Uns a ganhar rios de dinheiro e outros que nem emprego têm. Os custos da vida de cada dia a subir, e o governo a querer aumentá-los ainda mais. O problema das Scut e a oposição maior a querer que todos paguemos. Um Primeiro que já deveria ter ido embora mas que ninguém tem coragem de o pôr dali para fora porque ainda não convém. Um Presidente que já anda em campanha eleitoral e vai dando uma no cravo e outra na ferradura. O preço do petróleo que desce, desce e torna a descer e os combustíveis não acompanham essa descida?
Anda tudo a comer da mesma gamela, paga por todos nós, a fornicar-nos indecentemente e ninguém se importa? Somos todos parvos ou quê?
O Brasil ganhou o mundial em 1994, antes disso a sua última conquista do título tinha sido em 1970. Se se somar 1970 + 1994 = 3964
A Argentina ganhou o seu último mundial em 1986, antes disso só em 1978. Somando 1978 + 1986 = 3964
Já a Alemanha ganhou o seu último mundial em 1990. Antes disso tinha sido em 1974. Somando 1990 + 1974 = 3964
Seguindo esta lógica, poder-se-ia ter adivinhado o vencedor do mundial de 2002, pois este deveria ter sido o vencedor do mundial de 1962! Fazendo as contas: 3964 - 2002 = 1962
E o vencedor em 1962 foi o Brasil!
Realmente, a numerologia parece funcionar... E quem vencerá o mundial de 2010 na África do Sul?
Resposta: 3964 - 2010 = 1954
E quem ganhou em 1954? ... Alemanha! . VÃO VER... NÃO FALHA! .
À minha direita o mar, lá ao longe, à minha frente uma parede de pedra e à minha esquerda as duas senhoras já entradas na idade terceira, que ciciavam. Sentadas uma ao lado da outra, à mesa do café, falavam em surdina dos tempos de antigamente. Em cima da mesa estavam guardanapos, uma torrada de pão de forma, uma mirita, uma meia de leite e um pingo.
O tema da conversa era a festa do São João, comparando a de agora, com a de outrora.
Na verdade pouco se entendia da conversa, apesar dos meus esforços de atenção e do meu esticar de orelhas para aquele lado, já que conseguiam falar bastante baixo.
No entanto lá pude perceber sobre que conversavam e apanhar uma ou outra ideia. Essencialmente, adoravam o Porto e a sua festa da noite de S. João, mas não gostavam de barulho, nem dos martelos, nem da música que dos altifalantes saía e que se ouvia por toda a cidade, nem do ronco das recentes vovuzelas. Também lhes fazia falta o alho e a cidreira, e os bailaricos. Sim, os bailaricos que havia, e que assumo que ainda haja, toda a santa noite, em inúmeros pontos da cidade do Porto.
Aos poucos fui deixando de as ouvir. Catalisados pela conversa que eu entreouvia, os meus pensamentos começaram a tomar conta de mim.
Vi-me na minha meninice e também no fim da minha juventude. A revolução tinha acabado de acontecer e a «liberdade» tinha chegado.
Na altura a festa do S. João estava concentrada na baixa. Os pontos principais eram a Avenida dos Aliados, Sá da Bandeira, Santa Catarina, Batalha e acima de tudo, as Fontainhas.
Era aí, nas Fontainhas que se ouvia barulho e se via o maior movimento. Mais cedo ou mais tarde da noite, todos por lá passariam. Naquela zona havia em bastante quantidade carrinhos de choque, restaurantes, cadeiras voadoras, aviões, manjericos, farturas, matraquilhos, sardinhas, alhos pôrros, carrosséis, cidreira, febras, e o mais que se possa imaginar, e em cada um dos sítios a sua própria música, tocada bem alto, para abafar a do vizinho.
Íamos para lá pelo meio da noite, os meus amigos e eu, para jogar matrecos e comer. Só gostávamos dos matrecos do Romualdo, eram os melhores ( às vezes era preciso esperar pela vez de jogar, tal era a quantidade de frequentadores). No jogo, o meu companheiro de equipa, o Zé António, jogava à frente e eu sempre à defesa. Jogávamos ao perde paga e por norma nós os dois ganhávamos. Eu até nem defendia mal, mas o Zé, era perito em fintas que conseguia executar com uma rapidez estonteante. Sabia fazer a «tolinha», o «tic-tac», o «arrasto», a «segunda linha», a «lolita» e muitas outras fintas de que me não lembra o nome. Ele mexia a mão com uma destreza e rapidez enormes e só se ouvia depois o barulho da bola a bater no fundo da baliza. Era quase impossível saber como a finta era feita. Como um certo herói de banda desenhada, era mais rápido que a própria sombra. Nos intervalos dos jogos íamos comer e comíamos o que o parco dinheiro permitia. Umas farturitas, uma ou outra cerveja ou sumo, umas febras no pão… pouco mais. Tinham de dar para a noite toda, os poucos escudos que trazíamos no bolso.
Anos mais tarde, os matraquilhos passaram para a Rotunda da Boavista, juntamente com os comes e bebes, fazendo concorrência às Fontainhas. Foi o começo da descentralização e da disseminação das festas de São João por toda a cidade. Com os matrecos e as farturas, foram para lá, também, os carrinhos de choque e os manjericos.
Antes da nossa ida para os lados das Fontainhas, já tínhamos corrido em rusgas pela Avenida e por Sá da Bandeira, já tínhamos saltado fogueiras, já tínhamos batido nas cabeças dos carecas com o alho pôrro, a parte da flor claro, ou esfregado, ao de leve, a cidreira nos narizes das mulheres e raparigas bonitas com quem nos cruzávamos. Também já tínhamos ido em direcção à Batalha, a passo de caracol, no meio de uma multidão enorme, compacta, pela rua de Santa Catarina, vindos de Sá da Bandeira e da rua Formosa, já tínhamos lançado alguns piropos e feito «olhinhos» a umas quantas meninas.
Mas mais importante do que isso, já tínhamos ido dançar durante uma hora ou duas (a noite começava com o pôr do sol). Para nós, a dança era um dos momentos altos da noite. Pedia meças ao outro grande momento, o jogo de matrecos. Num ano, ou talvez em dois, o Zé, o Silva (o meia leca do nosso grupo e que era o melhor jogador de ping-pong de entre todos nós) e eu, nem fomos jogar tão «bem» nos correu a festa. Nesses anos os outros nossos amigos não gostaram nada dessa brincadeira, já que ficaram sem alguns dos parceiros.
Havia um bailarico quase em cada bairro da cidade, quase em cada esquina da cidade. No meio da rua, num recanto entre prédios sociais, ou noutro sítio qualquer, havia música e baile, noite dentro. Apesar dos olhares atentos dos pais, namorados e maridos das moçoilas, momentos havia em que conseguíamos dançar como só no S. João se dança, com muita garra e muito desejo e sem que ninguémguém nos tenha tentado amassar os colarinhos ou termos tido a necessidade de dar corda aos sapatos para nos pirarmos dali para fora.
O meu local preferido para bailar, ficava entre prédios de um bairro junto ao Prado do Repouso. O largo formado pelos prédios, dispostos em u, com uma só entrada para a rua, era recatado e perfeito. Sempre nos correu «bem» a ida a esse baile. As pessoas eram simpáticas e dadas. Durante anos foi o nosso poiso até às badalados da meia-noite, e muitas vezes até muito mais tarde. A dada altura, já tínhamos amigas por lá. Amizades que saltavam de um ano para o seguinte, e duravam uma noite, raramente mais que isso.
No fim da noite, quase com o sol a raiar, era ver-nos em debandada do centro da cidade, com as ruas quase desertas e com as bancas dos manjericos já vazias, em direcção às praias da Foz. Sempre a pé, fazíamos muitos quilómetros nessa noite.
Não se vislumbravam transportes públicos, só um eléctrico ou outro, e o dinheiro já se tinha gasto todo. A praia do Homem do Leme era o meu destino favorito, em detrimento da minha praia de sempre, a de Gondarém, pequena de mais e com o mar mesmo em cima de nós. Anos houve em que as barracas da praia ficaram montadas com os panos durante a noite e assim pudemos ficar recolhidos e ao abrigo do relento da noite. Lá acabávamos a folia, a dormitar na areia fria, à espera do calor do sol, sem bebedeiras, com muito gozo e com nenhuma droga.
A noite do S. João do Porto sempre teve repercussões a nível social. O Santo tem milhares de filhos na cidade, tentando assim suster a diminuição de habitantes. O mês de Março será talvez o mês do ano com mais nascimentos na zona do Porto, a par com o fim de Setembro e o começo de Outubro.Até eu, imagine-se, tenho um filho nascido em Março, por certo também ele filho do S. João, mesmo nove meses certinhos após a véspera do dia da cidade.
Adoro o S. João, ou melhor, adorei o S. João quando ele se passava no centro da cidade, Aquele S. João que não tinha martelos mas tinha alho pôrro, que não tinha roulottes espalhadas por todas as zonas mas tinha cidreira e matraquilhos (os do Romualdo eram os melhores, já disse), que não estava espalhado por tudo quanto é cidade mas que tinha nas Fontaínhas o seu ponto principal, a par da Avenida dos Aliados, de Santa Catarina e da Batalha. Aquele S. João que tinha dezenas de fogueiras e centenas de balões a esvoaçar no céu (ó patego, olha o balão, gritava-se), e não tinha vovuzelas como este ano. Aquele S. João que tinha o seu fogo preso e de artifício «deitado» no dia de S. Pedro, na Afurada.
Nos últimos anos, bastantes já, tenho-me ficado por casa, ouvindo um pouco ao longe o barulho dos martelos misturado com os sons dos altifalantes. Este ano ouvindo também o horroroso som das vovuzelas.
Talvez seja da idade, esta minha vontade de não comparecer à melhor noite da cidade.
Adorava o S. João (a véspera de S. João tem um significado muito especial para mim) e se hoje ainda fosse dia 23 e a noite ainda estivesse para vir, bem que iria dar um salto à baixa, tentar reviver esses tempos (está a dar-me uma espécie de nostalgia, embora, infelizmente, com alguns dias de atraso).
Há imensas razões para se adorar esta cidade. A um bom amigo meu, FMSá, que sobre isso escreveu no blogue Albergue Espanhol, e no Aventar bem que lhe parecia que alguma coisa justificava tanto amor a esta terra e a esta gente, como por exemplo o haver tantos filhos do S.João. Essa é só mais uma de entre milhentas. E tinha razão. Seja o que for, por pequeno pormenor que seja, justifica essa paixão por esta cidade maravilhosa.
As senhoras já tinham acabado o lanche havia muito tempo. Nem tinha dado fé disso, perdido nos meus pensamentos.
Portugal jogou taco a taco, e jogou bem até aos 17 minutos da segunda parte. Nessa altura, um asno, que dá pelo nome de seleccionador nacional, resolveu tirar um dos melhores jogadores em campo e matou a equipa. Logo a seguir a Espanha marcou, e a equipa Portuguesa virá para casa sem honra nem glória.
Depois de ler o artigo do Fernando Moreira de Sá, vieram-me as lembranças de quando ainda ia passar a noite pelo Porto dentro, na sempre magnífica noite de S. João. Sempre gostei de o fazer, embora hoje, se calhar devido à idade, me deixe ficar por casa, ouvindo ao longe os barulhos das músicas e dos foguetes e dos irritantes martelos. Mas gostar, gostar, gostava do S.João no tempo em que não havia martelos, em que o rei e a rainha eram o alho pôrro e a cidreira, em que se saltava a fogueira e se ia dançar nos bailaricos espalhados pelos bairros da cidade (adorava ir a um que ficava entre-prédios perto do Prado do Repouso), em que as roulottes eram escassas e o barulho (hoje estridente) das músicas pouco se fazia sentir. Adorava o S.João no tempo em que o fogo era "deitado" no S. Pedro, em que as Fontaínhas eram o fulcro da festa, com milhares a irem a passo de caracol, compactados, por Santa Catarina e Batalha, em que as rusgas eram constantes e se acabava a noite a dormitar na praia do Homem do Leme, sem demasiadas bebedeiras, com muito gozo e sem droga. Adorava o S.João, adoro-o (a vépera de S.João tem um significado especial para mim) e se hoje ainda fosse dia 23 e a noite ainda estivesse para vir, bem que iria dar um salto à baixa, tentar reviver esses tempos. Como não é, vou de qualquer modo, a exemplo do FMSá, visitar a festa nas Fontaínhas, num dia já mais calmo. Há imensas razões para se adorar esta cidade, como por exemplo o haver tantos filhos do S.João. Esta é só mais uma delas.
Pois, mas isto não fica por aqui, e dentro de dias pode ser que o partido do governo e o do senhor Pedro, cheguem a acordo. E se chegarem, ambos perderão votos a Norte. Para se ser sério, e no caso de ter de ser (o passar a pagar portagem), essa cobrança só deverá e poderá ser implementada quando em todo o País, isso acontecer. No mesmo dia, na mesma hora. Todos de uma só vez. Mas na sua esperteza saloia, o governo já nos foi dizendo que apesar da ser ter sido revogada, teremos de pagar na mesma a partir de 1 de Julho. Eles são uns pândegos e nós é que nos lixamos. A revolta está próxima, estejamos preparados!
. SOUBE HOJE . Que nasceu um novo Blogue. Não é mais um, é UM a ter como referência. . Vão ver, chama-se LIBERATURA . Desejo aos seus autores o maior êxito nesta aventura. .
. O IMPORTANTE . Não nos importem as dificuldades que este governo nos impõe. Não nos interesse o quanto o fisco nos tenha depenado. Não nos preocupemos com a fome e o desemprego que grassa no nosso País. Não nos importe o sexo que o governo quer fazer connosco. Mantenhamos a nossa auto-estima acima de tudo. E tudo isto porque: . O importante é andar com a cabeça bem erguida.
Até que enfim, Dr Rui Rio, até que enfim que o ouço a defender a sério as gentes do Norte.
Ao ouvi-lo, fiquei com a impressão de que o nosso líder chegou por fim.
Só espero vê-lo na linha da frente da defesa dos nossos direitos e à nossa frente, comandando-nos, na nossa anunciada revolta, mesmo que o seu partido se entenda com o ainda nosso Primeiro e acabe por não votar favoravelmente a revogação da Lei dos Chips.
Fiz um interregno nas minhas preocupações e fui ver o jogo na televisão.
Neste meu interregno resolvi escrever sobre ele (o jogo).
Escrever pouco, para não cansar quem me quiser ler.
Assim:
1º tempo
Chuva e frio
Muita gente a apoiar Portugal.
O barulho da porcaria das vovuzelas não pára, e há quem traga protecções para os ouvidos.
Bola na trave/poste deles com remate de Raúl Meireles.
Bom jogo o nosso.
Golo de Raúl Meireles aos 29 minutos.
Amarelo para P Mendes.
Intervalo
Mais ataques, mais cantos e mais tudo da parte dos Portugueses.
2º tempo
Continua a chover.
Os mesmos jogadores , sem quaisquer substituições, que surgirão mais tarde.
Entramos em força.
Ronaldo continua em branco, não marca nem por nada. Tem azar.
As cornetas não param.
2-0 por Simão aos 8m, e a partir daqui, tudo foi diferente.
3-0 por Hugo Almeida aos 10m.
4-0 por Tiago antes dos 15m (60m).
Jogamos de caraças. Uma das melhores exibições de entre todas as deste mundial. Jogo bonito.
A Coreia sem agressividade e com muitas dificuldades. A Coreia é uma equipa frágil.
As oportunidades sucedem-se para os Portugueses.
Amarelo estúpido a Hugo Almeida.
Bola à trave, de Ronaldo. O homem não consegue marcar.
Hoje é fácil elogiar a equipa Portuguesa. Até a nota artística é muito boa. Regressou a esperança. O adversário ajudou, mas todo o mérito é Português. Esta segunda parte, tão melhor que a primeira que já foi boa.
5-0 por Liedson, acabado de entrar.
E Ronaldo…. até que enfim. Marca o 6-0. Tudo enrolado e estranho mas… Até que enfim!
. O OPEL CORSA, O RÚBEN E A TORRADA DE PÃO DE REGUEIFA .
Era ainda de manhã, cedinho, de uma sexta-feira feita para engenheiros de pontes. Ontem, muitos, demasiados, festejaram o dia do meu País como se tudo estivesse bem. À mesa do café onde muitas vezes desjejuo, leio distraído o jornal do dia.
A revista que o acompanha também está por ali, com a sua capa colorida a tentar chamar-me a atenção. Entre uma leitura de títulos da primeira página do jornal e da revista, e uma espreitadela às fotografias que os acompanham, fico sabedor do que mais importante se passou no dia de ontem, ou nos que o antecederam. Aos poucos vou tomando consciência do que é interessante para os Portugueses.
Assim, pedindo desculpas pelo tratamento muito informal que vou dar às pessoas, fiquei a saber que a Sofia e o Nuno, que não conheço mas que leio serem actores, já não namoram um com o outro, e que cada um deles tem já consolo garantido noutras paragens. Que a Isabel, coitada, já nem consegue viver sem o Pedro, personagens que igualmente não conheço mas que aprendi que trabalham como manequins, e que o Tony, este conheço por ser um cançonetista de Carreira, este ano não tem férias. Que o Ronaldo, foi visitar o senhor Mandela e que o senhor Silva quer sacrifícios, desde que explicados e repartidos. Que a festa do futebol começa hoje e que as polémicas do País terminam porque o Vítor, este até eu sei que foi o melhor guarda-redes Português de sempre, acha que o campeonato do mundo de futebol passou a ser o tema central da vida Portuguesa. E ainda, que o nosso Primeiro José contesta as críticas que lhe são feitas e fala dos tempos que correm como sendo de dificuldade generalizada, que um homem foi morto à facada e outro que toda a gente pensava que era mulher foi parar ao hospital por motivos passionais, que milhares de crianças foram passear até Fátima apesar da chuva, que o Vice Constâncio quer sacrifícios no BCE, e que as promoções na vendas de artigos de vestuário começaram já, provocadas pelas quebras na facturação dos comerciantes.
Já nem seria preciso ler mais fosse o que fosse.
Com as primeiras páginas do jornal e da revista, já me poderia sentir esclarecido.
Mas não me senti saciado, e resolvi abrir o diário e continuar a ler.
A par das comemorações do dia de Portugal, das condecorações com que umas quantas sensibilizadas comovidas e agradecidas personalidades foram agraciadas, e dos apupos com que o nosso Primeiro foi brindado, fiquei também a saber que a austeridade chegou à DGS, onde o consumo do papel higiénico, da água e do sabonete tem de ser reduzido, e que a Senhora da Hora, cidade desde há um ano, ainda não sentiu os benefícios dessa elevação. Li sobre os acidentes de viação, que não acabam, seja por culpa dos automobilistas, seja por culpa do estado das estradas (muito embora se saiba que quando as estradas estão más, se deve andar mais devagar). Aprendi que o sapato mais velho do mundo tem cinco mil e quinhentos anos, e que as nossas águas balneares estão muito melhores, e li que o destino é uma bola.
Ora por causa desse destino, resolvi ler as páginas que o diário destinava a esse fenómeno. Nada menos que dez.
Na segunda página deparei-me com uma crónica e decidi-me a lê-la até ao fim. Versava sobre o profissional da bola que foi a correr para a África do Sul, substituir um outro profissional do mesmo ofício que se tinha magoado. Apesar do meu actual interesse pelo assunto, e até por causa disso (normalmente o interesse é quase nulo), percebo muito pouco da profissão do jogo da bola, em especial desta, jogada com os pés e também com a cabeça (literalmente).
O entendido nestas coisas do jogo jogado, escritor cronista, Neto de seu nome, não gosta mesmo nada do substituto. Percebe-se facilmente pelo teor dos escritos. A dada altura, escreve «Olha-se para ele em campo e rapidamente se percebe: ele podia estar em qualquer sítio, que o resultado era o mesmo. Põem-no a médio interior: não compromete. Põem-no a trinco: joga benzinho. Põem-no a lateral-direito: ninguém dá por ele…/. E, no entanto, também nunca se espera o que quer que seja dele. … não falha um passe porque raramente arrisca um passe difícil. Não erra um corte porque normalmente controla o lance à distância. /… - e, se saísse por uns minutos para ir urinar, tenho a certeza que ninguém sentia a sua falta. / … Trocar Nani por Rúben … é o mesmo que trocar uma sequóia por uma acácia, um Maserati por um Opel Corsa…»
Abstraindo-nos dos termos técnicos, como sejam «médio», «trinco», «lateral», «passe», «corte» e «lance», que, acredito, dizem respeito a este tipo de jogo, esta descrição do jogador, caberia direitinha a muitos dos nossos profissionais da política, como por exemplo a maioria dos deputados da Nação. São sempre os mesmos (poucos) a intervir, a trabalhar, a mostrar serviço feito, enquanto todos os outros só servem mesmo para fazer número, e para, durante quatro anos, aumentarem as despesas da Assembleia e encherem os respectivos bolsos de euros que tanta falta nos fazem.
Essa mesma descrição serviria também, como uma luva, para descrever muitos dos trabalhadores das nossas empresas públicas, bem assim como de muitas privadas, que, quase nada trabalhando, não erram, e não errando, são considerados bons funcionários pelos seus chefes, e por isso são promovidos.
Ao pensar nisto, a vontade de continuar a ler as notícias, sempre iguais, que todos os dias aparecem, desapareceu, e entretive-me a degustar a minha torrada de pão de regueifa, e o meu sumo de laranja acabado de espremer.
Sempre valeu mais a pena.
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COMO SE FORA UM CONTO - A SRª MARIA, O SR MANUEL, E O ORGULHO DE SE SER PORTUGUÊS
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A srª Maria e o sr Manuel casaram-se em 2008 entre o Natal e o Ano-Novo. Para ela o primeiro casamento, tardio, pois que quase na casa dos cinquenta anos. Para ele uma repetição.
A srª Maria tem formação em economia e é CEO de um banco, e o sr Manuel foi Ministro das Finanças e é uma pessoa muito importante num partido político, ambos da África do Sul.
A srª Maria é uma das mulheres mais influentes do Mundo, segundo uma revista importante, a Fortune. Diz-se por lá até, que é a nona mulher mais influente do planeta.
Para esta crónica o sr Manuel deixa aqui de ter interesse. Não é Português nem nasceu em Portugal. É uma pessoa que não nos diz nada seja a que título for. As suas relações sanguíneas e familiares com o nosso País, são nulas. Só foi aqui falado pelo peculiar nome, que faria lembrar um qualquer ancestral lusitano, e pelo seu casamento com a srª Maria
Para esta crónica a srª Maria continua a ter interesse. Não é Portuguesa mas nasceu em Portugal, na capital do que um dia foi um Império.
Mas a revista Fortune, diz que a srª é Portuguesa, e terá alguma razão. A srª Maria nasceu como tal, nos idos de 59. Logo depois rumou às Áfricas, as então Portuguesas e aquela onde agora vive. Naquele tempo, muitos foram os Portugueses que, com as suas famílias, se mudaram com armas e bagagens para as nossas ex-colónias.
Pensava eu, até agora, que uma pessoa que nascesse Portuguesa, sempre seria Portuguesa. Mas a srª objecto desta crónica, pensa de maneira diferente. Lá terá as suas razões, e as razões de cada um, são com cada qual. E, convenhamos, ninguém terá seja o que for a ver com isso.
Ora, a srª Maria, em determinada ocasião da sua visa, naturalizou-se Sul-Africana, o que por aí, nenhum mal poderá advir ao mundo. E porque se naturalizou, e porque assim o entende, diz-se Sul-Africana naturalizada, e não Portuguesa, recusando-se inclusivamente a falar das suas origens. Não sei se alguma vez se terá recusado a falar Português, mas isso nem é muito relevante neste momento.
Mas porque falo eu da srª Maria e do seu marido, o sr Manuel?
As razões são simples. Neste fim de semana deu-me para ler uma revista onde, assinado pela srª Pratícia Viegas, se encontrava um artigo sobre esta srª.
Ao tentar ler nas entrelinhas, adivinhei um certo gáudio da jornalista em revelar que tal personagem era Portuguesa, ao mesmo tempo que indicava que o banco do qual é CEO era o principal patrocinador da selecção de futebol Sul-Africana, os Bafana-bafana. Os tais que usam por todo o lado as vuvuzelas, e que nós queremos imitar no campeonato do mundo, usando-as também. Esse gáudio traduzia-se no orgulho de ter mais uma Portuguesa entre as pessoas mais importantes do mundo, muito embora essa Portuguesa estivesse zangada com o seu País.
Mas porquê esse orgulho todo? Teremos, nós Portugueses, necessidade de mendigar algum reconhecimento e importância, publicitando algo que nem sequer é verdadeiramente verdadeiro. Ser-se Português é algo mais que nascer em Portugal. E, pelo artigo publicado na revista do jornal, a srª não se sente Portuguesa, nem quer ser Portuguesa, e assim sendo, deixá-la por lá andar sossegadinha.
Qual a importância que tem para os Portugueses, o saberem da existência de tal srª? Que nos importará que essa mulher, seja assim tão importante? Ninguém a conhece por aqui, e ela não deseja vir a ser reconhecida como nossa compatriota. Até poderia entender um artigo a zurzir na srª, mas … ela é Sul-Africana e o que quer que seja que lhe diga respeito, só terá interesse para os seus concidadãos.
Lamento, mas não tenho qualquer orgulho em saber de uma ex-Portuguesa que, não tendo orgulho em alguma vez o ter sido, esconde as suas origens.
Tal como os chapéus, Portugueses há muitos, espalhados pelos quatro cantos do mundo, uns com mais importância e outros com menos, mas cheios de orgulho da Pátria Portuguesa, sua palerma!
O estrondo, enorme e contínuo, baralha as ideias, impede o pensamento e perturba o imperturbável caminhar das horas e dos dias.
As casas, os prédios e as pontes, caem como baralhos de cartas, lançando a destruição à sua volta. As estradas, as ruas e os caminhos, desaparecem, deixando no seu lugar, uma amálgama de trilhos sem sentido e sem indicação de rumo.
No meio de tanta desgraça, J sente-se perdido. Olha à sua volta e só a devastação e a ruína se encontram à vista. O desespero ameaça tomar conta das suas acções. As soluções não existem, os caminhos não se vêm, a solidão está presente.
Os familiares, mesmo que voltassem com os seus esforços e cheios de boa vontade, não apagariam a tristeza nem acalmariam a desesperança.
J é a imagem personificada do desânimo.
Ao seu lado, não tem companheiros de infortúnio. Ninguém repara no seu sofrimento, ou ao menos se importa. Cada um tem a sua própria dor. E as dores dos outros são sempre privadas.
A solidão que o assalta é avassaladora. Esse isolamento, nos momentos em que mais necessidade se tem de companhia e compreensão, sempre se impõe a tudo e a todos, mesmo quando, ou até apesar de, gritarmos o nosso pesar aos quatro ventos.
A vida perde a razão de ser perante o descalabro eminente. A vontade de acabar com tudo, cresce a cada minuto que passa. J, está perdido.
J, de Jaime, de Joaquim, de José … Podia ser eu, este J …. Podia ser eu! Chato, desconfiado, ora trabalhador, ora desleixado, quezilento, ausente, com filhos espalhados pelo mundo, e amores em cada esquina. Podia ser eu, este J.
Como isso me aflige. Uma vida de trabalho a governar e um final desgovernado. Sem ninguém, sem proventos, sem futuro. Uma vida negra, de um negrume intenso, fatal.
Soube do J há dias. Cinco filhos e outras tantas mulheres. Perdeu o emprego de chefia que tinha, e adoeceu, não sei se por essa ordem. Recentemente o governo cortou-lhe o subsídio de doença. Foi considerado apto para um trabalho que não tem nem tem possibilidade de voltar a ter. Como foi gerente da firma que detinha, também não tem direito ao outro subsídio, o de desemprego. A sete anos de distância de uma reforma de miséria, as perspectivas não são brilhantes. Abandonaram-no, os que viveram dos seus impostos, os que viveram dos seus pagamentos de juros e os que dele sempre tinham dependido, a uma sorte que não procurou, a ele, que toda a vida tinha sido mimado por uns e outros. Essa mesma vida durante a qual tinha mimado os outros com a sua capacidade humana e económica. Filhos, mulheres, amigos de todo o género e espécie, todos, um a um, desapareceram da sua companhia como se ele transportasse peste. Dizem-me que pouco lhe falta para desistir, de tudo, de vez.
Podia ser eu, pensei de novo.
Olhei à minha volta. Livros, computadores, secretárias, cadeiras, fotografias. Estava lá tudo o que é costume estar no meu cantinho.
Aos livros já li quase todos, e a alguns até reli uma e outra vez. A outros, poucos, falta ler. Não tive pachorra na altura em que me chegaram às mãos e depois, nunca mais me lembrei deles. A não ser nestas alturas em que intimamente prometo fazê-lo logo que tenha um pouco de vagar. Tenho alguns desses há mais de um lustre, alguns mesmo há muito mais.
Os computadores, são dois. Um pequeno, portátil, que transporto comigo para todo o lado. É nele que escrevo o que me vem à cabeça. É nele que desabafo as alegrias e as mágoas. É nele que leio as palavras amigas que me mandam pelo novo correio, o electrónico. No outro, o grande, trabalho nas minhas fotografias, descubro os erros que têm e retoco-os, preparo as minhas exposições de imagens, escolhendo as que merecem ser vistas e escondendo as menos boas.
As secretárias e as cadeiras, também duas de cada, onde me sento para escrever em papel. À mão. Adoro escrever com caneta e ás vezes com lápis. Tenho uma letra miúda que por vezes nem eu entendo, mas gosto de escrever, de exercitar a mão, de deixar um testemunho físico da minha passagem por este mundo. Quando posso e o tempo dos dias de hoje me permitem, escrevo cartas, em vez de telefonar, de mandar mensagem via telemóvel ou de enviar escritos por correio electrónico. Sinto-me bem quando recebo uma carta escrita por alguém que me seja próximo, mas cada vez somos menos os que se dedicam a isso.
E as fotografias que me transportam para o passado, sempre presente. Fotografias dos filhos e dos pais e avós e tios e por aí fora. Alguns dos representados nas molduras, mal os conheci, mas lembro-me deles e faço por não deixar de o fazer. – Deve ser triste ficar eternamente esquecido numa moldura à espera do fundo de uma gaveta ou de um caixote cujo destino será, um dia, o lixo. – A outros que por ali estão, não conheci de todo, mas conheço-lhes as histórias e sei dos exemplos que deram e que insisto em tentar seguir.
Enquanto olho à minha volta vou pensando de novo que o J bem que poderia ser eu. Que raio… mas é que podia mesmo… podia sim!
Lembranças, certezas, dúvidas, tudo me assalta. E o J! Soube dele há poucos dias.
Como estará? Qual o valor da vida que ainda transporta, que esquinas dobrará ainda?
Logo depois da revolução, e numa época de luta geral contra o que estava mal no nosso País, um poeta escreveu que não havia machado que cortasse a raiz ao pensamento. Durante décadas, a luta e o pensamento correram livres. Sucederam-se os governos, as reformas e as lutas, e ao fim de trinta e tal anos chegamos aos dias de hoje.
E, nos dias de hoje, que vamos encontrar de diferente? Que ganhamos nós com a luta, os pensamentos e as reformas, para além de acabarmos por ter um governo como o que actualmente nos desgoverna?
.
Podemos falar livremente e por isso podemos ofender e insultar sem que nada de grave nos aconteça.
Podemos roubar livremente, desde que sejam valores obscenamente avultados, que se for um pão ou uma maçã, vamos para a cadeia.
Aos dezasseis anos, uma adolescente pode fazer livremente um aborto, mas não pode decidir colocar um piercing.
Aos dezoito anos um, agora adulto, recebe duzentos euros de subsídio do Estado, podendo assim continuar a não trabalhar, mas um idoso recebe de reforma duzentos e trinta e seis euros depois de uma vida inteira de trabalho.
Os professores são diariamente enxovalhados, insultados, e até sovados pelos alunos, mas o nosso governo desculpabiliza a situação imputando as culpas a causas sociais.
É proibido consumir drogas nas prisões do nosso País, mas são distribuídas todos os dias, seringas para controlar o HIV.
Se um jovem de quatorze anos matar alguém, nada lhe pode acontecer pois não tem idade para ir a tribunal, mas se o mesmo jovem levar uma bofetada do pai por ter roubado dinheiro ou por outra qualquer razão, tal é considerado violência doméstica, e o paizinho pagará por isso.
Se a uma família acontecer uma desgraça e ficar sem casa, tem de se socorrer de amigos ou amizades, se os tiver, ou viver conforme possa, muitas das vezes ao relento ou em bairros de lata, já que o Estado não tem dinheiro para lhe fazer uma nova. Mas se seisenergúmenos estiverem presos numa cela que foi inicialmente projectada para quatro deles, sem terem , coitados, quarto de banho privado, a Associação dos Direitos Humanos faz queixa da situação ao Tribunal Europeu.
Se uma criança estiver a trabalhar numa qualquer fábrica antes de ter, oficialmente, idade para tal, isso é considerado exploração do trabalho infantil, passível de prisão, mas se por outro lado o trabalho for, a participação em gravações de telenovelas ou em concursos televisivos, é o talento que está a ser aproveitado, mesmo que trabalhe oito horas por dia, ou mais.
Se precisarmos de uma seringa para ministrar uma injecção, vamos a uma farmácia e pagamos o que nos pedirem, mas, se fossemos drogados, não pagávamos nada.
Se se for homossexual, quereremos e poderemos casar, mas se formos heterossexuais, limitamo-nos a juntar os trapinhos, que a vida não está para brincadeiras.
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Muitos outros exemplos se poderiam dar. Correm diariamente pela internet, textos, a denunciar situações de bradar aos céus, mas como é habitual em nós, nada fazemos, e enquanto nada nos acontecer directamente, olhamos para o lado e assobiamos a disfarçar.
Terá sido para isto, e muito mais do género, que alguns fizeram uma revolução, outros a continuaram, e a quase totalidade apoiou?
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Infelizmente parece que ainda não fizeram um machado que acabe por cortar a raiz à árvore em que nos obrigam a viver.
Devo pertencer a um grupo minoritário, creio, que nunca pagou para ver/ter uma revista com fotografias de mulheres nuas, que nunca pagou para ver/ter um filme cuja classificação dada fosse «para adultos», que nunca pagou…
Há dias, estava eu a passar um fim de semana maravilhoso no planalto mirandês, quando uma notícia percorreu o País.
Na zona onde me encontrava, Mogadouro, não se falava em outra coisa. Ali perto, numa cidade vizinha, quase toda a população correu aos quiosques a comprar uma revista, esgotando os espécimens disponíveis. Dentro, em oito páginas coloridas, uma transmontana aparecia despida de roupas e preconceitos. Os ávidos compradores fizeram circular por tudo quanto era gente as páginas imorais. Miúdos e graúdos, homens, mulheres e crianças, viram e reviram, por todos os ângulos imagináveis, os lugares mais recônditos da pequena. Os mandantes da terra e superiores hierárquicos da moçoila, que era professora de música de meninos da terra, decidiram despedi-la.
Foi a notícia mais badalada dos últimos tempos. Nem as notícias da crise, nem dos roubos a que todos os dias estamos sujeitos por quem nos deveria governar, nem da fome ou das cinzas do vulcão, tiveram, juntos, tantos leitores como este despedimento.
Que a notícia não foi, de modo algum, a não ser nas terras transmontanas, a nudez da sirigaita. A notícia foi o despedimento das funções de docente da senhora professora.
E, coitada, até nem foi muito bem paga pelo serviço prestado. Setecentos euros por uma duzia de fotos em poses sensuais. Coisa pouca e barata.
De qualquer forma, o que a menina queria, o propósito que a moveu a tirar as fotos, não foi o dinheiro, foi o ser conhecida por toda a gente. E esse, foi conseguido.
Todo o País passou a falar da professora Bruna, da coelhinha lá do Norte. Mas depressa ela se fartou de tanta publicidade sem nada em troca. Agora, quem quiser falar com ela, quem a quiser entrevistar, paga. E atendendo ao que recebeu pelo trabalho anteriormente feito, até se faz pagar bem. Afinal, agora, é uma pequena conhecida. Por isso, só aceita falar a troca de uma nota de dois mil euros. E isto sem direito a qualquer fotografia.
Se lhe quiserem tirar o retrato, têm de abrir os cordões à bolsa. E, convenhamos, a moça tem muitos e bons ângulos para serem fotografados.
Se pensarmos bem, a senhora professora terá razão. Já agora, feito o que feito foi, já nada custa, para a frente é que é o caminho, e no aproveitar é que está o ganho. A fama já a ganhou, o proveito deseja a raparigota que venha depressa, por um atalho.
"... os portugueses comuns (aqueles que têm trabalho) ganham em média cerca de metade (55%) do que se ganha na zona euro,
mas os nossos gestores recebem, também em média:
- mais 32% do que os americanos;
- mais 22,5% do que os franceses;
- mais 55 % do que os finlandeses;
- mais 56,5% do que os suecos"
(dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/09)
E são estas "inteligências" (?) que chamam a nossa atenção, dizendo: . "os portugueses gastam acima das suas possibilidades" e "todos temos de poupar".
Se somos sempre mais "papistas que o papa" em matéria de leis e aplicações do que por lá fora se pratica, então porque é que no caso das descidas dos ordenados dos políticos de vários países, não se aplica o mesmo rigorosamente ou ainda mais ???
Irlanda (descidas dos ordenados dos políticos e governantes) = 15 %
Espanha (descidas dos ordenados dos políticos e governantes) = 15 %
Inglaterra ( Previsão da descida dos ordenados dos políticos) = 20 %
E estes"chulos"que afundaram o país ainda estão a pensar se só descem 2,9%, ou seja o "pequeníssimo" aumento que tiveram o ano passado ??? . Isto, parece que só lá vai com um novo 25 de Abril e com um pelotão de fuzilamento a acompanhar....
De uma forma ou de outra todos nós temos ou tivemos um tio. Eu ainda tenho. Às vezes, quase todas as vezes, os tios que temos não nos dizem nada de especial, outras vezes, pelo contrário, são como este que eu tenho. Este tio que eu tenho é o «meu tio». Não tenho outro, nem nunca tive. Bem, isso não é propriamente verdade. Tive e tenho ainda outros tios, mas são-no por afinidade, casaram com as minhas tias. Assim, este é o meu verdadeiro Tio. Ora bem, o meu tio, pois que é deste tio que eu tenho que se trata, foi sempre o meu tio preferido. A seu lado, sentia-me bem, querido, compreendido. Em nenhum outro lado me sentia assim. A sua rebeldia, a sua forma solta de viver, a utilização exacerbada de palavras em calão, os seus amuos iguais aos meus, o seu companheirismo, a sua susceptibilidade e o ser em quase todos os aspectos a antítese do que era o meu pai, faziam-me vibrar. Para além de tudo o resto, a descontracção e a aparente despreocupação do meu tio, aliadas à demonstração de uma enorme alegria de viver, contrastavam enormemente com a sisudez de meu pai. Quando tive idade para «fugir» de debaixo das saias de minha mãe, comecei a «fugir» para casa dele, para a praia dele, para o café dele, para qualquer lado onde a sua presença se manifestasse. Com o meu tio R, aprendi muitas coisas. Sempre me pareceu que sabia de tudo um pouco, e eu bebia as suas palavras com alguma sofreguidão. Fosse do que fosse que se falasse, ele sempre tinha uma opinião, um comentário ou uma palavra adequada ao assunto. Os filhos do meu tio, eram os meus irmãos mais novos, mas a vida, madrasta, foi-se encarregando de nos afastar um pouco e aos poucos, muito embora ainda hoje eu os veja da mesma forma, e a saudade dos tempos antigos seja muito grande. O outro lado da família, o lado paterno, que sempre tinha sido o meu poiso obrigatório até essa altura, começou a perder a cor e a igualar-se a este, nas minhas preferências. Perdia até, muitas vezes, quando eu tinha de optar por um lado ou outro. Inevitavelmente, ao fim de pouco tempo, acabou por perder totalmente em favor deste. Se fosse possível dizê-lo desta forma, gostava tanto do meu tio como gostava de meu pai. De modo diferente, mas com a mesma paixão. Hoje não é diferente. Continuo a vê-lo como um segundo pai. Não sei se ele me vê como mais um filho, mas de certeza que me vê como um, razoavelmente bom, sobrinho. A cada passo, com uma assiduidade menor que a desejável, vou procurá-lo. Sei qual o café onde pára e por lá fico meia dúzia de minutos, à conversa, sobre tudo ou sobre nada, a saber novidades ou a fazê-las saber. Muitas vezes, só pelo prazer de ali estar, de olhar para ele, de o ouvir falar. A minha paixão por este homem foi sempre tão grande e de tal maneira visível que, quando alguém (sempre os mesmos) me queria aborrecer, ou castigar por alguma coisa que eu tivesse dito ou feito, atirava-me à cara, dando um cariz negativo à maneira de ser do meu tio, que eu era igualzinho ao que ele era. E eu, lá no fundo, sentia um bocadinho, por vezes não tão 'inho' quanto isso, de orgulho, e sorria intimamente. Portista indefectível, chegou a trabalhar graciosamente para o clube. Um dia, num domingo, foi só um mas ficou-me gravado para toda a vida, levou-me com ele e com a minha prima mais velha ao futebol, às Antas. Fomos para os lugares cativos que eles possuíam, na bancada. Tinham cadeiras só deles, no estádio, para onde iam todos os dias, naquele tempo era quase sempre ao domingo, em que o Porto jogasse lá. Não me lembro já de qual o jogo que se estava a realizar, mas a situação, o prazer, o sonho de lá estar, fez-me sentir excepcionalmente bem, como durante anos mais nada o conseguiu. Nunca tive um lugar cativo nas Antas ou em lugar algum, mas sempre que pensava no que o meu tio e minha prima tinham, sentia invariavelmente uma pontinha de inveja. Quem me dera... ! Acompanhei-o e à minha tia e aos meus primos, inúmeras vezes, a Freamunde e a Lousada, para patuscadas, brincadeiras, vivências em família. Foram momentos únicos que nunca esquecerei, e que me trazem imensas saudades. Durante alguns anos, infelizmente muito poucos, fizemos a ceia de Natal todos juntos, em casa de meus pais. Se exceptuar os da minha meninice e juventude dadas as suas características, foram dos Natais que mais lembranças e saudades me deixaram, pela diferença, pelo amor e pela alegria que os meus tios e primos nos trouxeram. Foram talvez, dos poucos, senão únicos, Natais, em que eu vi o meu Pai sorrir muito e até chegar a rir de felicidade. Essa alegria foi e é, a imagem de marca de todos eles. O meu tio é irmão de minha mãe. Mais novo quatro anos em idade, mas muitos mais em maneira de ser. A sua enorme teimosia faz parte do seu encanto. O meu «tio pobre», como ele gostava de se chamar, era e ainda o é hoje em dia, o meu ídolo. Nos dias que agora passam, desejo-lhe toda a saúde do mundo, toda a felicidade do mundo, tudo o que o mundo lhe possa trazer de bom. Faz hoje anos o meu Tio. Já em número digno de ser registado. Muitos parabéns. Desejo continuar a contá-los por muitos e muitos anos.
A desonestidade grassa por aí. Faz parte da vida dos nossos dias. Olhando bem, a intelectual é talvez a que mais se nota.
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Nestes dias da visita do Papa a Portugal, muitos, demasiados, previram que os Portugueses iriam demonstrar uma indiferença e um afastamento enormes.
Previsões erradas e desprovidas de bases seguras, no entanto afirmadas e reafirmadas como verdades absolutas.
Às mesas dos cafés, nos locais de trabalho, nos blogues, nos jornais, nas televisões, em tudo quanto é sítio e lado, têm sido inúmeros os ditos jocosos, a chacota e os disparates, de muitos que se dizem agnósticos, ateus, laicos e sérios. A tentativa frustrada de desmotivação das pessoas, e a sobranceria e intolerância das suas opiniões só pode ser considerada patética. O ódio tem estado patente em muitas das palavras proferidas.
Esquecem, porque não sabem, ou porque sabendo é «bem» dizer mal dela, o que é a Fé.
Convivem mal com o sublime e a excelência.
Desprezam com arrogância os valores que chamam à paz, à verdade, à tolerância, ao perdão, à esperança, à alegria, à beleza, ao amor ao próximo e à solidariedade.
Vivem em constante crise interior, de que se não dão conta.
Esquecem o povo, anónimo, que não liga ao diz que disse, que não se julga intelectual, que não tenta influenciar opiniões, nem se considera mais culto ou sabedor que o parceiro do lado, mas que na sua enorme sabedoria sabe destrinçar o essencial do acessório, e sabe que a Fé é um esteio seguro que ajuda à serenidade que permite ultrapassaros sofrimentos do dia-a-dia, ajudando à construção de uma comunidade de Paz.
Este Papa não é um brilhante comunicador, e vive tempos conturbados no seio da igreja e no mundo. Perde ao ser comparado com o seu antecessor, homem da teatralidade e da comunicação. Mas, sendo um homem da cultura, da música e do sorriso, fala só do essencial, e vai conseguir levar os seus propósitos a bom termo.
. OU SACANICE? . Ontem ao fim da tarde, o SLB ganhou um campeonato de futebol. Ontem ao fim da tarde, os seis milhões (?) de adeptos e simpatizantes do SLB, saíram para as ruas, do mundo civilizado, e não só, gritando a plenos pulmões a sua categoria, e a sua alegria. Depois, cansados, foram descansar com um sorriso nos lábios. Nesse entretanto, o sr. Fernando, o melhor Ministro das Finanças da Europa, às três da manhã, madrugada em Portugal, anuncia possíveis aumentos de impostos a curto prazo. É preciso diminuir o déficit em mais um ponto, disse o Ministro, e agradar a Bruxelas, pensando-se já na eventual possibilidade de um novo imposto especial sobre todos os salários, e uma nova subida do IVA. Como não há, nunca há, fumo sem fogo, as possibilidades serão certezas, de certeza. Fará, este senhor, parte do governo que nos prometeu a todos, repetidamente, que isso (o aumento dos impostos) seria coisinha que nunca fariam, desse por onde desse? A escolha do momento do anúncio (três da manhã do dia em que o SLB foi campeão), foi só uma infeliz coincidência, ou teve como fito, o escapar à leitura da maior parte dos seis milhões de convivas satisfeitos?
Saí à rua perfeitamente absorto. Nem me lembrei que hoje, os adeptos de um clube da capital estariam todos muito contentes pois tinham, ao fim de alguns anos de jejum, ganho o campeonato de futebol da primeira liga. Como se esse facto fosse de algum modo importante para a felicidade do nosso povo. Mas, afinal era com eles, com eles e com os da terra deles, e estariam todos cheios do direito de festejar. A barulheira era enorme, com carros a buzinar por todo o lado, quase me impedindo de pensar. De repente apercebi-me que estava no Porto, a mais de trezentos quilómetros da capital. Esquisito, dei comigo a cogitar. Aqui tão longe, tão longe que nem se vê bem daqui para lá, andam estas pessoas todas a gritar, contentes como se fora um dos da sua terra que tivesse ganho? Andamos às avessas?
A esperança de ver a melhor equipa deste ano ser consagrada como Campeã Nacional de futebol da 1ª liga, morreu nesta tarde de Domingo. A outra equipa concorrente não perdeu e assim, ganhou, ao fim de uns anitos, o almejado título. Não é que não tenha ganho muito bem. É uma digna vencedora, apesar de, não nos podermos esquecer dos casos dos túneis na capital e nos Arcebispos, que poderão ter provocado este desfecho da competição. De qualquer modo, eu gostaria que o Bragativesse ganho o campeonato. Teria sido lindo, e merecido, e eu, como muitos, teria ido para a rua festejar com a minha bandeira verde rubra numa mão e outra azul e branca na outra. Mas assim não aconteceu, e a festa é benfiquista. PARABÉNSS. L. BENFICA. Cardozo, também foi o melhor marcador. Como nota negativa, o facto de no jogo da luz, um dos jogadores mais queridos dos adeptos, Mantorras, não ter sido convocado. Isso, Jesus, não se faz.
SERENÍSSIMA CASA REAL E DUCAL DE BRAGANÇA - PORTUGAL
RELÓGIO UNIVERSAL
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NAÇÃO
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Bandeira do Condado Portucalense usada pelo Conde Dom Henrique (1081-1139) e pelo Conde Dom Afonso Henriques (1139-1143)
«De prata, uma cruz, de azul». Esta é a descrição heráldica do escudo do primeiro Rei de Portugal, herdada, segundo se diz, de seu pai, Henrique de Borgonha. Note-se que se trata aqui realmente de um escudo; a heráldica europeia moderna começa justamente pela descrição das vestes e dos escudos dos cavaleiros num torneio, feita por um arauto (herald). Quase certamente, este brasão nunca tomou a forma de uma bandeira, pois estas, muito menos como representação uniformizada e generalizada de um país, ainda não existiam nesta época
Houve, dois Condados Portucalenses ou Condados de Portucale distintos: um primeiro, fundado por Vímara Peres após a presúria de Portucale (Porto) em 868 e incorporado no reino da Galiza em 1071, após a morte do conde Nuno Mendes (e que embora gozando de certa autonomia, constituiu sempre uma dependência do reino das Astúrias/Leão/Galiza sendo sensivelmente equivalente ao actual Entre-Douro-e-Minho).
Um segundo, constituído c. 1095 em feudo do rei Afonso VI de Leão e Castela e oferecido a Henrique de Borgonha, um burguinhão, que veio auxiliá-lo na Reconquista de terras aos Mouros, tendo também recebido a mão de sua filha Teresa de Leão. Este último condado era muito maior em extensão, já que abarcava também os territórios do antigo condado de Coimbra, suprimido em 1091, partes de Trás-os-Montes e ainda do Sul da Galiza (diocese de Tui).
Condado é um termo genérico para designar o Território Portucalense, pois os seus chefes eram alternadamente intitulados Comite (conde), Dux (duque) ou Princeps (Príncipe).
Há 47 regiões vinícolas em Portugal. Nos rótulos das garrafas essas regiões estão mensionadas através de siglas. . Denominação de origem e classificação de vinhos consoante a região de proveniência: DOC - Denominação de Origem Controlada VQPRD - Vinho de Qualidade Produzido em Região Demarcada VLQPRD - Vinho Licoroso ... VEQPRD - Vinho Espumante ... VFQPRD - Vinho Frisante ... Vinho Regional Vinho de Mesa
Em Dezembro de 1996, o centro histórico do Porto foi classificado, pela UNESCO, como Património Cultural da Humanidade, o que veio confirmar a sua riqueza monumental, patrimonial e cultural. Destino turístico por excelência, a cidade tem, no centro histórico, o ponto fulcral das visitas à Invicta, apresentando a história da cidade que começou a crescer a partir desse mesmo ponto.
A cidade, indissociável do rio Douro, é uma das mais antigas da Europa e apresenta uma história que eleva o espírito hospitaleiro e lutador do povo apelidado de “tripeiro”. A par da sua história, apresenta o afamado Vinho do Porto, cujas caves podem ser visitadas do outro lado da margem do rio, em Vila Nova de Gaia.
Para além dos monumentos e museus, a cidade apresenta inúmeros espaços verdes que proporcionam bonitos passeios, seja no centro da cidade ou junto ao mar ou rio.
Uma visita pela cidade não deve esquecer as pontes, que unem o Porto a Vila Nova de Gaia, assim como os percursos que a cidade oferece, desde a movimentada Baixa, às pitorescas Ribeira e Miragaia, até à Foz, conhecendo aí as praias, e passando também por uma subida à Torre dos Clérigos.
A gastronomia portuguesa é bem conhecida em todo o mundo, pela sua diversidade. No Porto, são dois os pratos que se destacam dos demais: as Tripas à Moda do Porto e a sanduíche reforçada, coberta de molho picante, que tomou o nome de Francesinha.
Povo festivo por natureza, os portuenses dão grande destaque à Festa de S. João, tornando a noite de 23 para 24 de Junho, num arraial único no país. Toda a gente sai à rua, empunhando martelos de plástico ou alho-porro, para correr as ruas da cidade, da Ribeira até à Foz, depois do monumental fogo-de-artifício que acontece à meia-noite junto ao rio Douro.
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