segunda-feira, 7 de junho de 2010

O ORGULHO DE SE SER PORTUGUÊS

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COMO SE FORA UM CONTO - A SRª MARIA, O SR MANUEL, E O ORGULHO DE SE SER PORTUGUÊS

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A srª Maria e o sr Manuel casaram-se em 2008 entre o Natal e o Ano-Novo. Para ela o primeiro casamento, tardio, pois que quase na casa dos cinquenta anos. Para ele uma repetição.

A srª Maria tem formação em economia e é CEO de um banco, e o sr Manuel foi Ministro das Finanças e é uma pessoa muito importante num partido político, ambos da África do Sul.

A srª Maria é uma das mulheres mais influentes do Mundo, segundo uma revista importante, a Fortune. Diz-se por lá até, que é a nona mulher mais influente do planeta.

Para esta crónica o sr Manuel deixa aqui de ter interesse. Não é Português nem nasceu em Portugal. É uma pessoa que não nos diz nada seja a que título for. As suas relações sanguíneas e familiares com o nosso País, são nulas. Só foi aqui falado pelo peculiar nome, que faria lembrar um qualquer ancestral lusitano, e pelo seu casamento com a srª Maria

Para esta crónica a srª Maria continua a ter interesse. Não é Portuguesa mas nasceu em Portugal, na capital do que um dia foi um Império.

Mas a revista Fortune, diz que a srª é Portuguesa, e terá alguma razão. A srª Maria nasceu como tal, nos idos de 59. Logo depois rumou às Áfricas, as então Portuguesas e aquela onde agora vive. Naquele tempo, muitos foram os Portugueses que, com as suas famílias, se mudaram com armas e bagagens para as nossas ex-colónias.

Pensava eu, até agora, que uma pessoa que nascesse Portuguesa, sempre seria Portuguesa. Mas a srª objecto desta crónica, pensa de maneira diferente. Lá terá as suas razões, e as razões de cada um, são com cada qual. E, convenhamos, ninguém terá seja o que for a ver com isso.

Ora, a srª Maria, em determinada ocasião da sua visa, naturalizou-se Sul-Africana, o que por aí, nenhum mal poderá advir ao mundo. E porque se naturalizou, e porque assim o entende, diz-se Sul-Africana naturalizada, e não Portuguesa, recusando-se inclusivamente a falar das suas origens. Não sei se alguma vez se terá recusado a falar Português, mas isso nem é muito relevante neste momento.

Mas porque falo eu da srª Maria e do seu marido, o sr Manuel?

As razões são simples. Neste fim de semana deu-me para ler uma revista onde, assinado pela srª Pratícia Viegas, se encontrava um artigo sobre esta srª.

Ao tentar ler nas entrelinhas, adivinhei um certo gáudio da jornalista em revelar que tal personagem era Portuguesa, ao mesmo tempo que indicava que o banco do qual é CEO era o principal patrocinador da selecção de futebol Sul-Africana, os Bafana-bafana. Os tais que usam por todo o lado as vuvuzelas, e que nós queremos imitar no campeonato do mundo, usando-as também. Esse gáudio traduzia-se no orgulho de ter mais uma Portuguesa entre as pessoas mais importantes do mundo, muito embora essa Portuguesa estivesse zangada com o seu País.

Mas porquê esse orgulho todo? Teremos, nós Portugueses, necessidade de mendigar algum reconhecimento e importância, publicitando algo que nem sequer é verdadeiramente verdadeiro. Ser-se Português é algo mais que nascer em Portugal. E, pelo artigo publicado na revista do jornal, a srª não se sente Portuguesa, nem quer ser Portuguesa, e assim sendo, deixá-la por lá andar sossegadinha.

Qual a importância que tem para os Portugueses, o saberem da existência de tal srª? Que nos importará que essa mulher, seja assim tão importante? Ninguém a conhece por aqui, e ela não deseja vir a ser reconhecida como nossa compatriota. Até poderia entender um artigo a zurzir na srª, mas … ela é Sul-Africana e o que quer que seja que lhe diga respeito, só terá interesse para os seus concidadãos.

Lamento, mas não tenho qualquer orgulho em saber de uma ex-Portuguesa que, não tendo orgulho em alguma vez o ter sido, esconde as suas origens.

Tal como os chapéus, Portugueses há muitos, espalhados pelos quatro cantos do mundo, uns com mais importância e outros com menos, mas cheios de orgulho da Pátria Portuguesa, sua palerma!


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