sábado, 12 de abril de 2008

O CONDADO PORTUCALENSE REVISITADO E REDESENHADO

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O condado portucalense revisitado e redesenhado


José Magalhães*

Estou farto! E estou farto de pensar no assunto, e chego sempre às mesmas conclusões. Não saio disto. De uma forma ou de outra é assim que as coisas se me apresentam.
Estamos a ser governados a nível nacional, por pessoas que por certo não serão o que de melhor temos.
Esses, os melhores, estão caladinhos, nas empresas, ocupados a criar riqueza para eles e para mais alguns. E convenhamos, vão-se meter nas governações para quê? Para deixarem de ter vida própria, e a que têm, ser vasculhada e deturpada por toda a espécie de gente? Para receberem pouco e mal, serem apelidados de tudo e mais alguma desde ladrões a fascistas ou outras quaisquer coisas, e trabalharem 24 sobre 24 horas?
Cada vez mais, estou convencido que é mais que necessário dar uma volta muito grande nestas coisas, como por exemplo dar condições para que essas “cabeças” se sintam motivadas para a causa pública. Mas isso…… !!!
Dentro de algum tempo, vai estar de novo em cima de algumas mesas, o “dossier” da regionalização.
Fruto das minhas cogitações, vou dar uma achega para essa contenda.
Sempre fui adepto de uma verdadeira descentralização, mas agora ao ver o que dia-a-dia se passa no nosso país, em que a centralização, seja do que for, é uma palavra de ordem, mais me convenço que isto só lá vai com a regionalização.
Vamos em frente com ela então!
Façamos de Portugal um país com várias regiões autónomas.
Para além das existentes, Madeira e Açores, outras regiões, e de entre elas, a nossa… um “Novo Condado Portucalense”.
Juntemo-nos, e entre Minho, Douro, Trás-os-Montes e também as Beiras, façamos uma região autónoma de categoria, com força negocial.
Os outros, se assim o entenderem, que lutem por terem uma para eles.
Deixemo-nos de “paz podre”, de “não me chateiem” e de “não é nada comigo”.
Vamos á luta. Comecemos com subscrições, com “abaixo-assinados”, com artigos nos jornais, com “blogues” na internet. Discutamos nos cafés e apresentemos os nossos pontos de vista. Forcemos a discussão na televisão, e só aceitemos moderadores capazes e sérios.
Estamos a ser cultural, política e economicamente colonizados, se não mesmo em alguns casos, escravizados.
De tudo se depende do poder central (cada vez mais centralizado), e de negociações, que o governo central faz por si só, e em nosso nome, com a Europa. Somos uma das regiões mais pobres que este continente tem. E só dentro do nosso país, na capital, e em média, cada habitante ganha em cada mês, quase mais 300 euros que os nossos. Só este dinheiro, se existisse nos nossos bolsos, daria para muita gente deixar de passar fome.
Por todo o lado há vendidos ao capital e à capital. O bairrismo moderado desapareceu. Os interesses de uns poucos, sobrepõem-se à maioria. As invejas são o pão nosso de cada dia.
A educação está cada vez mais arredada da nossa juventude. Cada vez mais se sabe menos e cada vez há mais desrespeito pelos outros. Quanto à cultura, nem é bom falar. Cada vez se aprende menos. Cultura geral é coisa do passado. O abandono escolar antes do 9º ano é mais do dobro da existente na Europa. Estuda-se para se ser especializado em nada, e só se sabe desse assunto. Nem a nossa língua sabemos ler, falar (basta ouvir os “jornalistas” das televisões e das rádios que nos entram pela casa dentro) ou escrever em condições. Se falarmos em contas - mesmo as mais simples, a tabuada ou até as de somar -… é um desastre! Há quantos anos andamos a reformar as reformas do ensino?
Entretanto dizem-me (gente anónima, do povo, com a cultura que a vida lhes dá) que mais parecemos um país onde uma qualquer associação de malfeitores, tenha tomado as rédeas do poder. Fala-se até, nas mesas dos cafés e nas esplanadas onde o perigo de serem escutados é diminuto, quase de boca a ouvido, que há criminosos a protegerem outros criminosos, que há crimes que já não são crimes, e que há bandidos que o eram e já o não são, e que por via disso estão a ser libertados. Ouço ainda, que o Estado, em vez de acabar com a droga nas prisões (fosse de que forma fosse), promove a troca de seringas, legalizando-a implicitamente. Nem queria acreditar, e por isso fui ler os jornais, e a não ser que eu já não o saiba fazer em condições, foi isso que li.
Estamos cada vez mais anestesiados. Olhamos para a maior catástrofe, noticiada nos jornais ou na “tv”, com a mesma indiferença com que vemos um pobre a pedir para comer, medidas deste quilate tomadas pelo governo, ou um espectáculo medíocre que vai passando na televisão.
Já não há valores, nem respeito, nem consideração pelas pessoas.
Para tudo se diz e pensa, primeiro Eu, segundo Eu, depois ainda Eu, e logo a seguir Eu, e só depois venho Eu e os outros……………… desde que não me incomodem!
Por tudo isto, EU ESTOU FARTO !!!
E como eu, milhares de Portugueses, que à socapa ou mais abertamente, lá se vão insurgindo contra o estado das coisas, mas que ainda não tiveram um catalisador credível para avançarem.
A insatisfação é enorme. As crises, económica e de valores, grassam por todo o lado.
Insurjamo-nos, e procuremos esse catalisador, que anda por aí… que eu sei!
Que vos falta para juntarem a vossa voz à minha?


*Porto

1 comentário:

Antonio Almeida Felizes disse...

caro Jose Magalhães

Dada a temática abordada, tomei a liberdade de publicar este seu "post", com o respectivo link, no
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Regionalização
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Cumprimentos