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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

FOTOPOEMAS 8


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VIAGEM NO SILÊNCIO

Quanto mais corro
paro
fixo
fico
no silêncio circundante
a minha corrida incurante;
se fujo
fico
fixo no silêncio ambulante;
mais corro
mais me fixo no silêncio;
mais corro
mais viajo no espaço
infindável da corrida
somente espaços
do silêncio.

Poesia de Sílvio Castro
Fotografia de José Magalhães

FOTOPOEMAS 7

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Viajantes do Céu
Viajantes do céu resolvem pousar sobre a água e ao fundo o sol ilumina toda a cena.

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Texto de Fernando Correia da Silva

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

FOTOPOEMAS 6


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Ce toit tranquille, où marchent des colombes...
[...]
Éloignes-en les prudentes colombes,
les songes vains, les anges curieux!”

Paul VALÉRY: Le Cimetière marin



Mentre el dia s’adorm –potser per sempre–
en la llum taciturna de la tarda,
d’aquest teulat tranquil, d’on els coloms s’envolen,
l’aire s’endú les cendres
fredes d’un somni antic.

Havíem parlat tant... De tantes coses...


Veníem del silenci, de la nit,

de llargues travessies per ermots dessolats,
i dúiem el sarró ple d’esperances,
de paraules inèdites, de somnis no estrenats.

Als peus de l’olivera centenària

llegíem els poetes que estimàvem
i parlàvem de tot, hores i hores,
com augurs d’un temps nou, guerrers a la conquesta
de somnis i utopies, armats amb la paraula.

Tot era nou i bell en la nostra mirada,

fins els mots i els accents dels versos més antics.
I era tanta la nit,
que amb una espurna ens fèiem una albada.
 Delerós de camins impossibles,
vas marxar a la impensada...

Em van quedar tantes coses per dir-te

i eren tantes les coses que m’havies de dir...!

Porto pols de paraules enganxada a la pell,

als nervis, a la sang, al pensament.
Se m’han mort les paraules de no dir-te-les.

Tot ha passat.
És pols.
Ja ni el record serveix.

D’aquest teulat tranquil d’on els coloms s’envolen
s’aixequen somnis nous.
Tu no els veuràs
i potser jo tampoc. Ara, però, la tarda,
amb la claror serena del ponent
ressuscita un moment les paraules perdudes
i em retorna els accents de la vella conversa
barrejats amb els versos d’algun poeta amic...

Cerco la teva veu i sento un batec d’ales...

No saps què donaria perquè fossis aquí!

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Enquanto o dia adormece - talvez para sempre,

no taciturno fulgor do entardecer,
deste telhado tranquilo de onde os pombos levantam voo,
o ar arrasta as cinzas
frias de um sonho antigo.

Tínhamos falado tanto... de tantas coisas...


Vínhamos do silêncio, da noite...

de longas travessias por desolados ermos
e levávamos o bornal carregado de esperanças,
de palavras inéditas, de sonhos por estrear.

Aos pés da oliveira centenária

líamos os poetas que amávamos
e falávamos de tudo, horas e horas,
como augures de um tempo novo, guerreiros à conquista
de sonhos e utopias, armados de palavras.

Tudo era novo e belo ao nosso olhar,

até mesmo as palavras e o ritmo dos versos antigos.
E era tanta a noite,
que apenas com uma chispa
inventávamos a alvorada.

Ansioso por caminhos impossíveis,

partiste sem avisar.

Ficaram-me tantas coisas por dizer-te

e tantas eram as coisas que tinhas para me dizer…

Trago a poeira das palavras colada à pele,

aos nervos, ao sangue, ao pensamento.
Morreram-me as palavras por não tas dizer.
Tudo passou. É pó.
Já nem a recordação serve.

Deste telhado tranquilo de onde os pombos levantam voo,

esvoaçam sonhos novos. Tu já não os verás,
talvez nem eu… Mas a tarde, agora,
com a serena claridade do poente
ressuscita por momentos as palavras perdidas
e devolve-me o eco da conversa antiga
misturado com os versos de algum poeta querido…

Procuro a tua voz e oiço um ruflar de asas…

Não sabes o que daria para que aqui estivesses.

Poema de Josep Anton Vidal
Tradução de Carlos Loures
Fotografia de José Magalhães

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

FOTOPOEMAS 5

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PORTO

Existem dias de magia nos quais o Douro acorda envolvido em algodão doce como se fosse obra de um certo mago.

Tudo começa na Foz onde o Douro encontra a morte nas águas geladas do Atlântico.

Um misterioso manto branco acinzentado invade, pé ante pé, a superfície da água do rio desde a Foz até aos limites da velhinha Ponte D. Maria.

Ao longo do despertar do dia avança como se possuindo longos e gordos braços pelas diferentes ruas e ruelas da Alfândega, de Massarelos, de Miragaia, da Ribeira. Não sei se não será um verdadeiro espreguiçar.

Qual manto de Noiva a rastejar por debaixo dos tabuleiros das diferentes pontes que invade. Mesmo se a Ponte da Arrábida aparente desaparecer mas é mais por confusão e fusão de cores. Na Ponte D. Luís parece sustentar ambos os tabuleiros dando uma ilusão de suspensão destes no ar, como flutuando à mercê dos seus humores.

Quem olha desde a Serra do Pilar fica hipnotizado. E tentado. Uma tentação diabólica de se atirar para cima dela como se aquela nuvem enganadora fosse uma gigante almofada que nos leve numa viagem sobre a cidade.

Ao olhar para a nossa direita deparamos com a velha senhora, a inolvidável Ponte D. Maria. Até ele, sempre tão atrevido, se curva perante a sua beleza respeitável e pede licença para passar. Sim, o nevoeiro mágico enviado, quiçá, por Merlin, antes tão indiferente às restantes obras de arte passando por debaixo delas sem pestanejar abranda junto à D. Maria e respeitosamente a cumprimenta e lhe solicita autorização. Por vezes a demora é tal que logo o Rei Sol o impele e o reduz a uma injusta insignificância.

No meu Porto há dias assim.

Texto de Fernando Moreira de Sá
Fotografia de José Magalhães

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

FOTOPOEMAS 4

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Três Pedras, Três Olhares


I
Pedras.
Pedras cinza e encantadas, que ladeiam caminhos e abrem alas que percorro, atento, espada alerta, porque podem esconder a emboscada ou surpresa, para a qual um Cavaleiro, como ambiciono ser, tem de estar preparado.
Pedras, algumas, quese transformam em temidos adversários, que se erguem à minha passagem, com que cruzo o aço e ultrapasso feito herói.
Pedras duras e brutas, que os homens empilham e formam casas ou, melhor ainda, castelos, como o que o meu olhar alcança no horizonte e a minha coragem quer conquistar.
Pedras que formam muralhas e ameias, e do alto da torre, espada erguida, lanço másculo grito – Viva a Liberdade – com que saúdo a libertação dos prisioneiros salvos do malvado senhor que acabo de derrotar.
Pedras dos jogos de infância.
II
Pedras.
Pedras negras e gastas, abandonadas e sem utilidade, sem riqueza nem rendimento.
Pedras que de nada me servem, que nem vender as consigo e por elas ninguém consigo interessar.
Pedras em ruína, ganhas em testamento, má fortuna a minha que mas deixaram em vez de terreno urbanizável e transaccionável.
Pedras que nem sequer posso derrubar, classificadas que foram em património não sei de quê, e substituir por moderno condomínio, esse sim do qual podia desfrutar.
Pedras dum raio.
III
Pedras.
Pedras sépia e fartas, que guardo em foto encastrada, que me acompanha faz anos em todas as viagens e residências.
Pedras que me ligam à terra onde nasci, à infância que me foi fazendo homem, terra que abandonei em busca do ouro dos tempos modernos.
Pedras do castelo que me fez Cavaleiro, do terreno em que batalhei imaginárias guerras contra as forças do mal e encarnei, com glória, o bem e a energia vital.
Pedras minhas, quanto eu não dava para rever e andarilhar aquelas pedras, cinza, encantadas, negras, brutas, pedras belas. As minhas pedras.
Pedras da memória.


Texto de Pedro Godinho
Fotografia de José Magalhães

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

FOTOPOEMAS 2

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Quisera Eu Vogar Pelos Espaços



Quisera eu vogar pelos espaços

Ao sabor dos desafios e dos ventos
E minh'alma seria uma asa louca
Rasando mares e firmamentos

Poema de Augusta Clara de Matos

 Fotografia - José Magalhães
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

FOTOPOEMAS

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ESTROLÁBIO
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Fui, há algum tempo e com muita honra, convidado a fazer parte do blogue Estrolábio.
Na altura, foi-me proposto enviar algumas fotografias para que alguns dos outros membros pudessem escrever poemas ou textos poéticos, tendo-as como fonte de inspiração.
Dentro de alguns dias, começarei a colocar os conjuntos, um a um, aqui.
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