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domingo, 13 de março de 2011

ABUNDÂNCIA E SACRIFÍCIO RASCAS



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GERAÇÃO DA ABUNDÂNCIA NÃO SABE O QUE SÃO SACRIFÍCIOS E FICA À RASCA
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Desde há trinta e cinco anos que a abundância chegou às nossas casas. Só quem viveu durante anos nos anos anteriores a 1974, pode saber do que estou a falar.
Os ordenados eram baixos, as ferramentas existentes para enfrentar a vida eram escassas, o espírito de sacrifício geral era enorme. 
Quem tivesse tido a sorte e o engenho (porque só os melhores de entre os que tinham tido essa hipótese o conseguiam) de chegar a ter um curso superior, atingindo o patamar de 'licenciado', sabia que esse era o momento imediatamente anterior ao patamar de 'estar empregado'. Nos dias de hoje, os dias em que existe uma overdose de qualificações, nos dias em que todos são doutores, essa relação já não existe. Banalizou-se o facto de se ser licenciado, havendo quem possua uma licenciatura mas não tenha as qualificações certas ou mais adequadas ao que o mercado necessita. Há cursos superiores para tudo e mais alguma coisa, mas não há mercado de trabalho correspondente.
Quem não tivesse tido a sorte de pertencer às classes sociais mais favorecidas, e era a maioria da população, sabia que uma vida de abundância só poderia ser conseguida com muito trabalho e muito sacrifício. Começava-se uma vida independente num emprego de ordenado baixo, vivia-se em casas alugadas, usavam-se roupas, mobiliário  e quaisquer utensílios do dia-a-dia, já utilizados por outros, normalmente familiares, esticava-se o dinheiro disponível para o mês, evitando gastos supérfluos tais como saídas à noite, almoços e jantares fora de casa, empréstimos para compras de casa ou de carro ou de mobílias etc., etc., etc.. Hoje, os nossos jovens e menos jovens não dispensam o começo de uma vida independente sem casa nova, móveis novos, carro próprio e um emprego compatível com as suas habilitações, e se não o conseguirem vão ficando em casa dos pais, sobrecarregando o orçamento mensal.
Mas agora nada há a fazer no que a isso diz respeito. Os tempos são outros, as mentalidades são outras, a necessidades que se criaram entretanto são outras, e essas evidências e as dificuldades a que chegamos, acrescidas das falsas promessas de resolução dos problemas, despertaram agora no pensamento da população, que felizmente para todos nós, não é violenta. O problema reside na falta de capacidade de sacrifício de todos nós. Uns porque já se esqueceram do que isso é, outros porque nunca o souberam. Nos primeiros trinta dos últimos trinta e cinco anos, tudo foram facilidades, desde a possibilidade de cursos superiores, emprego bem remunerado, casas e carros novos e para toda a gente, etc., e o povo habituou-se. Agora, as coisas mudaram. Desde há meia dúzia de anos que tudo está diferente, e só o 'zé povinho' se tem apercebido disso. A classe dirigente que nos tem governado, só agora, agora mesmo nos últimos dias, se parece ter apercebido do que está a acontecer. E pode já ser tarde. O espírito revolucionário está de volta e à flor da pele.

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sábado, 12 de março de 2011

É PÁ, TOU À RASCA

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EU E ALGUNS MILHÕES DE PORTUGUESES
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Isto para mim é complicado porque eu pertenço a outra geração. Para uns sou já considerado velho, para outros estou ainda numa boa idade para estar à rasca.
Não pertenço à geração dos quinhentos euros, nem à geração rasca e tão pouco pertenço à geração à rasca. Também não pertenço a qualquer uma que tenha tido o direito a um nome ou a um título. Sendo pai de vários filhos, com idades bem diferenciadas, sou dessa forma, pai de várias gerações, tendo os meus rebentos as mais diversas alcunhas.  Os mais velhos são da geração da tanga e da dos quinhentos, a seguir tenho um da geração rasca e agora, o mais novo está mesmo a entrar na geração à rasca.  Tenho de tudo. Tive um futuro que se dizia brilhante mas que agora se apresenta negro e muito curto, e os meus filhos nem futuro têm. Desta forma não deixo de estar, como todos os outros, aflitinho da vida. Também eu... até eu!
Aqui no cantinho onde me encontro, as dificuldades avolumam-se para a maior parte de nós. Todos os dias aumentam as despesas e diminuem os proventos.
Infelizmente esta situação não é para todos nós. 
Há por aqui uns quantos que, ligados à política e às politiquices não sentem as dificuldades da mesma forma que nós. Outros ainda também a não sentem, uma vez que estão ligados a negócios clandestinos, sejam eles de droga, de prostituição ou de ladroagem.
Não se pense que estes dois grupos são pequenos. Anda por aí muita gentinha, mas mesmo muita, a viver dessas coisas todas.
Mas dizia eu que aqui no meu canto, as dificuldades se avolumam e são mais do que evidentes. O emprego diminui dia-a-dia, e os preços aumentam numa proporção mais elevada. É aterrador. 
O pior é que me sinto esmagado por tudo isto, sem ver luz ao fundo do túnel, nem túnel da Luz, nem outro túnel qualquer com ou sem luz. Se eu apanhasse os responsáveis por esta situação num deles, arriava-lhe um enxerto de porrada que os marcaria para a vida toda que lhes restasse, sem me importar com as câmaras de vigilância colocadas ou não em sítios estratégicos. Depois que me viessem pedir contas! Já ninguém lhes tirava os tabefes, os socos e os pontapés que eu teria dado no traseiro desses gajos. 
Não fui à manifestação que juntou muitos milhares de pessoas, quase todas à rasca, porque estive num outro evento a que não poderia faltar, estou solidário com todos os que lá foram. Pode, esta manifestação, ser o princípio do fim do reinado do senhor José e dos seus empregados. Não gostei, no entanto, do aproveitamento político-partidário que vi e ouvi nas notícias. Não havia necessidade dos gritos e slogans à moda do Prec.