segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

CINCO DIAS DEPOIS

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ROMA
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Regressei de umas curtas férias e encontrei um Portugal renovado. Como um amigo meu me diz amiudadas vezes, só seria preciso paciência, que ao mudar o ano, tudo com ele mudaria, para melhor, claro.
Parti, a 30 de Dezembro. Saí de um País (o meu) triste e sem esperança, onde os problemas sociais e políticos eram enormes, e onde só se esperava que o Presidente fizesse como os seus antecessores e demitisse o governo. Saí de um País (o meu) onde pouco se entendiam, onde a fome crescia, e onde a crise não diminuía.
Ao regressar, hoje, e quando apareci à porta do avião, encontrei uma nova atmosfera no ar. Os cheiros eram diferentes, as cores mais vibrantes, os sons menos agrestes, quase melodiosos.
Mesmo sem saber fosse o que fosse, rejubilei. Algo tinha mudado. É certo que não tinha ouvido notícias nem falado com ninguém, mas as coisas pareciam-me diferentes. Um enorme sorriso ficou estampado na minha cara e não quis mais sair.
Quando cheguei a casa, corri a saber das novas. Folheei jornais, liguei a televisão, conectei-me com a internet.
Pareceu-me que as coisas me escapavam das mãos. Não encontrei nada de novo. Por certo não estava eu a procurar devidamente, pensei, mas aos poucos vi a verdade e o desalento voltou.
Afinal, a crise económica e social mantém-se. As pessoas ganham o mesmo, na sua maioria mal, o desemprego continua a aumentar, continuam a matar-se uns aos outros nas estradas, e o Presidente entende que se está a caminhar para uma situação explosiva.
Afinal, a crise política também se mantém. A oposição não se entende com o governo. O governo continua a pensar que pode fazer o que quer. Alguma oposição não se entende a ela mesma. O governo joga com as palavras, continua a vitimizar-se, e joga em força para a aprovação do Orçamento.
Que se passou então para que eu tivesse sentido uma tão forte alegria e uma mudança, que não existem?
Só mesmo o desejo enorme de ver em Portugal o que acabara de ver no País de onde vinha.
Fui passar cinco dias a Roma. Já há muito tempo que não saía do meu País, e há muitos anos que não ia a Itália.
Vivemos numa aldeia global e, vamos ouvindo os problemas políticos e sociais que todo o mundo vive. Roma vive por certo muitos desses problemas, não sendo muito diferente do resto do mundo. A crise económica é geral e mundial, e em Itália não será diferente da restante Europa.
Mas a diferença para Portugal, é enorme.
Se nos problemas sociais e nos políticos as diferenças são grandes, normais e não comparáveis, já que cada País tem casos específicos, já no plano económico se pode olhar de outra maneira. Eu sei que se trata de um País rico, com muita indústria e muita exportação. Mas já há muitos anos que, mesmo salvaguardando as devidas proporções na comparação com Portugal, eu não via um comércio tão florescente. Rios de gente nas ruas, a comprar. Filas à porta de lojas de renome internacional, e noutras cujos nomes eu desconhecia. Milhares de pessoas com sacos de compras. É verdade que a época de saldos tinha aberto, mas os preços que se viam na maior parte das lojas, eram muito altos, mesmo que, os valores já com os descontos de "saldi", fossem os originais.
A retoma já se nota em Itália, como se nota em muitas partes da Europa. E eu gostaria de ver essa pujança no meu País.
Infelizmente continuamos no mesmo rame-rame de sempre, com os mesmos a mandar e os mesmos a obedecer. Uns e outros, mal!

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JFM
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