sábado, 12 de abril de 2008

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA DA CIDADE DPO PORTO

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Carta aberta ao presidente da câmara da cidade do Porto


José Fernando Vieira de Magalhães*

Antes de mais aceite os meus cordiais cumprimentos.
Em abono da verdade devo começar por dizer que votei em si, numa primeira vez porque não gostava do seu principal opositor e na outra porque estava convencido que o senhor seria o melhor Presidente de Câmara para a minha cidade.
Sou um simples comerciante do centro desta nossa cidade, daqueles poucos que lutam, abrindo aos sábados, aos domingos, e aos feriados de todo o ano, a combater os centros comerciais e as grandes superfícies, e ao longo do tempo fui cimentando a ideia de que estava positivamente certo naquela avaliação.
Não misturar assuntos desportivos com políticos... acho bem!
Acabar com a subsídio-dependência... acho bem!
Motivar os mais novos para a leitura... acho bem!
Promover a cidade com desporto motorizado... acho bem!
Promover a cidade seja de que maneira for... acho bem, claro!
Tentar ser fiel ao programa que o elegeu... acho bem!
Reabilitar as casas do centro da cidade com um programa rua a rua, quarteirão a quarteirão... acho bem!
Reabilitar o centro histórico da cidade... acho bem!
Reabilitar o comércio de rua... também acho bem!
Modificar a sala de visitas da cidade, aceitando as ideias de reputados arquitectos... tenho de achar bem!
Reabilitar as praias da cidade dando-lhes a qualidade merecida... acho bem!
A “guerra do túnel” ... até achei bem!
E muitas outras coisas eu... por princípio acho bem!
Mas, senhor doutor Rui Rio, ele há aí umas coisitas, pequeninas, poucas, que eu não acho tão bem.
Desta vez são só duas. A primeira é sobre as obras da cidade, e a outra sobre o “nosso” circuito da Boavista.
Ora vejamos...
É preciso reabilitar a baixa da cidade, claro que sim, e para isso são precisas obras...
Pois!
E para as obras são precisos empreiteiros a quem foram adjudicadas, e que de certeza concorreram da maneira mais correcta e transparente que possa existir.
E esses empreiteiros a quem foram adjudicadas as obras deveriam ter a capacidade de as fazer depressa e bem....
Está a seguir o meu raciocínio Senhor Doutor?
Ora o que acontece é que as obras já estão no terreno há meses, com variadíssimas frentes, e o comum dos cidadãos, nos quais eu me incluo, vê tudo esventrado, e as mais das vezes com quase ninguém a trabalhar, ou mesmo em alguns casos, com ninguém.
O centro da cidade está um buraco imenso, com prejuízos enormes para todo o comércio em geral, que o senhor diz querer reabilitar.
São enormes os prejuízos para os comerciantes que de novo se vêm com obras a porta ou nas imediações, e com o espectro da falência de novo a espreitar.
Sabe, é que os clientes vão embora e muitos deles não voltam mais. E se pensarmos que depois ainda vamos ter as obras do Bolhão, que vão retirar também durante muito tempo as pessoas do centro da cidade, que dizer?
Não lhe parece que é muito, e muito mau?
E sabe o que parece ao povinho que todos os dias se cruza com este estado de coisas?
Parece que quem ganhou a adjudicação das obras, não tem capacidade humana e material para as fazer “depressa e bem”! E se quanto ao “bem” eu não tenho capacidade para poder falar, já no “depressa” digo que as velocidades que se vêm são “devagar, devagarinho e parado”.... só!
E se as pessoas compreendem a necessidade das obras, não percebem de certeza esta morosidade e este aparente desnorte.
É que até parece que era mais fácil ter só metade das frentes de obra e acaba-las antes de começar outras... mas, ao contrário e como vai sendo hábito, lá começaram mais um bocado de obras na Rua Formosa, agora até Santa Catarina, sem se ver qualquer final de qualquer outra parte de obra que esteja já começada.
E isto sou eu a falar, que por aqui ando no meio do pó como os outros, que são cada vez menos, com alguns dias em que mais parece uma cidade fantasma, de tão pouca gente que a circula, com o inerente prejuízo para o comércio, e que, de obras percebo... nada.
E não lhe parece, senhor presidente, que até era giro, que o povo da sua cidade visse o próprio presidente a descer a rua, com dois ou três assessores (mais não, que ainda pensavam que o senhor tinha medo de andar no meio do povoado, desprotegido), e aparecesse de surpresa nas obras, a ver o que se passava? Assim sem eles saberem, e sem terem tempo de fazer deslocar pessoal e maquinaria para o sítio por onde o senhor passava. Pois olhe que o comum dos cidadãos pensa que é assim que fazem quando alguém ( dos que têm poder para modificar ou castigar ) vai verificar alguma coisa.
Que lhe parece esta ideia peregrina de quem de gestão de câmaras e de obras nada entende, mas que ouve o que o povo diz?.... Mal...?.... Pois!!! Espero que não!
E já agora , Dr Rui Rio, a outra coisita pequenina, pouca, de que lhe queria falar.
Já se lembrou de assegurar o “seu” circuito da Boavista para além das duas próximas edições? É que em conversa com amigos que até entendem disso, surgiu a ideia de que assim que o outro circuito, o de Montes Claros, sabe (?), aquele que copiando-nos estão também a querer ressuscitar, tenha luz verde para voltar a existir....o seu circuito vai para lá.... !!!???!!!
E por falar no seu/nosso circuito, parece que aqui no Porto ou mesmo no Norte, não há pessoal habilitado para trabalhar nele. Dizem-me que vem toda a gente de Lisboa, desde comissários de pista e outros, a ajudantes, médicos do INEM e tudo.... só o que de bom o país tem.
Será normal, Senhor Doutor? Já se andam a movimentar? Tão cedo a preparar o terreno para o ataque? Será? Ora veja lá!
A Talento e o ACP, é que mandam, creio eu – dizem-me – e eles são de lá de baixo não é? E o ACP que dizem também, deveria ser Nacional, até parece, parafraseando o “outro senhor”, que é tão somente sulista, elitista e... etc.!
Que faz mesmo o ACP pelo Porto, se até a revista é feita só para o sul do país, tão raras são as notícias que dizem respeito à gente?
Sabe que a nós não nos basta ser tão bons, nem nos basta ser melhores, temos mesmo de ser excepcionais para que as coisas aconteçam cá, e depois, fabulosos, para não deixarmos que nos tirem o que tão bem soubemos construir.
Lembre-se do “nosso” Salão Automóvel, que já esteve na Exponor, e nunca mais estará, e das razões pelas quais veio e pelas quais se foi, e esteja atento Sr Dr.
Não permita que nos roubem o que tão difícil foi de conseguir, seja a que nível for.
E depois não diga que eu não o avisei.
Bem... isto digo eu mais uma vez, que destas coisas não entendo mesmo nada!
Fique o Senhor Presidente muito bem, e desculpe qualquer coisinha!!!

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