Ciclicamente, temos direito a uma historieta destas. Um dos vários hipócritas (uma minoria, felizmente!) que, voluntariamente ou obrigados pelas produtoras e editoras, se deslocam a Portugal para vender as suas telenovelas, livros, espectáculos teatrais, concertos ou simples discos, não aguenta mais o discurso de chacha das origens em Portugau, do avô dji Portugau, da comida portuguesa... e por qualquer razão, borra a pintura.
Nós, uns bem dispostos, não ligamos muito. Vamos comprando os discos, comprando os livros, vendo os espectáculos e as novelas, quando mais não seja porque uma parte razoável é boa e mesmo sabendo que o movimento contrário nesta espécie de ponte cultural é praticamente impossível, pois estranhamente, eles lá não entendem o que nós estamos falando.
O que interessa no fundo é que no balanço geral nós ficamos a ganhar, já que para além da qualidade de alguns desses produtos culturais, ainda temos a sorte de conviver com milhares e milhares de cidadãos e cidadãs vindos do Brasil, que estão aí, por todo o lado, na esmagadora maioria dos casos, cheios de vontade de trabalhar para se sustentarem e sustentarem as famílias que deixaram lá, sendo que ainda por cima dão um “som e um swing” muito especiais a todos os locais em que trabalham e vivem. Alguns até marcam os golos de que a Selecção Nacional tanto necessita...
Mas como dizia, há sempre quem borre a pintura, por esta ou aquela razão e com a estupidez de nem entender a posição desconfortável em que deixa milhares de compatriotas seus, gente boa que não é perdida nem achada nestas rábulas.
Aqui há uns tempos largos foi a Christiane Torloni, que depois de um desaguisado com Pedro Santana Lopes, então Sec. de Estado da Cultura de Cavaco Silva, que não lhe terá dado o que queria, pelo menos na quantidade e medida desejadas (claro que estamos a falar de dinheiro!), foi para o Brasil fazer uma escandaleira sobre Portugal e os portugueses.
Agora tocou a vez à serôdia “playmate” Maitê Proença, também actriz assim-assim, também escritora, certamente influenciada pela mítica qualidade dos textos da “Playboy” onde periodicamente se faz fotografar, textos que são, como toda a gente sabe, a grande e quase única razão para a revista se vender.
Depois do fim abrupto de um
badalado namoro com Miguel Sousa Tavares, aí está ela cuspindo alarvidades sobre Portugal e os portugueses, pensando, pateticamente, que o vídeo não seria visto em Portugal. Alguma ele lhe fez...
No vídeo que já quase toda a gente viu, de visita aos Jerónimos e depois de tentar ridicularizar o nome de D. Manuel e do Estilo Manuelino, com aquele falhado sotaque português que alguns utilizam para fazer as suas piadas racistas sobre os “manueis” e os “joaquins”, exibiu a sua expessa ignorância, afirmando com ar solene que Salazar foi um ditador aqui... por mais de vinte anos!...
Vinte anos é manifestamente pouco, se comparado com o que se diz por aí sobre a duração real da ditadura. Em compensação, Maitê Proença será uma pobre idiota durante toda a vida!
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