segunda-feira, 15 de junho de 2009

UM HÁBITO QUE SE AVIZINHA

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O DETESTÁVEL LÍDER QUE SE HABITUE

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Em pouco mais que uma semana, o Grande Irmão, Admirável Líder do povo Português, sofreu um valente revés.

Admirado por todos, adulado pela maioria, venerado por muitos, este nosso Primeiro era o melhor dos melhores, o “créme de la créme”, o Admirável Líder. Em todos os jornais e televisões, ou quase, saíam diariamente notícias que o elevavam à categoria suprema de indefectível na liderança da governação Portuguesa. Antes e durante a campanha para as eleições Europeias, as sondagens mais pessimistas davam-lhe uma vitória por larga margem, deixando o segundo classificado a grande distância. Nestas eleições, não concorria directamente, mas empenhou-se a fundo nelas, de modo a que o ganho ou a perda, só a ele se poderiam assacar.

Perdeu. Perdeu na única sondagem certa e verdadeira. Perdeu por muitos votos de diferença, tantos ou mais que os que as sondagens lhe davam de vitória. E o impensável aconteceu. A mesma imprensa que o elevava, a mesma imprensa e restantes meios de comunicação social que o adulavam e achavam que nunca poderia perder, passaram a detestá-lo e passaram a considerá-lo um perdedor, ignorando-o cada vez mais, pouco faltando para o apelidarem de execrável.

Que se poderá chamar a quem muda tão repentinamente de ideias, mesmo que com razões para o fazer?

Algo que bóia e fede, poderia ser uma das respostas, no entanto prefiro uma outra, a de alguém que foi tardiamente iluminado, e que agora diz “eu era cego, mas agora já vejo, aleluia!”


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(In O Primeiro de Janeiro, 15-06-2009)


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JM

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