que recusou, como ultraje, a possibilidade de ser avaliada para efeitos de progressão profissional - isto é, uma classe onde os medíocres reivindicaram o direito constitucional de ganharem o mesmo que os competentes - é que se pode permitir a irresponsabilidade e a leviandade de decretar uma greve aos exames nacionais. Nisso, são professores exemplares: transmitem aos alunos o seu próprio exemplo, o exemplo de quem acha que os exames, as avaliações, são um incómodo para a paz de um sistema assente na desresponsabilização, na nivelação de todos por baixo, na ausência de estímulo ao mérito e ao esforço individual.
Mas a greve dos professores vai muito para lá deles: reflecte o estado de espírito de uma parte do país que não entendeu ou não quer entender o que lhe aconteceu. Deixem-me, então recordar: Portugal faliu. O Portugal das baixas psicológicas, dos direitos adquiridos para sempre, das falcatruas fiscais, das reformas antecipadas, dos subsídios para tudo e mais alguma coisa, dos salários iguais para os que trabalham e os que preguiçam, faliu. Faliu: não é mais sustentável. Podemos discutir, discordar, opormo-nos às condições do resgate que nos foi imposto e à sua gestão por parte deste Governo: eu também o faço e veementemente. Mas não podemos, se formos sérios, esquecer o essencial: se fomos resgatados, é porque fomos à falência; e, se fomos à falência, é porque não produzimos riqueza que possa sustentar o modo de vida a que nos habituámos. Se alguém conhece uma alternativa mágica, em que se possa ter professores sem crianças, auto-estradas sem carros, reformas sem dinheiro para as pagar, acumulando dívida a 6, 7 ou 8% de juros para a geração seguinte pagar, que o diga. Caso contrário, tenham pudor: não se fazem greves porque se acaba com os horários zero, porque se estabelece um horário semanal (e ficcional) de 40 horas de trabalho ou porque o Estado não pode sustentar o mesmo número de professores, se os portugueses não fazem filhos.
Por mais que respeite o direito à greve, causa-me uma sensação desagradável ver dirigentes sindicais, dos professores e não só, regozijarem-se porque ninguém foi trabalhar. Ver um sindicalismo de bota-abaixo constante, onde qualquer greve, qualquer manifestação, é muito mais valorizada e procurada do que qualquer acordo e qualquer negociação - como se, por cada português com vontade de trabalhar, houvesse outro cujo trabalho consiste em dissuadi-lo desse vício. Assim como me causa impressão, no estado em que o país está, saber que quase 200.000 trabalhadores pediram a reforma antecipada em 2012, mesmo perdendo dinheiro, e apesar de se queixarem da crise e dos constantes cortes nas pensões. Porque a mensagem deles é clara: "Eu, para já, mesmo perdendo dinheiro, safo-me. Os otários que continuarem a trabalhar e que se vierem a reformar mais tarde, em piores condições, é que lixam!" É o retrato de um país que parece ter perdido qualquer noção de destino colectivo: há um milhão de portugueses sem trabalho e grande parte dos que o têm, aparentemente, só desejam deixar de trabalhar. Será assim que nos livraremos da troika?
As coisas chegaram a um ponto de anormalidade tal, que, quando o ministro da Educação, no exercício do seu mais elementar dever - que é o de defender os direitos dos alunos contra a greve dos professores - convoca todos eles para vigiar os exames, aqui d'El Rey na imprensa bem-pensante que se trata de sabotar o legítimo direito à greve. Ou seja: que haja professores (que os há, felizmente!) dispostos a permitir que os alunos tenham exames é uma violação ilegítima do direito dos outros a que eles não tenham exames. Di-lo o dr. Garcia Pereira, o advogado dos trabalhadores e do dr. Jardim, infalível defensor da classe operária, e o mesmo que, no final do meu tempo de estudante, na Faculdade de Direito de Lisboa, invocando os ensinamentos do grande camarada Mao, decretava greve aos "exames burgueses" - que o fizeram advogado.
Não contesto que as greves, por natureza, causem incómodos a outrem - ou não fariam sentido. Mas há limites para tudo. Limites de brio profissional: um cirurgião não resolve entrar em grave quando recebe um doente já anestesiado pronto para a operação; um controlador aéreo não entra em greve quando tem um avião a fazer-se à pista; um bombeiro não entra em greve quando há um incêndio para apagar. Eu sei que isto que agora escrevo vai circular nos blogues dos professores, vai ser adulterado, deturpado, montado conforme dê mais jeito: já o fizeram no passado, inventando coisas que eu nunca disse, e só custa da primeira vez. Paciência, é isto que eu penso: esta greve dos professores aos exames, por muitas razões que possam ter, é inadmissível.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia
Texto publicado na edição do Expresso de 15 de Junho de 2013
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domingo, 26 de maio de 2013

PORTO - A STATE OF MIND


QUANDO JESUS AJOELHA A COISA ESTÁ MAL

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BENFICA 1 - GUIMARÃES 2
JESUS JÁ NÃO ACERTA UMA E ESTÁ NA MÓ DE BAIXO
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VIVA O GUIMARÃES.
 



Hoje fui adepto do Guimarães e estou todo contente. A festa vem de novo para o Norte do País.
Rui Vitória, cheio de respeitinho pelo Benfica, desrespeito-o. A arrogância paga-se caro, e desta vez não foi nos descontos.
Óscar Cardozo, pelas imagens da televisão, parecia que queria bater no treinador, no fim do jogo. Porque seria? A televisão interrompeu a emissão de imediato, transmitindo publicidade, e ninguém falou mais no assunto ... esquisito...!
Benfica, Campeão dos "quase" em 2013.
GUIMARÃÃÃÃÃÃÃEEES... NAS NUVENS, FOI O VENCEDOR DA TAÇA DE PORTUGAL 2013, limpinho, limpinho. Por sorte o jogo foi no Estádio Nacional.
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sexta-feira, 24 de maio de 2013

OH, VALHA-NOS DEUS

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O GOVERNO ATACA DE NOVO
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Então agora os meninos vão mesmo ter de fazer os exames? Os meus sobrinhos já sonhavam com a greve dos sôtores e agora vão ter de estudar. Que chatice, dizem-me eles.
E a minha con-cunhada se for chamada vai ter de ir trabalhar e corrigir os exames? Coitada! Ela que ia aproveitar para desopilar e berrar umas coisas numa qualquer manifestação, que eu nem sei onde vai ser, mas que se calhar ela não vai poder ir.
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EXAGEROS

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CHAMOU-LHE PALHAÇO
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O autor penitenciou-se e achou exagerado ter chamado "Palhaço" ao nosso Presidente da República.
O nosso Presidente da República não gostou e mandou o PGR averiguar.
Pois... E os Palhaços, o que acharam disso?
Palhaço = Vestido de palha, Cómico, Burlesco
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domingo, 19 de maio de 2013

E O TERCEIRO --- TRICAMPEÕES DE FUTEBOL

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UM FIM DE SEMANA HISTÓRICO
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O F C PORTO, GANHA EM TODA A LINHA.
Andebol, Hóquei e Futebol, um fim de semana em cheio, cheio de vitórias sobre o mesmo rival.
E após isto, o Vitinho continua?
Jackson em grande ao marcar 26 golos no campeonato.
27º título de futebol
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sexta-feira, 17 de maio de 2013

O PRIMEIRO TÍTULO DA SEMANA JÁ CÁ CANTA - PORTO - PENTACAMPEÃO DE ANDEBOL

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PORTO - PENTACAMPEÃO DE ANDEBOL 2013
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FCPorto 26 - Benfica 23
Amanhã decide-se o campeonato de 2013 de Hóquei-Patins, também como o jogo de hoje, com o Benfica, e no Domingo o de Futebol, sendo o jogo com o Paços de Ferreira, mas a decisão também com o clube Benfica.
FCPORTO, A Ganhar Desde Sempre!
Lista dos campeões deste século:
1999-00   ABC
2000-01   Sporting
2001-02   FC Porto       
2002-03   FC Porto       
2003-04   FC Porto       
2004-05   Madeira SAD
2005-06   ABC              
2006-07   ABC              
2007-08   Benfica         
2008-09   FC Porto       
2009-10   FC Porto
2010-11   FC Porto
2011-12   FC Porto
2012-13   FC Porto
FcPorto, oito campeonatos em quatorze disputados
FCPORTO, A Ganhar Desde Sempre!
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sábado, 11 de maio de 2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

LANÇAMENTO DO LIVRO "COLECTÂNEA DE POESIA - POESIA SEM GAVETAS" ONDE PARTICIPO COM TRÊS POEMAS



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E eu, estarei para conhecer novas caras e rever as conhecidas.
Será um prazer extraordinário poder rever os meus amigos que, vivendo na Capital, não vejo há muito tempo, e vir a conhecer pessoalmente os que só conheço virtualmente.
Apareçam!
Estarei lá à vossa espera.
. Foto: LANÇAMENTO DO LIVRO ONDE TENHO TRÊS POEMAS MEUS

quarta-feira, 10 de abril de 2013

SER-SE DO CONTRA

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ESTAMOS EM CRISE PROFUNDA E GRAVE, AS MEDIDAS DE AUSTERIDADE MEDRAM, A TSU NÃO VINGA, O TC CHUMBA, AS MEDIDAS MEDRAM AINDA MAIS.
FALEMOS CONTRA, VOTEMOS CONTRA, ESCREVAMOS CONTRA, MARCHEMOS CONTRA, FAÇAMOS GREVE CONTRA, GRITEMOS CONTRA, ...
MESMO QUE NÃO SAIBAMOS A FAVOR DE QUÊ, OU PARA QUÊ!
O QUE É PRECISO É SER-SE CONTRA!
RAI'SPARTAM!
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sábado, 2 de março de 2013

OS NÚMEROS DE UMA REVOLTA

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MAIS DE UM MILHÃO ONDE NÃO CABEM 300MIL
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Manifestação 2 de Março. Cartaz "Grândola, Vila Morena"
Não fui, nem nunca iria a uma manifestação como esta que se verificou hoje, apesar de saber que poucas coisas, nos dias de hoje, andam razoavelmente bem no nosso País. Não encontro nos organizadores e apoiantes, no slogan simplista “que se lixe a troika”, e no entoar da “Grândola” em tudo quanto é canto e esquina ou acontecimento político em que intervenham ministros, qualquer vislumbre de pensamento positivo ou de propostas alternativas que sejam viáveis
No entanto, este 2 de Março foi um marco, um aviso sério, um grito lancinante, feitos do desespero de alguns (muitos) e do oportunismo de muitos (demasiados).
Neste 2 de Março as gentes vieram para a rua não só para gritar contra a troica, não só para gritar contra Gaspar ou Álvaro, mas especialmente para avisar seriamente Passos Coelho do desespero que as consome.
Neste 2 de Março, o governo, melhor dito, o nosso Primeiro Ministro, tem de perceber que o povo está descontente, que não foi neste Gaspar duro e aparentemente insensível  que o povo votou e que o desespero pode provocar um ainda maior descalabro social.
Passos Coelho tem de tirar ilações disto que se passou e actuar em conformidade. Foi para isso que o voto lhe foi dado pela maioria do Portugueses. Se o não fizer, corre sérios riscos de não se aguentar muito mais tempo na governação.
Mas neste 2 de Março também há um enorme aproveitamento político da parte de alguns. Ou senão, vejamos os números. Independentemente da real grandeza da manifestação, que foi realmente grande, os promotores conseguiram colocar um milhão de pessoas onde não cabem mais de duzentos mil e quatrocentos mil onde nem oitenta mil cabem, só para mostrar aos inocentes a força que a manifestação teve. 
Esperava-se seriedade de quem quer tudo direitinho, não estas mentiras. São afinal iguais aos que mentem descaradamente e nos entram diariamente pela porta/televisão/rádio dentro, seja a falar de greves, de sacrifícios próprios ou alheios, ou seja pelo que for.
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UM NOVO HOTEL NO PORTO

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O "HOTEL DA MÚSICA" ABRE EM JUNHO
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Vita exterior_Galeria
O Hotel da Música, nova unidade hoteleira do grupo Hoti Hotéis, vai abrir em Junho. O hotel está inserido no Mercado do Bom Sucesso, no Porto, e faz parte de um plano de reabilitação deste espaço.
A unidade resulta de um investimento de 8 milhões de euros e dispõe de 85 quartos. Vai estar paredes meias com bancas de mercado e edifício de escritórios. O hotel presta homenagem à música e vai tirar “o máximo partido de sinergias” com as entidades culturais, como a Casa da Música, que se situa a poucos metros do local. O quatro estrelas pretende, igualmente, tirar partido da sua localização, dentro de um mercado, para surpreender o cliente. Assim, os hóspedes poderão comprar produtos no mercado para serem confeccionados no hotel.
Encontrado AQUI
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

BEBER UM COPO DE CERVEJA É DAR DE COMER ÀS CERVEJEIRAS

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DIPLOMA RIDÍCULO QUE PROTEGE UNICAMENTE AS EMPRESAS
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Era o vinho, meu Deus, era o vinho,

Era a coisa que eu mais adorava
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Assim se cantava no tempo da outra senhora, onde beber um copo de vinho dava de comer a um milhão de Portugueses.
Agora, que esse tempo acabou e já se sabe um pouco mais sobre a saúde e os malefícios do álcool, há que dar de comer às grandes empresas cervejeiras e vinhateiras. Só que agora são muitas mais do que antes eram.
O governo, e muito bem, quis aumentar a idade das pessoas que poderiam comprar bebidas alcoólicas, colocando a fasquia nos 18 anos, só que, a força das empresas cervejeiras, que em Portugal patrocinam tudo o que é festa para jovens, fez os senhores governantes recuarem e separarem o álcool do vinho e da cerveja, do álcool das bebidas espirituosas.
Os putos de 16 anos continuam a poder beber o que quiserem, já que a cerveja é a bebida mais consumida, desde que as bebidas não sejam espirituosas.
Coisa mais parva não há. 
Tudo e todos ao serviço do dinheiro.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A LEGITIMIDADE VEM-NOS DO VOTO, NÃO DAS MANIFESTAÇÕES DE GRUPOS

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PERSEGUIÇÃO NÃO É CRIME?
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Há para aí grupelhos de gentinha que se intitulam donos da verdade. 
Dessa forma entendem que tudo o que façam ou possam fazer está dentro dos seus direitos, e que tudo o que os outros fizerem ou disserem, desde que em dissonância com a sua (deles) ideia, está do lado de fora desses mesmos direitos.
Na democracia deles, só fala quem eles quiserem.
Vem isto a propósito das recentes manifestações do grupo "que se lixe a troika" (para além da manifestação em si que impediu "democraticamente" alguém de exercer o seu direito a ser ouvido, o que mais me incomodou foi o ver as caras de ódio e  ouvir os gritos, facilmente audíveis nas primeiras gravações apresentadas a público, de "assassino" e "ladrão") que impediram ministros da República de falarem e das intenções confirmadas e ditas em público, de perseguirem membros do governo, impedindo-os de falarem ou ... seja do que for, até à manifestação programada para 2 de Março.
Esquecem estas gentinhas que a legitimidade das pessoas advém do voto popular e das maiorias aí conseguidas, e não de manifestações mais ou menos fortes ou com mais ou menos gente, que esses grupinhos organizam.
A razão que muitas vezes temos pode perder-se ao enveredarmos por acções que o colectivo abomine, para além de se poder duvidar da real representatividade destes grupos em relação ao povo Português.
E o governo mal irá se se deixar dominar por estas pressões.
Mas também é verdade que não as pode ignorar sob o risco de soçobrar
(as origens de Grândola, o poema)
Foto tirada da internet
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

POLÍTICOS? AINDA MAIS? Ó TOZÉ, FRANCAMENTE!

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NÃO TEMOS NÓS, JÁ, POLÍTICOS QUE CHEGUEM?
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O nosso Tozé quer políticos estrangeiros a mandar nas nossas coisas, e vai daí anda a falar com tudo o que é gente. Quer que eles venham cá decidir o que fazer para emendar o que os nossos políticos fizeram ao longo de muitos anos. Oh Tozé, assim não ficamos mais seguros, mas menos ainda. Lá íamos andar de novo para trás. Estás a delirar, rapaz, e esse teatro já não pega. Isso não passa de uma palhaçada mediática. Será que sabes o que dizes? Acalma lá as coisas se não a Troyca ri-se de ti. 
Já nos chega os que cá temos, políticos como tu.  
Não precisamos que venham lá de fora fazer a trampa que vocês sabem fazer. 
Para mal já basta assim!
Agora se queres ver se sobes nas sondagens, nas internas e nas do País, fazes bem, tenta lá alguma coisa com a cartita, aproveitando a maré de contestação ao governo, põe-te em bicos de pés a ver se alguém te vê, mas olha que o povo não é assim tão parvo e se calhar sai-te o tiro pela culatra.
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA - LÁ COMO CÁ ... UMA TRISTEZA

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É UMA TRISTEZA MAS PORTUGAL ESTÁ ASSIM
LÁ, COMO CÁ
A CULPA, É DOS DESMANDOS ANTIGOS E ... DO GASPAR!
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E o corte dos quatro mil milhões? A coisa ainda não parou! Expliquem lá tudo muito direitinho se faz favor.
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