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sexta-feira, 5 de julho de 2013

EXIJO!

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UM PAÍS DE GENTE EXIGENTE
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Ao longo destes últimos muitos anos, quase quarenta, deixamos de pedir, o que era uma vergonha que nos maculava, e passamos a exigir, o que passou a ser um direito que nos assiste até aos dias de hoje.
Toda a gente exige.
Ninguém conversa ou tenta chegar a consensos, exige-se.
Nos últimos tempos as exigências têm subido de tom. Tudo se exige, todos exigem, cada um é dono da verdade e por isso, manda, ordena, exige.
Muitas das exigências são correctas, devem ser exigidas em consensos e trabalhos conjuntos, outras são meros aproveitamentos políticos. Muitos dos que exigem nem fazem ideia do que estão a dizer e a exigir, antes exigem porque lhes disseram que a contestação passa pela exigência, e que a sua liberdade de exigir é que manda e mais ordena, esquecendo-se de que essa liberdade termina onde começar a liberdade do outro.
Exigem-se menos horas de trabalho, exigem-se maiores salários, exige-se que o povo, o outro que não aquele que já o faz, se revolte, exige-se que se trabalhe como eu quero, exige-se que este ou aquele esteja à altura das suas responsabilidades (desde que essa altura seja aquela que eu entendo como a certa), exige-se dinheiro com menos custos, exige-se melhor educação (desde que essa educação seja aquela que eu entendo como certa), exige-se trabalho e respectivo salário mesmo que não haja onde trabalhar nem dinheiro para o pagar, exige-se estabilidade política, exige-se conhecimento, exige-se que aquele que manda saia do seu poleiro se por ventura não pertencer à minha cor política, exige-se tudo e mais alguma coisa, desde que se nada seja exigido de volta  quando as respectivas exigências surtirem efeito.
Num País de tanta gente que tanto exige, como é possível sermos comandados, a todos os níveis, desde o chefe máximo do pessoal mínimo, ao chefe máximo do pessoal máximo, por tanta gente incompetente?
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sábado, 2 de março de 2013

OS NÚMEROS DE UMA REVOLTA

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MAIS DE UM MILHÃO ONDE NÃO CABEM 300MIL
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Manifestação 2 de Março. Cartaz "Grândola, Vila Morena"
Não fui, nem nunca iria a uma manifestação como esta que se verificou hoje, apesar de saber que poucas coisas, nos dias de hoje, andam razoavelmente bem no nosso País. Não encontro nos organizadores e apoiantes, no slogan simplista “que se lixe a troika”, e no entoar da “Grândola” em tudo quanto é canto e esquina ou acontecimento político em que intervenham ministros, qualquer vislumbre de pensamento positivo ou de propostas alternativas que sejam viáveis
No entanto, este 2 de Março foi um marco, um aviso sério, um grito lancinante, feitos do desespero de alguns (muitos) e do oportunismo de muitos (demasiados).
Neste 2 de Março as gentes vieram para a rua não só para gritar contra a troica, não só para gritar contra Gaspar ou Álvaro, mas especialmente para avisar seriamente Passos Coelho do desespero que as consome.
Neste 2 de Março, o governo, melhor dito, o nosso Primeiro Ministro, tem de perceber que o povo está descontente, que não foi neste Gaspar duro e aparentemente insensível  que o povo votou e que o desespero pode provocar um ainda maior descalabro social.
Passos Coelho tem de tirar ilações disto que se passou e actuar em conformidade. Foi para isso que o voto lhe foi dado pela maioria do Portugueses. Se o não fizer, corre sérios riscos de não se aguentar muito mais tempo na governação.
Mas neste 2 de Março também há um enorme aproveitamento político da parte de alguns. Ou senão, vejamos os números. Independentemente da real grandeza da manifestação, que foi realmente grande, os promotores conseguiram colocar um milhão de pessoas onde não cabem mais de duzentos mil e quatrocentos mil onde nem oitenta mil cabem, só para mostrar aos inocentes a força que a manifestação teve. 
Esperava-se seriedade de quem quer tudo direitinho, não estas mentiras. São afinal iguais aos que mentem descaradamente e nos entram diariamente pela porta/televisão/rádio dentro, seja a falar de greves, de sacrifícios próprios ou alheios, ou seja pelo que for.
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