terça-feira, 25 de maio de 2010

COMO SE FORA UM CONTO - NUNCA PAGUEI, BRUNA!

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COMO SE FORA UM CONTO
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Devo pertencer a um grupo minoritário, creio, que nunca pagou para ver/ter uma revista com fotografias de mulheres nuas, que nunca pagou para ver/ter um filme cuja classificação dada fosse «para adultos», que nunca pagou…

Há dias, estava eu a passar um fim de semana maravilhoso no planalto mirandês, quando uma notícia percorreu o País.

Na zona onde me encontrava, Mogadouro, não se falava em outra coisa. Ali perto, numa cidade vizinha, quase toda a população correu aos quiosques a comprar uma revista, esgotando os espécimens disponíveis. Dentro, em oito páginas coloridas, uma transmontana aparecia despida de roupas e preconceitos. Os ávidos compradores fizeram circular por tudo quanto era gente as páginas imorais. Miúdos e graúdos, homens, mulheres e crianças, viram e reviram, por todos os ângulos imagináveis, os lugares mais recônditos da pequena. Os mandantes da terra e superiores hierárquicos da moçoila, que era professora de música de meninos da terra, decidiram despedi-la.

Foi a notícia mais badalada dos últimos tempos. Nem as notícias da crise, nem dos roubos a que todos os dias estamos sujeitos por quem nos deveria governar, nem da fome ou das cinzas do vulcão, tiveram, juntos, tantos leitores como este despedimento.

Que a notícia não foi, de modo algum, a não ser nas terras transmontanas, a nudez da sirigaita. A notícia foi o despedimento das funções de docente da senhora professora.

E, coitada, até nem foi muito bem paga pelo serviço prestado. Setecentos euros por uma duzia de fotos em poses sensuais. Coisa pouca e barata.

De qualquer forma, o que a menina queria, o propósito que a moveu a tirar as fotos, não foi o dinheiro, foi o ser conhecida por toda a gente. E esse, foi conseguido.

Todo o País passou a falar da professora Bruna, da coelhinha lá do Norte. Mas depressa ela se fartou de tanta publicidade sem nada em troca. Agora, quem quiser falar com ela, quem a quiser entrevistar, paga. E atendendo ao que recebeu pelo trabalho anteriormente feito, até se faz pagar bem. Afinal, agora, é uma pequena conhecida. Por isso, só aceita falar a troca de uma nota de dois mil euros. E isto sem direito a qualquer fotografia.

Se lhe quiserem tirar o retrato, têm de abrir os cordões à bolsa. E, convenhamos, a moça tem muitos e bons ângulos para serem fotografados.

Se pensarmos bem, a senhora professora terá razão. Já agora, feito o que feito foi, já nada custa, para a frente é que é o caminho, e no aproveitar é que está o ganho. A fama já a ganhou, o proveito deseja a raparigota que venha depressa, por um atalho.


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terça-feira, 18 de maio de 2010

UM NOVO 25 DE ABRIL, E UM PELOTÃO DE FUZILAMENTO, E JÁ ESTÁ, FICAVA RESOLVIDO


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A NOSSA VERGONHA!



É preciso que se saiba que:

"... os portugueses comuns (aqueles que têm trabalho) ganham em média cerca de metade (55%) do que se ganha na zona euro,



mas os nossos gestores recebem, também em média:

- mais 32% do que os americanos;

- mais 22,5% do que os franceses;

- mais 55 % do que os finlandeses;

- mais 56,5% do que os suecos"

(dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/09)



E são estas "inteligências" (?) que chamam a nossa atenção, dizendo:
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"os portugueses gastam acima das suas possibilidades"
e
"todos temos de poupar".

Se somos sempre mais "papistas que o papa" em matéria de leis e aplicações do que por lá fora se pratica, então porque é que no caso das descidas dos ordenados dos políticos de vários países, não se aplica o mesmo rigorosamente ou ainda mais ???

Irlanda (descidas dos ordenados dos políticos e governantes) = 15 %

Espanha (descidas dos ordenados dos políticos e governantes) = 15 %

Inglaterra ( Previsão da descida dos ordenados dos políticos) = 20 %

E estes"chulos"que afundaram o país ainda estão a pensar se só descem 2,9%, ou seja o "pequeníssimo" aumento que tiveram o ano passado ???
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Isto, parece que só lá vai com um novo 25 de Abril e com um pelotão de fuzilamento a acompanhar....


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segunda-feira, 17 de maio de 2010

O MEU TIO R - COMO SE FORA UM CONTO

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O MEU TIO R
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De uma forma ou de outra todos nós temos ou tivemos um tio. Eu ainda tenho. Às vezes, quase todas as vezes, os tios que temos não nos dizem nada de especial, outras vezes, pelo contrário, são como este que eu tenho.
Este tio que eu tenho é o «meu tio». Não tenho outro, nem nunca tive. Bem, isso não é propriamente verdade. Tive e tenho ainda outros tios, mas são-no por afinidade, casaram com as minhas tias. Assim, este é o meu verdadeiro Tio.
Ora bem, o meu tio, pois que é deste tio que eu tenho que se trata, foi sempre o meu tio preferido. A seu lado, sentia-me bem, querido, compreendido. Em nenhum outro lado me sentia assim. A sua rebeldia, a sua forma solta de viver, a utilização exacerbada de palavras em calão, os seus amuos iguais aos meus, o seu companheirismo, a sua susceptibilidade e o ser em quase todos os aspectos a antítese do que era o meu pai, faziam-me vibrar. Para além de tudo o resto, a descontracção e a aparente despreocupação do meu tio, aliadas à demonstração de uma enorme alegria de viver, contrastavam enormemente com a sisudez de meu pai.
Quando tive idade para «fugir» de debaixo das saias de minha mãe, comecei a «fugir» para casa dele, para a praia dele, para o café dele, para qualquer lado onde a sua presença se manifestasse. Com o meu tio R, aprendi muitas coisas. Sempre me pareceu que sabia de tudo um pouco, e eu bebia as suas palavras com alguma sofreguidão. Fosse do que fosse que se falasse, ele sempre tinha uma opinião, um comentário ou uma palavra adequada ao assunto. Os filhos do meu tio, eram os meus irmãos mais novos, mas a vida, madrasta, foi-se encarregando de nos afastar um pouco e aos poucos, muito embora ainda hoje eu os veja da mesma forma, e a saudade dos tempos antigos seja muito grande.
O outro lado da família, o lado paterno, que sempre tinha sido o meu poiso obrigatório até essa altura, começou a perder a cor e a igualar-se a este, nas minhas preferências. Perdia até, muitas vezes, quando eu tinha de optar por um lado ou outro. Inevitavelmente, ao fim de pouco tempo, acabou por perder totalmente em favor deste.
Se fosse possível dizê-lo desta forma, gostava tanto do meu tio como gostava de meu pai. De modo diferente, mas com a mesma paixão.
Hoje não é diferente. Continuo a vê-lo como um segundo pai. Não sei se ele me vê como mais um filho, mas de certeza que me vê como um, razoavelmente bom, sobrinho.
A cada passo, com uma assiduidade menor que a desejável, vou procurá-lo. Sei qual o café onde pára e por lá fico meia dúzia de minutos, à conversa, sobre tudo ou sobre nada, a saber novidades ou a fazê-las saber. Muitas vezes, só pelo prazer de ali estar, de olhar para ele, de o ouvir falar.
A minha paixão por este homem foi sempre tão grande e de tal maneira visível que, quando alguém (sempre os mesmos) me queria aborrecer, ou castigar por alguma coisa que eu tivesse dito ou feito, atirava-me à cara, dando um cariz negativo à maneira de ser do meu tio, que eu era igualzinho ao que ele era. E eu, lá no fundo, sentia um bocadinho, por vezes não tão 'inho' quanto isso, de orgulho, e sorria intimamente.
Portista indefectível, chegou a trabalhar graciosamente para o clube. Um dia, num domingo, foi só um mas ficou-me gravado para toda a vida, levou-me com ele e com a minha prima mais velha ao futebol, às Antas. Fomos para os lugares cativos que eles possuíam, na bancada. Tinham cadeiras só deles, no estádio, para onde iam todos os dias, naquele tempo era quase sempre ao domingo, em que o Porto jogasse lá. Não me lembro já de qual o jogo que se estava a realizar, mas a situação, o prazer, o sonho de lá estar, fez-me sentir excepcionalmente bem, como durante anos mais nada o conseguiu. Nunca tive um lugar cativo nas Antas ou em lugar algum, mas sempre que pensava no que o meu tio e minha prima tinham, sentia invariavelmente uma pontinha de inveja. Quem me dera... !
Acompanhei-o e à minha tia e aos meus primos, inúmeras vezes, a Freamunde e a Lousada, para patuscadas, brincadeiras, vivências em família. Foram momentos únicos que nunca esquecerei, e que me trazem imensas saudades.
Durante alguns anos, infelizmente muito poucos, fizemos a ceia de Natal todos juntos, em casa de meus pais. Se exceptuar os da minha meninice e juventude dadas as suas características, foram dos Natais que mais lembranças e saudades me deixaram, pela diferença, pelo amor e pela alegria que os meus tios e primos nos trouxeram. Foram talvez, dos poucos, senão únicos, Natais, em que eu vi o meu Pai sorrir muito e até chegar a rir de felicidade. Essa alegria foi e é, a imagem de marca de todos eles.
O meu tio é irmão de minha mãe. Mais novo quatro anos em idade, mas muitos mais em maneira de ser. A sua enorme teimosia faz parte do seu encanto.
O meu «tio pobre», como ele gostava de se chamar, era e ainda o é hoje em dia, o meu ídolo.
Nos dias que agora passam, desejo-lhe toda a saúde do mundo, toda a felicidade do mundo, tudo o que o mundo lhe possa trazer de bom.
Faz hoje anos o meu Tio. Já em número digno de ser registado. Muitos parabéns. Desejo continuar a contá-los por muitos e muitos anos.

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

COMO SE FORA UM CONTO - DESONESTIDADE

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DESONESTIDADE INTELECTUAL
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A desonestidade grassa por aí. Faz parte da vida dos nossos dias. Olhando bem, a intelectual é talvez a que mais se nota.

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Nestes dias da visita do Papa a Portugal, muitos, demasiados, previram que os Portugueses iriam demonstrar uma indiferença e um afastamento enormes.

Previsões erradas e desprovidas de bases seguras, no entanto afirmadas e reafirmadas como verdades absolutas.

Às mesas dos cafés, nos locais de trabalho, nos blogues, nos jornais, nas televisões, em tudo quanto é sítio e lado, têm sido inúmeros os ditos jocosos, a chacota e os disparates, de muitos que se dizem agnósticos, ateus, laicos e sérios. A tentativa frustrada de desmotivação das pessoas, e a sobranceria e intolerância das suas opiniões só pode ser considerada patética. O ódio tem estado patente em muitas das palavras proferidas.

Esquecem, porque não sabem, ou porque sabendo é «bem» dizer mal dela, o que é a Fé.

Convivem mal com o sublime e a excelência.

Desprezam com arrogância os valores que chamam à paz, à verdade, à tolerância, ao perdão, à esperança, à alegria, à beleza, ao amor ao próximo e à solidariedade.

Vivem em constante crise interior, de que se não dão conta.

Esquecem o povo, anónimo, que não liga ao diz que disse, que não se julga intelectual, que não tenta influenciar opiniões, nem se considera mais culto ou sabedor que o parceiro do lado, mas que na sua enorme sabedoria sabe destrinçar o essencial do acessório, e sabe que a Fé é um esteio seguro que ajuda à serenidade que permite ultrapassar os sofrimentos do dia-a-dia, ajudando à construção de uma comunidade de Paz.

Este Papa não é um brilhante comunicador, e vive tempos conturbados no seio da igreja e no mundo. Perde ao ser comparado com o seu antecessor, homem da teatralidade e da comunicação. Mas, sendo um homem da cultura, da música e do sorriso, fala só do essencial, e vai conseguir levar os seus propósitos a bom termo.

Bem-vindo Bento XVI.

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segunda-feira, 10 de maio de 2010

FOI COINCIDÊNCIA?


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OU SACANICE?
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Ontem ao fim da tarde, o SLB ganhou um campeonato de futebol.
Ontem ao fim da tarde, os seis milhões (?) de adeptos e simpatizantes do SLB, saíram para as ruas, do mundo civilizado, e não só, gritando a plenos pulmões a sua categoria, e a sua alegria.
Depois, cansados, foram descansar com um sorriso nos lábios.
Nesse entretanto, o sr. Fernando, o melhor Ministro das Finanças da Europa, às três da manhã, madrugada em Portugal, anuncia possíveis aumentos de impostos a curto prazo. É preciso diminuir o déficit em mais um ponto, disse o Ministro, e agradar a Bruxelas, pensando-se já na eventual possibilidade de um novo imposto especial sobre todos os salários, e uma nova subida do IVA. Como não há, nunca há, fumo sem fogo, as possibilidades serão certezas, de certeza.
Fará, este senhor, parte do governo que nos prometeu a todos, repetidamente, que isso (o aumento dos impostos) seria coisinha que nunca fariam, desse por onde desse?
A escolha do momento do anúncio (três da manhã do dia em que o SLB foi campeão), foi só uma infeliz coincidência, ou teve como fito, o escapar à leitura da maior parte dos seis milhões de convivas satisfeitos?

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domingo, 9 de maio de 2010

ESQUISITO?

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CONTRA NATURA
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Saí à rua perfeitamente absorto.
Nem me lembrei que hoje, os adeptos de um clube da capital estariam todos muito contentes pois tinham, ao fim de alguns anos de jejum, ganho o campeonato de futebol da primeira liga.
Como se esse facto fosse de algum modo importante para a felicidade do nosso povo.
Mas, afinal era com eles, com eles e com os da terra deles, e estariam todos cheios do direito de festejar.
A barulheira era enorme, com carros a buzinar por todo o lado, quase me impedindo de pensar.
De repente apercebi-me que estava no Porto, a mais de trezentos quilómetros da capital.
Esquisito, dei comigo a cogitar. Aqui tão longe, tão longe que nem se vê bem daqui para lá, andam estas pessoas todas a gritar, contentes como se fora um dos da sua terra que tivesse ganho?
Andamos às avessas?

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O BRAGA NÃO É CAMPEÃO NACIONAL

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BENFICA 2, RIO AVE 1
NACIONAL 1, BRAGA 1
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A esperança de ver a melhor equipa deste ano ser consagrada como Campeã Nacional de futebol da 1ª liga, morreu nesta tarde de Domingo. A outra equipa concorrente não perdeu e assim, ganhou, ao fim de uns anitos, o almejado título.
Não é que não tenha ganho muito bem. É uma digna vencedora, apesar de, não nos podermos esquecer dos casos dos túneis na capital e nos Arcebispos, que poderão ter provocado este desfecho da competição.
De qualquer modo, eu gostaria que o Braga tivesse ganho o campeonato. Teria sido lindo, e merecido, e eu, como muitos, teria ido para a rua festejar com a minha bandeira verde rubra numa mão e outra azul e branca na outra.
Mas assim não aconteceu, e a festa é benfiquista. PARABÉNS S. L. BENFICA.
Cardozo, também foi o melhor marcador.
Como nota negativa, o facto de no jogo da luz, um dos jogadores mais queridos dos adeptos, Mantorras, não ter sido convocado. Isso, Jesus, não se faz.


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