terça-feira, 23 de março de 2010

COMO SE FORA UM CONTO - NA CAPITAL DO PAÍS QUE UM DIA FOI UM IMPÉRIO


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“Assim, tratei dos papeis, tomei as vacinas, fiz as malas e rumei à capital.”

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Quem me conhece saberá, por certo, o quanto me terá custado esta viagem. Ou melhor dizendo o quanto me terá custado aceitar fazê-la.

Isto de descer a sul de Coimbra tem sido, nos últimos anos, uma impossibilidade para mim. No entanto, depois de mais de três lustres, lá me decidi a aceitar a ideia de ir até lá, e mais do que isso, ficar para o dia seguinte.

Porém, antes de mais, tenho de me desculpar perante os amigos que por lá tenho. Alguns, que antes de o serem já o eram, e outros, que antes de o serem já o são. A Maria, o Luís, os Carlos, o Nuno, para só citar aqueles com quem mantenho um maior contacto, entenderão, tenho a certeza, o meu silêncio e o secretismo da viagem, que foi decidida em cima da hora e teve como objectivo curar alguns pequenos males familiares, e uma tristeza em mim instalada. Outra oportunidade haverá.

Assim, decisão tomada, tratei dos papeis, tomei as vacinas, fiz as malas e rumei à capital.

Raramente durmo em cama que não seja a minha. Quando o faço, faço questão de ficar muito melhor instalado do que estaria em minha casa. Assim foi desta vez. Via internet, lá marquei quarto num hotel bem situado.

Cheguei à capital do País que um dia foi um Império, no sábado à tarde, já a tarde estava cansada e com vontade de dormir. A minha pouca experiência com o trânsito da cidade (como tudo estava mudado) fez com que me perdesse três vezes, e no caminho para Belém, fosse em primeiro lugar ter à Buraca, depois à estrada de Sintra e mais tarde, já iamos nós a caminho de Cascais. Contingências estas a que qualquer um na minha situação estaria sujeito, e que não me tirou de modo algum a melhor das disposições, nem fez com que os meus companheiros de viagem me não perdoassem as falhas.

A entrada triunfal no Hotel fez-se já a noite acordava e se espreguiçava, preparando-se para mais umas horas de trabalho e de lazer.

Até aquela altura, o que tinha visto da cidade não tinha sido mais que um amontoado de prédios feios e umas intermináveis bichas de carros. E se as bichas eram assim ao sábado ao fim da tarde, o que não seria durante os dias de trabalho. Por certo um pandemánio de fazer perder a paciência a um santo.

Instalamo-nos, e fomos descontraír um pouco, para retemperar forças. À nossas espera estava uma piscina e o sauna. Descompressão rápida, que a hora de jantar estava perto. A pé, atravessamos o jardim e lá fomos em ritmo de passeio até à rua onde se comem os famosos pasteis de Belém. Optamos por jantar comida caseira num restaurante com o mesmo nome e a escolha dificilmente poderia ter sido melhor. Depois, novo passeio, um encontro e uma conversa, rápidas e improváveis, com a internacionalmente famosa Rosa Mota, o declinar de um convite para integrar o passeio/caminhada do dia seguinte, e o apreciar nocturno desta zona da cidade. Lindíssima. Quando demos por ela, já a noite se tinha instalado havia muito e, o meu filho, ainda uma criança, estava quase com os seus horários trocados. O regresso ao hotel foi uma obrigação.

Reparei então que a tristeza que há bastante tempo se tinha instalado em mim, desaparecera como que por encanto. Sentia-me bem, e em paz. Efeitos da capital?

Dormi bem. Já nem me lembrava como era bom dormir bem. O acordar, cedo, foi feito com alegria.

Um pequeno almoço delicioso, uma visita à piscina e ao sauna e a saída do hotel perto do fim da manhã, não sem antes fazer novo passeio à beira rio, entre o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém. Havia a promessa de uma ida ao Oceanário, e assim, para lá nos dirigimos, com o cuidado de utilizar o caminho mais longo que fosse possível. Apetecia-me rever a cidade, mesmo que fosse Domingo e o fizesse em passeio de automóvel. As boas recordações, de há muitos anos, do tempo em que por lá andei durante quase um ano, voltaram. E a vontade de voltar com mais tempo, também.


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