quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

SOLIDARIEDADE

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JÁ NÃO SE PODE SER BOM

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Três amigos decidiram, quatro anos atrás, implementar um projecto de ajuda a deficientes carenciados.

Esse projecto de solidariedade, que teve como exemplo a campanha nacional da Associação Tampa Amiga, consistia em juntar tampas plásticas, de garrafas, e posteriormente trocá-las por cadeiras de rodas.

Vivendo para os lados de Santarém, fixaram lá a sua actividade de voluntariado, com a ajuda do Governo Civil.

Ao longo de alguns anos, ajudaram muitos deficientes sem meios, a terem cadeiras de rodas e equipamentos ortopédicos.

Entretanto, alguém, por certo um dos seus vizinhos escalabitanos, amigo do seu amigo e respeitador intransigente da lei, denunciou os três amigos que, por falta de mais espaço para armazenamento das muitas tampas (cerca de cinco toneladas), utilizavam um terreno desocupado.

Os fiscais do ambiente, puseram-se a caminho e multaram a proprietária do campo.

Como é evidente, o movimento de solidariedade cessou (Julho de 2008), suspendendo a recolha de tampas, e começando a, a pouco e pouco, desocupar o terreno.

Os prejudicados, para além dos que tiverem de pagar a coima (ainda não se sabe o valor da multa, mas pode variar entre 1500 e 3750 Euros), são os deficientes carenciados de Santarém.

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Não sei o que leva, seja quem for, a fazer queixa de outra pessoa, cujo único intuito é ajudar o próximo.

Gentinha como esta que fez a queixa, feia , má e invejosa (e há tanta assim espalhada pelo nosso país), que só prejudica e nada constrói, deveria ser obrigada a fazer uma reciclagem, onde aprendesse regras de convivência e solidariedade, bem assim como fazer trabalho comunitário.

Só se espera, ao fim deste tempo todo, que os fiscais, e os seus superiores que irão tomar a decisão de qual a multa a aplicar, deixem cair para valores irrisórios o valor da coima neste caso.

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Já não se pode ser bom, neste nosso Portugal.


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(in O Primeiro de Janeiro, 11-02-2009)

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JM

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