segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ANO DE CRISE

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QUANDO NÃO HÁ DINHEIRO, É ASSIM
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Estamos em ano de eleições.
Em anos como este, os partidos, gastam o dinheiro que têm, e também o que não têm, assim como o que lhes dão (só o estado dá 3,5 euros por cada voto desde que tenham mais de 50 000), para fazer uma campanha digna, honesta e verdadeira.
Estamos em ano de crise. Em anos como este, os partidos, como as pessoas e os governos, gastam o dinheiro que têm, com cautela e com parcimónia, não gastando mais do que podem, nem se endividando ou endividando os outros.
Este ano, verificamos que os nossos partidos precisam de uma campanha de verdade, porque os eleitores querem, mais do que de outras vezes, ouvir da boca de cada um, a realidade do que se enfrenta e a real maneira de a combater.
Os nossos principais partidos, sabem disso tudo e tudo farão para contentar os Portugueses. Assim, os que podem ( os que estão perto da esfera do poder) contratam serviços de agências de comunicação, e oferecem emprego, comida, mordomias e o mais que se lembrem de modo a obter o votito daquele incauto. Os que não podem, coitados, mal se conseguem ouvir a eles mesmos, tal a berraria dos primeiros.
A primeira campanha, são duas, é para as legislativas. Para essa, sabe-se já que os dois maiores partidos vão gastar entre si, dados oficiais e sem contar com as normais derrapagens, nove milhões de euros, sendo que para o partido do governo serão cinco
milhões e meio e para o maior partido da oposição cerca de três milhões e meio. Como se vê, coisa pouca.
Com a excepção da CDU que se propõe gastar cerca de dois milhões, os outros dois partidos parlamentares esperam não ultrapassar o milhão de euros.

Os outros, coitados, muito longe de qualquer esfera de qualquer poder, têm orçamentos ridiculamente baixos, face a estes números, e por isso não podem contratar seja quem for para lhes ensinar o caminho do voto, contando só com a prata da casa.
Estamos a falar de treze milhões de euros, gastos pelos partidos políticos em propaganda na campanha para as eleições Legislativas. Sem contar com o que o País gasta, ou deixa de ganhar, pela paragem no trabalho de tanta e tanta gente, e pela subvenção que é dada aos partidos por cada voto obtido. O próprio acto eleitoral, custa aos nossos cofres muitos milhões de euros.
E ainda não nos foram ditos valores para as eleições autárquicas.
E tudo isto em ano de crise.
O que seria que se gastaria num ano normal.

O que seria se houvesse dinheiro para gastar.

Poderemos pensar o que faria o País com todo este dinheiro, se fosse canalizado, em boa parte, para o desenvolvimento, ou até, só para acabar com a fome ou o desemprego?
Será que precisamos mesmo de gastar tanto dinheiro para que o País acabe por ficar na mesma, embora em alguns casos com moscas diferentes?
Quem mais tem para gastar, e o partido do governo tem mais dois milhões que o PSD, acredita que faz a melhor propaganda. Embora a melhor propaganda nem sempre seja a mais cara.
E toda a gente sabe que o melhor propagandista, tem a melhor banha da cobra, e acaba por vender mais.

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(In O Primeiro de Janeiro, 24-08-2009)

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JM
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