sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Com a devida vénia

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Já há muito tempo que não me ria tanto e tão à "séria"!!!

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Contereis o riso?
(Horácio)


Versão pós-moderna da Inquisição reuniu na capital para julgar grave crise
de heresia do F. C. Porto que, contra os interesses centralistas, ganha campeonatos

•• Anunciaram os jornais: “A UEFA reconhece e aceita a decisão do Tri­bunal Arbitral do Desporto (TAS), que hoje confirmou a presença do F.C.P. na próxima edição da Liga dos Campeões, em futebol".
Perante o desabar da estratégia centralista de Cerco do Porto, deli­neada pelos herdeiros do Migue­lismo, reuniu na Capital a versão pós-moderna do Tribunal da In­quisição. Presidiu o fantasma do Inquisidor de Lisboa, D. João de Melo. O super-aliado Baltasar Lim­po, Inquisidor do Porto, que, à re­velia da burguesia local, ainda con­seguiu realizar dois Autos de Fé no Burgo, era convidado de honra. Outro convidado foi o humanista Radovan Karadzic (com barbas). Estiveram presentes o fantasma do Centralista e Hipócrita-mor, Oli­veira Salazar, bem como, ressusci­tados na 5.ª dimensão, os avatares dos comandantes da Legião Portu­guesae da Brigada Naval, Directo­res da Pide e Presidentes dos Tri­bunais Plenários. Dos denuncian­tes - peças essenciais do regimen­to do Santo Ofício - comparece­ram os representantes da "União 5 à Sec" (Cinco a Zero - resultado com que o F.C.P., o réu, mimosea­ra, recentemente, os interessados na sua condenação).
A agenda da reunião era: «1.º ­Verificando-se grave crime de He­resia, por parte do F.C.P. que - con­tra os interesses centralistas - ganha campeonatos; 2.º - Que o mes­mo herético, campeão a 20 pontos de distância, insiste em disputar a liga dos Campeões, lesando grave­mente os interesses centralistas; 3.º - Que o TAS, ao pactuar com tal moralidade e não atender aos de­sejos da "União 5 à Sec", cometeu grave crime de heresia; 4º - Qual a punição a atribuir a tais defensores de doutrinas materialistas, desres­peitosas da dignidade dos centra­listas perdedores, a quem são devi­dos investimentos, benesses e sub­serviências dos súbditos?»
A maioria da Assembleia gritou em linguajar da Capital: «À séria: ao "queima-dero"» (tradução para português de gente: «A sério: de­vem ir para a fogueira!» ). A minoria defendeu que os réus deviam ser submetidos a torturas, para que não ousassem prejudicar mais o Cen­tralismo. Mas, da multidão de as­sessores presentes, um avençado do contencioso jurídico advertiu que, desde 20.3.l821 (por influência dos heréticos tripeiros que desen­cadearam a Revolução Liberal), a Inquisição era extinta. Assim, a decisão era nula. E que, pelo Art.º 16.º do Acto Adicional à Carta Consti­tucional, a pena de morte para cri­mes políticos tinha sido abolida em 1852. As torturas eram incompeten­tes. Embora se retorquisse que nu­lidade e incompetência eram atri­butos do Centralismo, o Tribunal, consideradas as repercussões in­ternacionais de tais actos, decidiu que a queima na fogueira seria apli­cada a autocarros e não a adeptos do F.C.P. e as torturas seriam con­vertidas em desinvestimento cen­tralista na cidade do Porto.
O Tribunal da Inquisição pós­moderna solidarizou-se com a vo­cação perdedora (no campo e no TAS) da "União 5 à Sec" e apresen­tar recursos da decisão de confir­mar o F.C.P. na Liga dos Campeões aos seguintes organismos: Tribu­nal Internacional de Haia, Congres­so e Supremo Tribunal Federal dos EUA, Cúria Romana, Câmara dos Lordes da Grã-Bretanha, Assem­bleia-Geral da ONU, Reischtag da RFA, Cortes Espanholas, Assem­bleia Nacional Francesa, Organiza­ção Internacional do Trabalho e Parlamento Europeu.
Tratando-se de órgãos democrá­ticos, logo, suspeitos de parcialida­de, o Tribunal entendeu apresentar queixa de tão nefanda discrimina­cão urdida pelo movimento sionis­ta, ao Congresso do Partido Nacio­nal Socialista Alemão, o centralis­ta Adolfo Hitler._
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Por Hélder Pacheco in JN- Passeio público- em 14 de Agosto de 2008
.Sem palavras!!!
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