quarta-feira, 1 de abril de 2009

QUALQUER UM DOS TRÊS

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A JUSTIÇA PORTUGUESA
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Ferreira Torres foi absolvido. Era acusado de peculato, extorsão, abuso de poder e corrupção. Nada se provou contra o antigo homem forte de Marco de Canaveses, e fraco de Amarante. Como muitos outros, foi acusado e condenado na opinião pública, e absolvido em tribunal. Saiu do tribunal triunfante.
Fátima Felgueiras foi condenada a três anos de prisão. Era acusada de uma enormidade de coisas, de entre elas, abuso de poder, corrupção e peculato, no famoso caso do saco azul. O que se provou serviu para a condenação, mas com pena suspensa, o que na prática é uma absolvição para a opinião pública. Como muitos outros foi acusada e condenada na opinião pública e foi como se fosse absolvida em tribunal. Saiu do tribunal triunfante.
Isaltino Morais irá ser condenado ou absolvido. É acusado de uma quantidade de crimes. Tal como Ferreira Torres e Fátima Felgueiras o fizeram, também se mostra extremamente confiante e clama inocência para quem o quiser ouvir. Em qualquer dos casos, com condenação ou absolvição, daqui a bastante tempo, sairá do tribunal triunfante, e nada de mal lhe acontecerá.
Qualquer um dos três está ligado ao sistema político e movimenta ou movimentou milhões de euros. Qualquer um dos três pode ser considerado rico, pelos padrões actuais. Qualquer um dos três é arrogante, com um discurso de sobranceria e superioridade. Qualquer um dos três teve ou tem acesso a advogados de alto gabarito. Qualquer um dos três soube ou sabe que a investigação no nosso País parece ser muito deficiente. Qualquer um dos três soube ou sabe que é muito difícil fazer prova dos factos de que são acusados. Qualquer um dos três soube ou sabe que tudo lhe correrá bem.
A justiça Portuguesa está enredada nesta malha apertada, onde tudo se descredibiliza pelo facto de nada se provar, os julgamentos se arrastarem interminavelmente, os recursos se somarem aos recursos para instâncias superiores, e os acusados nunca serem condenados, ou quando o forem seja como se não o fossem.
A justiça Portuguesa necessita de ser servida por uma investigação credível e célere, de modo a que os factos se provem em tempo útil, e a credibilidade das instituições se reforcem. Do modo em que tudo está, ninguém acredita em ninguém, o descrédito é absoluto.
A justiça Portuguesa, não parece existir, e o povo parece aceitar esse facto como facto consumado.
A corrupção parece alastrar, sabe-se que alastra, os crimes em especial os violentos aumentam, e na mente dos Portugueses, tudo é normal, nada tem solução, e quem tem dinheiro "safa-se sempre". Ser vigarista ou bandido ou desonesto é que está a dar. Ser sério e honesto é ser-se parvo e com falta de agressividade. E a justiça do nosso País não ajuda a modificar este estado de coisas.
Até quando?


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(In O Primeiro de Janeiro, 01-04-2009)

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JM
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