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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

QUE PARVO QUE ELE É, Ó DEOLINDA



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ROUBADO NO BLOGUE ESTROLÁBIO
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O meu amigo Luís Moreira, assim como eu, escreve no Estrolábio com uma assiduidade e uma competência que em nada se comparam com as minhas.
Hoje escreveu este texto, e eu não resisti a roubá-lo e a colocá-lo aqui.
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Luis Moreira

Vê lá, nasci 30 anos antes de ti ! Não é parvoíce é  estupidez !

Tu cantas com os olhos postos no futuro, sem emprego, é verdade e, eu, choro com os olhos no passado, com emprego, é verdade.

Afinal quem me mandou ter pressa e ter emprego? Ó Deolinda, ninguém troca, eu dava o emprego e tudo o que poupei na vida para ser parvo como tu, sem emprego, com "canudo" que não serve para nada, mas que foi tirado numa bela escola, com a malta a namorar...
No meu tempo, trabalhava-se de dia e estudava-se à noite, não havia tempo para ser novo, vê tu, que quando chegavamos ao 3º ano já por lá andavam as empresas a oferecer mundos e fundos, e um gajo, parvo de todo, logo se enfiava num monte de problemas em vez de fugir para Suécia.( porquê a Suécia? podia ser a França), afinal era preciso era fugir à tropa e ao mato nas colónias, a maior parte veio de lá parvo de todo, e já foi há trinta anos e ainda não recuperou. Ó Deolinda, que parvo que eu sou!

E, se tu tivesses nascido antes de mim? Cantava eu e choravas tu, eu sem emprego e tu com emprego, porque como percebes nesta vida é tudo uma questão de estar no lugar errado na hora errada. Ora, tu é que estás na hora certa e no lugar errado, podes mudar, ires para o lugar certo, deixa esta merda, vai para fora, és nova, falas línguas, pagam bem e, o mais importante, acham que a malta nova portuguesa é do melhor. Podes crer, ó Deolinda, conheço muita malta nova que andou e anda por lá, ganham bem e são respeitados, exercem a sua profissão e não querem voltar. Não acredites que a crise lá seja como cá, nem penses, são países a sério, gostam de quem tem mérito, aqui anda tudo a ver se encontra como passar o tempo numa qualquer repartição pública. Percebes, ó Deolinda?

Se a malta quisesse trabalhar, dava "corda aos sapatos" e ía à aventura  - sabes que a carne de pombo dos Champs Elysées, em Paris, é dura como cabedal? - mas não se morre, faz um arroz de lhe se tirar o chapéu. E as técnicas para se apanharem os pombos nas "águas furtadas"? Olha, outra técnica (não sei bem se é técnica se é táctica) é arranjar uma namorada empregada num supermercado, há banquete todos os dias...

Ó, Deolinda, continua a cantar que a malta enche o Coliseu e gosta tanto que até lhes vêm as lágrimas aos olhos...


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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

DEOLINDA!




Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!


Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, marido, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar,
Que parva que eu sou!
E fico a pensar
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.