Mostrar mensagens com a etiqueta FERNANDO MOREIRA DE SÁ. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FERNANDO MOREIRA DE SÁ. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

FOTOPOEMAS 5

.
.



PORTO

Existem dias de magia nos quais o Douro acorda envolvido em algodão doce como se fosse obra de um certo mago.

Tudo começa na Foz onde o Douro encontra a morte nas águas geladas do Atlântico.

Um misterioso manto branco acinzentado invade, pé ante pé, a superfície da água do rio desde a Foz até aos limites da velhinha Ponte D. Maria.

Ao longo do despertar do dia avança como se possuindo longos e gordos braços pelas diferentes ruas e ruelas da Alfândega, de Massarelos, de Miragaia, da Ribeira. Não sei se não será um verdadeiro espreguiçar.

Qual manto de Noiva a rastejar por debaixo dos tabuleiros das diferentes pontes que invade. Mesmo se a Ponte da Arrábida aparente desaparecer mas é mais por confusão e fusão de cores. Na Ponte D. Luís parece sustentar ambos os tabuleiros dando uma ilusão de suspensão destes no ar, como flutuando à mercê dos seus humores.

Quem olha desde a Serra do Pilar fica hipnotizado. E tentado. Uma tentação diabólica de se atirar para cima dela como se aquela nuvem enganadora fosse uma gigante almofada que nos leve numa viagem sobre a cidade.

Ao olhar para a nossa direita deparamos com a velha senhora, a inolvidável Ponte D. Maria. Até ele, sempre tão atrevido, se curva perante a sua beleza respeitável e pede licença para passar. Sim, o nevoeiro mágico enviado, quiçá, por Merlin, antes tão indiferente às restantes obras de arte passando por debaixo delas sem pestanejar abranda junto à D. Maria e respeitosamente a cumprimenta e lhe solicita autorização. Por vezes a demora é tal que logo o Rei Sol o impele e o reduz a uma injusta insignificância.

No meu Porto há dias assim.

Texto de Fernando Moreira de Sá
Fotografia de José Magalhães

.

sábado, 25 de setembro de 2010

A NOTÍCIA VEIO ASSIM, NO AVENTAR

Assim reza o press:
José Magalhães nasceu no Porto em 1952. Escreve e fotografa desde a adolescência.
Fez diversas exposições de fotografia, colectivas e individuais, em inúmeras cidades portuguesas (Porto, Braga, Coimbra, entre outras) e chega agora à Maia onde vai apresentar um conjunto de dezasseis trabalhos fotográficos intitulados “Imagens e Bocados”.
A exposição estará patente no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim, a partir de hoje 25 de Setembro, data da sua inauguração (pelas 21h30). A entrada é livre.
Pois, mas agora vamos falar de um amigo. O José Magalhães é meu companheiro de blogosfera aqui no Aventar e um tipo cinco estrelas. Como se tal não fosse pouco, ainda consegue ser um fotógrafo e peras! Ele diz que é amador. Pois. Amador? Não! Quem consegue fotografar o Porto como ele o faz não é amador. É um Poeta.
Eu vou lá estar. Orgulhoso por o contar entre os meus amigos.

Fernando Moreira de Sá

.
E EU INCHEI DE ORGULHO E FELICIDADE POR TER UM AMIGO ASSIM, QUE DIZ COISAS TÃO BONITAS

domingo, 27 de junho de 2010

O MEU S. JOÃO

.
O MEU S. JOÃO
.
Depois de ler o artigo do Fernando Moreira de Sá, vieram-me as lembranças de quando ainda ia passar a noite pelo Porto dentro, na sempre magnífica noite de S. João.
Sempre gostei de o fazer, embora hoje, se calhar devido à idade, me deixe ficar por casa, ouvindo ao longe os barulhos das músicas e dos foguetes e dos irritantes martelos.
Mas gostar, gostar, gostava do S.João no tempo em que não havia martelos, em que o rei e a rainha eram o alho pôrro e a cidreira, em que se saltava a fogueira e se ia dançar nos bailaricos espalhados pelos bairros da cidade (adorava ir a um que ficava entre-prédios perto do Prado do Repouso), em que as roulottes eram escassas e o barulho (hoje estridente) das músicas pouco se fazia sentir.
Adorava o S.João no tempo em que o fogo era "deitado" no S. Pedro, em que as Fontaínhas eram o fulcro da festa, com milhares a irem a passo de caracol, compactados, por Santa Catarina e Batalha, em que as rusgas eram constantes e se acabava a noite a dormitar na praia do Homem do Leme, sem demasiadas bebedeiras, com muito gozo e sem droga.
Adorava o S.João, adoro-o (a vépera de S.João tem um significado especial para mim) e se hoje ainda fosse dia 23 e a noite ainda estivesse para vir, bem que iria dar um salto à baixa, tentar reviver esses tempos. Como não é, vou de qualquer modo, a exemplo do FMSá, visitar a festa nas Fontaínhas, num dia já mais calmo.
Há imensas razões para se adorar esta cidade, como por exemplo o haver tantos filhos do S.João. Esta é só mais uma delas.

.