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terça-feira, 13 de outubro de 2009

LOBO EM PELE DE CORDEIRO

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CORAÇÃO LIMPO
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O sr José Pinto de Sousa, mandou limpar profundamente, por ajuste directo, o coração. Não quereria por certo, aparecer na nova legislatura, que arranca na próxima quinta feira, 14 de Outubro, com o órgão conspurcado. Aproveitou a presença da empresa de limpeza e mandou abrir o espírito, para que qualquer um o possa ver como ele é, de uma transparência imaculada. E, não querendo colocar seja o que for de lado, mandou vir vários contentores de diálogo, esperando-se que de boa qualidade.
Após isso, apresentou-se em casa do Sr Presidente da República e foi por ele indigitado Primeiro Ministro.
À saída, falou aos jornalistas, sabendo que as suas palavras iriam ser retransmitidas por eles para todo o mundo Português, e arredores. Anunciou reuniões, durante a semana que atravessamos, com os partidos da oposição, com vista à formação do novo governo, e prometeu diálogo, diálogo e ainda mais diálogo. Coisa a que, aliás, "sempre" nos habituou. Chegou ao ponto de dizer que não iria pensar na composição do governo, antes das conversações com os restantes líderes partidários.
O, agora e de novo, nosso Primeiro, Sócrates II (o dialogante ou dialogador) sucessor de Sócrates I (o arrogante), depois da derrocada das eleições legislativas, terá ido aconselhar-se com amigos, antigos alfaiates e outros, e mudou de roupa e de estilo. Mas não é convincente no seu novo papel. A arrogância que sempre lhe vimos, a determinação obsessiva que lhe conhecemos, não é compatível com o diálogo que agora quer implementar. Mais cedo ou mais tarde, a sua verdadeira natureza virá ao de cima.
Por agora, vai engolir sapos, esconder reacções, retrair emoções, simular sorrisos e condescendências, reservando os seus verdadeiros sentimentos para a intimidade da família, dos amigos chegados, ou tão somente para os momentos de solidão.
Depois... logo se verá.


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(Citado In "O Público", caderno 2, 14-10-2009)


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JM
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

PORTUGAL, UM PAÍS ADIADO

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2009, O ANO EM QUE TUDO SE ADIOU
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Neste ano da graça de 2009, o meu País parou. Praticamente desde o início do ano que nada se faz, nada se pode fazer, e ai de quem faça.
Este é o ano de todas as eleições. É o ano em que todos jogam tudo para ter alguma coisa durante mais quatro anos.
Por isso ninguém quer que se faça seja o que for que ponha em risco o que eles, se forem eleitos, querem fazer depois.
Tivemos eleições para as Europeias, para as Legislativas e agora para as Autarquias.
Desde o princípio do ano que estamos em pré-campanha ou em campanha eleitoral.
Desde essa altura, o governo quase deixou de governar, e as autarquias quase deixaram de trabalhar.
Os mais altos representantes da Nação, como por exemplo o Presidente, e os líderes dos diversos partidos políticos, exceptuando como é evidente o do partido do governo, entenderam que, até às eleições para o novo governo no final de Setembro, qualquer decisão governamental, qualquer diploma a apresentar na Assembleia da República, ou mesmo qualquer acto "fracturante", não deveriam nunca, empenhar os vindouros governos.
Nas autarquias, ninguém se atreveu a fazer seja o que for.
Mais de quarenta por cento dos orçamentos das Câmaras vem do Estado, e não se sabe se o próximo governo é da nossa cor ou de outra que nos vá retirar verbas, ou atrasá-las.
E como, dos 308 Municípios Portugueses, mais de 25%, se fossem empresas particulares, estariam em situação de falência técnica, devido a má gestão, o melhor é estar quietinho e esperar que se se for eleito de novo, se consiga colocar as contas no são, e se forem outros, que se amanhem.
Por tudo isto e mais algumas coisas, como por exemplo, os normais e costumeiros erros com que todos os mandantes do meu País nos costumam brindar, atrasando a evolução por causa de interesses privados, Portugal é este ano, mais do que em qualquer outro, um País adiado.
Vai haver novo governo da Nação. O anterior já lá vai. O novo ainda não existe porque não está sequer formado, o velho nada pode fazer entretanto. E por sorte ganharam os mesmos, pelo que não se irá perder tempo a "passar" dossiers, quando chegarem os elementos do novo governo.
Nas Câmaras e Juntas de Freguesia, tudo se passa e passará de igual forma.
Tudo parado. Com a agravante de tudo estar parado vai para muitos meses.
Portugal, o País profundo, o País das pessoas invisíveis que os governos só vêm em ano de eleições, também parou. Já ninguém se importa seja com o que for.
Nas duas últimas eleições, a abstenção foi enorme. Portugal cansou-se da depressão, dos disparates e da porcaria e, com o desemprego a continuar a subir, entendeu ir de férias. O maior problema é que parece que ainda não voltou. Costumava regressar em meados de Setembro, mas este ano também atrasou o regresso. Só por cá andam os políticos em contínua campanha eleitoral, e os jornalistas que precisam de coisas sobre que falar para sobreviver.
Só o futebol da liga vai animando a vida do dia-a-dia, com os seis milhões a exultarem cedo de mais, e os arsenalistas a ir mostrando como se faz, que o da selecção, está como todo o País, parado e desiludido.
No resto, o melhor é esperar para ver, já que nada mais resta para fazer.

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(In O Primeiro de Janeiro, 07-10-2009)

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JM
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