sábado, 12 de março de 2011

É PÁ, TOU À RASCA

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EU E ALGUNS MILHÕES DE PORTUGUESES
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Isto para mim é complicado porque eu pertenço a outra geração. Para uns sou já considerado velho, para outros estou ainda numa boa idade para estar à rasca.
Não pertenço à geração dos quinhentos euros, nem à geração rasca e tão pouco pertenço à geração à rasca. Também não pertenço a qualquer uma que tenha tido o direito a um nome ou a um título. Sendo pai de vários filhos, com idades bem diferenciadas, sou dessa forma, pai de várias gerações, tendo os meus rebentos as mais diversas alcunhas.  Os mais velhos são da geração da tanga e da dos quinhentos, a seguir tenho um da geração rasca e agora, o mais novo está mesmo a entrar na geração à rasca.  Tenho de tudo. Tive um futuro que se dizia brilhante mas que agora se apresenta negro e muito curto, e os meus filhos nem futuro têm. Desta forma não deixo de estar, como todos os outros, aflitinho da vida. Também eu... até eu!
Aqui no cantinho onde me encontro, as dificuldades avolumam-se para a maior parte de nós. Todos os dias aumentam as despesas e diminuem os proventos.
Infelizmente esta situação não é para todos nós. 
Há por aqui uns quantos que, ligados à política e às politiquices não sentem as dificuldades da mesma forma que nós. Outros ainda também a não sentem, uma vez que estão ligados a negócios clandestinos, sejam eles de droga, de prostituição ou de ladroagem.
Não se pense que estes dois grupos são pequenos. Anda por aí muita gentinha, mas mesmo muita, a viver dessas coisas todas.
Mas dizia eu que aqui no meu canto, as dificuldades se avolumam e são mais do que evidentes. O emprego diminui dia-a-dia, e os preços aumentam numa proporção mais elevada. É aterrador. 
O pior é que me sinto esmagado por tudo isto, sem ver luz ao fundo do túnel, nem túnel da Luz, nem outro túnel qualquer com ou sem luz. Se eu apanhasse os responsáveis por esta situação num deles, arriava-lhe um enxerto de porrada que os marcaria para a vida toda que lhes restasse, sem me importar com as câmaras de vigilância colocadas ou não em sítios estratégicos. Depois que me viessem pedir contas! Já ninguém lhes tirava os tabefes, os socos e os pontapés que eu teria dado no traseiro desses gajos. 
Não fui à manifestação que juntou muitos milhares de pessoas, quase todas à rasca, porque estive num outro evento a que não poderia faltar, estou solidário com todos os que lá foram. Pode, esta manifestação, ser o princípio do fim do reinado do senhor José e dos seus empregados. Não gostei, no entanto, do aproveitamento político-partidário que vi e ouvi nas notícias. Não havia necessidade dos gritos e slogans à moda do Prec.

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