segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A MENSAGEM

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A MENSAGEM DE ANO NOVO DO SENHOR PRESIDENTE (2012)
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Tenho andado arredado destas tricas políticas. Não me tem apetecido ouvir as mesmas coisas interpretadas de muitas maneiras diferentes, todas elas carregadas das razões que assistem a quem as faz. Mas desta vez, até porque os meus companheiros de ocasião assim o pretendiam, lá ouvi com a atenção possível, o senhor Presidente. 
Até nem foi um discurso muito longo, pelo que nem me custou assim tanto estar atento. As mesmas palavras, a mesma maneira de falar, o mesmo olhar, o mesmo tom de voz. Tudo igual a tantas outras vezes. De diferente, se é que o foi este conjunto de recados ao governo, a ideia da necessidade de uma agenda para o crescimento da economia e do emprego como via para resolver a crise. Ideia que, nas palavras do senhor Presidente, deveria ser aproveitada pelos outros países da UE, mandatando o governo, através do discurso,  para implementar e defender tal ideia.
Eu não gosto muito de recados e ainda menos se forem dados publicamente, quando verifico que foi esquecido por quem os manda, o tempo em que teve funções executivas e as responsabilidades que lhe caberão na situação actual, desde as do tempo em que exerceu funções de líder do governo até às do tempo em que, antecipando o desastre que se adivinhava, não demitiu o governo anterior talvez por causa da sua própria agenda que tinha marcada uma reeleição a curto prazo. 
Será fácil mandar umas bocas para o ar, com um ar quase benevolente, sendo mais difícil actuar em conformidade.
O senhor Presidente não é má pessoa, longe disso, mas pensa que o povinho não tem memória. 
Ainda sobre este discurso, gostaria de o ter ouvido falar dos que andam a prejudicar o esforço do governo, mas sobre o assunto, nem uma palavrinha, pequenina que fosse. Estou referir-me, entre outros, ao caso dos maquinistas da CP. É para mim inadmissível que os sindicatos que promovem as atitudes a que todos assistimos, não sejam postos na ordem. Convém não esquecer que a CP é uma empresa falida e que cada dia de greve se traduz em prejuízos enormes para acrescer aos que a empresa já tem, isto para não falar dos incomensoráveis prejuízos dos utentes, que são o elo mais fraco desta equação. Mais valia que acabassem com esta empresa e fizessem outra, de raiz, a ver se algo mudava para melhor. Mas o senhor Presidente sobre isto disse nada.
Se o Presidente ficou àquem do que eu esperava, os partidos que comentaram o seu discurso foram além.
Como de costume, fiquei com a sensação de que a língua "Protuguesa" é muito difícil de ser entendida. Talvez por força do acordo ortográfico tenha ficado ainda mais inintelegível.
Se para alguns dirigentes dos partidos e/ou sindicatos, o discurso do Presidente foi claro e estão de acordo com ele no essencial, sendo que sempre disseram isso mesmo (PS, PSD, CDS) e por isso o governo está no bom caminho (PSD, CDS), ou deverá mudar já que sempre dissemos o que o governo não quer ver e por isso está cada vez mais isolado (PS), para outros, da ala esquerda ou esquerdista, acham que o discurso do Presidente não é coerente, que deveria ter dito o que não disse, e que os pacotes de austeridade não tiram o País da crise em que está atolado.
Ora, se eu não entendi bem o discurso do senhor Presidente, se os dirigentes da esfera governamental entenderam de uma forma e os de fora dessa esfera entenderam de outra completamente oposta, sendo que as palavras foram exactamente as mesmas, então esta droga ainda está pior do que eu pensava, ou, o que deve ser uma verdade muito verdadeira, eu não percebo mesmo nada disto, e é certo que não tenho agenda, seja ela política ou outra para me guiar as palavras e o entendimento, pelo que vou mais uma vez, fazer um larguíssimo interregno e deixar de os ouvir, seja de um lado da barricada seja do outro.
Talvez que para o próximo ano já não existamos, e assim o senhor Presidente não tenha precisão de nos falar outra vez.

No Aventar
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