quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A LEGITIMIDADE VEM-NOS DO VOTO, NÃO DAS MANIFESTAÇÕES DE GRUPOS

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PERSEGUIÇÃO NÃO É CRIME?
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Há para aí grupelhos de gentinha que se intitulam donos da verdade. 
Dessa forma entendem que tudo o que façam ou possam fazer está dentro dos seus direitos, e que tudo o que os outros fizerem ou disserem, desde que em dissonância com a sua (deles) ideia, está do lado de fora desses mesmos direitos.
Na democracia deles, só fala quem eles quiserem.
Vem isto a propósito das recentes manifestações do grupo "que se lixe a troika" (para além da manifestação em si que impediu "democraticamente" alguém de exercer o seu direito a ser ouvido, o que mais me incomodou foi o ver as caras de ódio e  ouvir os gritos, facilmente audíveis nas primeiras gravações apresentadas a público, de "assassino" e "ladrão") que impediram ministros da República de falarem e das intenções confirmadas e ditas em público, de perseguirem membros do governo, impedindo-os de falarem ou ... seja do que for, até à manifestação programada para 2 de Março.
Esquecem estas gentinhas que a legitimidade das pessoas advém do voto popular e das maiorias aí conseguidas, e não de manifestações mais ou menos fortes ou com mais ou menos gente, que esses grupinhos organizam.
A razão que muitas vezes temos pode perder-se ao enveredarmos por acções que o colectivo abomine, para além de se poder duvidar da real representatividade destes grupos em relação ao povo Português.
E o governo mal irá se se deixar dominar por estas pressões.
Mas também é verdade que não as pode ignorar sob o risco de soçobrar
(as origens de Grândola, o poema)
Foto tirada da internet
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8 comentários:

João Monteiro disse...

Claro que depende sempre da definição que se dê de democracia, mas nunca se votou essa mesma definição, reduzindo-a ao simples acto de votar de 4 em 4 anos nos meros partidos com assento parlamentar e com poder na máquina de propaganda que é a televisão e os respectivos meios de comunicação com poder suficiente de chegar às massas. Principalmente quando nesse mesmo (simbólico) acto de votar, cerca de 50% da população não se dá sequer ao trabalho de se dirigir às urnas, uma vez que reconhece as suas escolhas como a devida escumalha que são. Uma vez que o partido no poder tem 36% dos votos 50% que se deram ao trabalho de irem votar, reduz-se assim, aritméticamente, o seu poder percentual a menos de 20% da opinião popular. Isso não é democracia. Muito menos quando esses 20% votaram nas medidas que lhes foram transmitidas pelos representantes do partido agora no poder, e que não foram tomadas. Isso devia dar prisão. Basta de retórica, é preciso uma verdadeira democracia.

Xupa Cabras disse...

E gentinha como tu acham que isto é uma democracia? pelo simples facto de se meter o papel na urna de 4 em 4 anos?
Não sei se lembra das promessas eleitorais do PSD e Passos Coelho nomeadamente a de não aumentar o impostos? E ele sabia o estado em que estava o pais já que antes das eleições assinou o memorando de entendimento com a troika.
Então as pessoas votaram em quÊ??? para que serviu o seu voto?? para o Passos e companhia limparem o cú?
E têm a legitimidade de quem limpou o cú o ao voto dos portugueses??
Porque pelo menos eu é a única que reconheço a esta vilanagem que nos desgoverna!

ATRIBUTOS disse...

Meu caro João Monteiro,
As suas contas, se bem que possam estar bem feitas (não é verdade que a coligação governamental só tenha tido 36% dos votos expressos) são aritmética pura e simples e porventura enfermam de premissas erradas já que não chega fazer contas simplistas. Não há no entanto dúvidas de que o poder instituído advém legitimamente dos votos em urna, pelo que o governo está mandatado para governar. Ora, assim sendo, só tem mesmo é que governar e deixarem que ele governe.
Quanto a uma verdadeira democracia, concordo plenamente consigo, mas essa ideia não deixa de ser utópica. Em lado algum existe. Há comunidades mais ou menos democráticas, pessoas mais ou menos democráticas, mas uma verdadeira democracia só poderia existir quando a humanidade mudasse.
Por outro lado, para termos em Portugal uma democracia "mais democrática" seria preciso uma verdadeira revolução, onde teríamos de mandar embora os que o não são, e se isso pudesse acontecer, poucos sobrariam, e a ser feita, não seria uma atitude nada democrática.
Resta-me agradecer-lhe o comentário.
Cumprimentos
José Magalhães

João Monteiro disse...

A legitimidade é algo que, sinceramente, não tem qualquer significado, a meu entender. Tudo o que Hitler fez era legítimo, era legal. Isto porque quem está no poder é quem define o que é legítimo ou não.
E sim, eu acho que é preciso uma verdadeira revolução, mas estar a debater política por comentários num blog na internet não dá em grande coisa, portanto não vale de muito estar para aqui a mandar bitaites. Democracia aprende-se a ler Platão, Rousseau, Hegel, Marx, Kropotkin, Rawls, enfim, mil e um nomes que se poderia aqui listar (e por favor, não se assustem com o papão Marx que isso só revela a vossa ignorância e que nunca leram nada dele).
De qualquer maneira, à alternativa de mandar toda a gente embora, e que tal se em vez de salvarmos os bancos e pagarmos negócios monstruosos como são os das PPS, investirmos na saúde e educação? Parece-me bem mais democrático sem ter que expulsar ninguém.
&0& da dívida pública é por causa dos negócios corruptos das PPs e dos Bancos, sendo que grande parte do resto são juros desses mesmos negócios. Continuar a culpar o povo, ou das duas uma: são classe média que por enquanto ainda tem algumas condições de vida, e que infelizmente não durarão muito, e portanto não vale a pena estar a tentar convencer alguém que daqui a 2 ou 3 anos estará na mesma situação que a grande maioria - ou então são banqueiros e restante escumalha, o que também não tem grande remédio.

Blizard Beast disse...

Portanto, aguentámos impávidos e serenos que estes cabrões de merda façam o que lhes apeteça durante 4 anos. Depois saem como se nada se tivesse passado e vão para lá outros que fazem igual ou pior...
Sim, concordo consigo: é deixá-los andar e destruir tudo porque só podemos protestar nas urnas.

Pedro Cerca disse...

Meu caro João Monteiro.

Democracia é saber aceitar a decisão do colectivo, quer tenhamos feito parte dos que disseram i)sim, ii) não iii) nim (voto branco), iv)dos que julgam que não votando, podem ser independentes para passado um dia apos o veredicto da população, colocar este ultimo em causa. Não posso é aceitar que aqueles que se advogam superiores seres morais das sociedades apenas queriam ser protestativos, e quando são chamados a dizer o que pensam, prefiram ir comer caracois, ir à praia, andar a navegar nos tablets. Se a esquerda, como dá a entender a cada manifestação que ocorre, quer demonstrar que têm a maoiria da população consigo, entao que o demonstre em votos, porque foi por esse direito, que outros lutaram há 40 anos atrás.

ATRIBUTOS disse...

Meu caro Pedro Cerca,
Como é evidente, não posso estar mais de acordo consigo.
Obrigado pela participação e pelo comentário.
Cumprimentos
José Magalhães

João Monteiro disse...

Portanto, se eu viver num país e decidirem condenar-me à morte, eu devo aceitar essa decisão porque veio de um colectivo? E o direito à independência, não existe? O direito de não ser roubado também não?
Não me interessa se vai para lá o PSD ou o bloco, acredito que todo o estado é corrupto por natureza. Quero é que nos deixem em paz para viver as nossas vidas. Nunca na história houve tanto controlo sobre a população, nem mesmo na União soviética, não que eles não quisessem, mas porque não tinham esse controlo. Agora é ilegal não pedir factura até, o Big Brother está a tornar-se monstruoso.
Se democracia é então aceitar a decisão do colectivo, aceito então que os impostos não sejam aumentados, que os ordenados não sejam reduzidos, que os subsídios não sejam cortados, que o desemprego seja combatido, que não haja favorecimentos entre os boys dos partidos, que foi isso que foi prometido e que foi nisso que os que votaram nos que estão no poder decidiram, não na corrupção que está a acontecer. Cumpram as promessas e eu aceito essa tal democracia, Noutro caso não existe democracia nenhuma.