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sábado, 26 de fevereiro de 2011

CUIDADO, A COISA ESTÁ A CHEGAR


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E A COISA PEGA-SE!
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Com a graça de Deus, ou de Alá, ou do Profeta, ou seja do que for, até mesmo da Mossad, a coisa vem a caminho. Começou no Egipto (agora com o acordo querem que escrevamos sem p), veio pela Tunísia, está cheia de força na Líbia (a muito poucos quilómetros de Itália, 'à vole d'oiseau') e abancou calmamente em Marrocos.
Precisará o nosso governo de ter muito cuidado com a forma como lidará connosco e com toda a situação em que vivemos, uma vez que a coisa se pega e já só nos separa  dela uma língua de mar, estreita de poucas dezenas de quilómetros.
Não é que me preocupe que ela cá chegue. Seria da maneira que os tipos que nos têm desgovernado ao longo destes últimos muitos anos, se iam embora com as contas bancárias e os seus parcos haveres congelados, e nós começaríamos a respirar fundo, pelo menos enquanto a esperança não morresse.
O que me preocupa é o facto de eu saber que quem os vier substituir vai sair da actual classe política, e esses substitutos de imediato se irão preparar para ser a vez deles encherem os bolsos e as contas bancárias, e aumentarem substancialmente os actuais e frugais haveres (também, claro, os deles, que não os nossos).


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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

AFINAL, EM PORTUGAL É IGUAL


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NÃO É SÓ EM ESPANHA

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Não é só em Espanha que a lei do tabaco proíbe que patrões fumem em casa se tiverem lá alguém a trabalhar nessa altura. Em Portugal, nem patrões nem empregadas domésticas podem fumar nas casas particulares durante o horário de trabalho. 
Apesar desta questão específica não estar expressa na Lei do Tabaco, em vigor desde há três anos (desde 2008), é este o entendimento que dela resulta, segundo dizem os advogados contactados, especialistas em Direito do Trabalho, restando só algumas dúvidas quanto a despedimento com justa causa em caso de prevaricação.
Aos poucos, os não fumadores começam a poder respirar melhor e a sair da alçada e do jugo de quem, ao longo dos anos, lhes infernizava a vida. Mas ainda é pouco, ainda não chega.
Para quando o acto de fumar enquanto se conduz uma qualquer máquina (por exemplo um automóvel), seja comparado ao falar, nas mesmas circunstâncias, ao telemóvel sem aparelho de mãos livres?
Para quando, o acto de fumar, que provoca habituação e dependência e também morte a quem consome e a terceiros, passe a ser considerado crime, a par de outras substâncias cujo consumo é ilegal?
Para quando, a saúde pública vá passar a ficar à frente dos interesses económicos dos Estados? 
Lembremo-nos da enormidade de dinheiro que os governos recebem em impostos derivados do consumo dos cigarros e similares, para podermos afiançar que a resposta a estas perguntas seja hoje e  para sempre, NUNCA!


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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

COMO SE FORA UM CONTO - ANDAM FANTASMAS NA BRUMA PORTUGUESA

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É um Portugal nebuloso o que temos hoje em dia, cheio de secretas esperanças e de cada vez menos valores. Com a revolução, já lá vão uma quantidade de anos, chegou a democracia nas palavras que depressa desapareceu nos actos (se alguma vez chegou a existir neles), chegou alguma modernidade e um moderado desenvolvimento, subiu temporariamente o nível de vida de uns quantos, com todos a passarem a considerar-se aristocratas e, fruto de inúmeros erros, os critérios das escolhas das chefias baseados na competência foram desaparecendo como que por encanto, substituídos pelo laxismo, facilitismo, pelo grupo político predominante e pelo favorecimento económico.
Desde o tempo do poeta Pessoa que os fantasmas povoam o nosso imaginário, se bem que mesmo antes do primeiro quarto do século passado, seja certo que também eles por cá tenham andado.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

CORAGEM, JÁ SÓ FALTAM TRÊS


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GOVERNOS SOCIALISTAS NA EUROPA
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Já só existem três governos socialistas na Europa. O de Espanha, o da Grécia e o de Portugal.
Tenhamos coragem para esperar mais um pouco, pois que já falta muito pouco tempo para que eles desapareçam, pelo menos cá em Portugal.
É que o dinheiro está-se mesmo a acabar e quando já não houver mais, eles não esperam pelo pontapé, vão mesmo pelo seu (deles) pé, daqui para fora.

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

COMO ERAM DIFERENTES AS COISAS EM PORTUGAL

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VIA CORTA-FITAS
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« Memórias do Portugal respeitado*

Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall. O embaixador incumbiu-me – ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada – dessa missão. Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder.

Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal.

Não estava previsto o seu regresso aos EUA. Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo".

Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa. Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo.

O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável. Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país – Portugal – que respeitava os seus compromissos.

Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar – é nada dever a quem quer que seja".

Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas. Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem.

Estoril, 18 de Abril de 2010

* Por Luís Soares de Oliveira »

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